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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2016
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A mentira é uma imperfeição moral que é vista por nós equivocadamente como inconsequente e, às vezes, mesmo como necessária. As mentiras inconsequentes são aquelas mentirinhas que a gente diz para evitar maiores problemas e se denominam quase sempre de desculpas e que podem ser reais ou imaginárias ou mentirosas. Alguém diz:

  • Você vai ao casamento de fulana?
  • Não vou. Responde a outra.
  • Por quê? Insiste a primeira.
  • Tenho outra festa para ir e no mesmo dia e horário. Explica a segunda.
  • Bem. Você vai ter que arranjar uma bela desculpa. Observa a interlocutora.
  • Pode deixar que eu me viro. Conclui a outra.

       Como se pode ver a pessoa que disse “você vai ter que arranjar uma bela desculpa” está sugerindo à outra que minta e a segunda pessoa diz que vai mentir sem a menor dificuldade.

       As grandes mentiras são aquelas que são geradas em contextos muito dramáticos, como: Anunciar a alguém que está com uma doença grave; avisar a uma pessoa que desencarnou um seu parente próximo; a mulher dizer ao marido ou vice-versa que devem abrir o casamento; um filho dizer aos pais que é homossexual e assim por diante.

       Não podemos negar que no caso das grandes mentiras, também chamadas, em alguns casos, de mentiras necessárias, é muito difícil dizer a verdade, entretanto, mesmo assim, a verdade deve ser dita. O único cuidado que se deve ter nestes casos é quanto ao modo de fazer a revelação.

Vamos, em continuidade, definir mentira como o discurso que tem por fim esconder a verdade. Seu grande mal está exatamente nisso: esconder a verdade, pois as pessoas têm direito à verdade seja ela qual for. Nada há que esteja oculto que um dia não seja descoberto. O povo diz e com muita razão: mais fácil é pegar um mentiroso do que um coxo.

A primeira pergunta que se faz quando se discute este tema é a seguinte: por que as pessoas mentem? A resposta é simples: as pessoas mentem, na grande maioria dos casos porque estão com medo de dizer a verdade. Nesse caso as perguntas intimas que se faz são as seguintes: como reagirá aquela pessoa se eu disser que ela tem câncer? O que será da Lúcia se eu lhe disser que a mãe dela está na lista dos que pereceram no grande desastre? Como se comportarão meus pais seu eu lhes revelar que estou usando drogas? Essas coisas as pessoas só ficarão sabendo se você disser a verdade. Não há outro modo.

Em alguns casos não podemos nem devemos julgar uma pessoa por ela ter mentido. Não se pode, entretanto, ser muito severo nos casos das chamadas mentiras piedosas, pois os limites morais entre o certo e o errado são muito tênues.

Vou lhes contar uma história exemplar, embora de difícil julgamento. Conta-se que um homem era casado com uma mulher extremamente vaidosa. Um dia, manipulando álcool em casa, ela causou um incêndio e teve queimaduras por todo o corpo, principalmente no rosto.

Tratado em um hospital para pessoas vitimas de queimaduras, ela ficou boa, mas não se pôde evitar que ele ficasse com o rosto deformado, e tão deformado que mesmo as operações plásticas não lhe devolveram a antiga beleza. No dia em que o marido foi vê-la no hospital, ele chegou lá com óculos escuros. A mulher, muito abalada, lhe perguntou:

  • Fiquei horrorosa, não?
  • Eu não sei. Respondeu o marido.
  • Ora, você não está vendo como ficou o meu rosto? Quis saber a mulher.
  • Não. Não estou vendo. Disse o homem.
  • Como não está vendo? Perguntou a mulher.
  • Quando eu tentei salvar você do incêndio, o fogo atingiu-me os olhos e eu fiquei cego.

Tempos depois a mulher foi para casa e viveu relativamente bem se expondo ao mínimo aos olhos das outras pessoas, mas muito bem com o marido que ela imaginava cego e não lhe podia ver as deformações. Viveram mais alguns anos, e quando ela desencarnou só então se soube que o marido não ficara cego, havia fingido todo o tempo para que a mulher não sofresse acreditando que ele estava vendo o rosto dela desfigurado. Esse homem agiu bem ou agiu mal? Para dizer a verdade: só Deus pode saber.

       Se, entretanto, houver dúvidas sobre a negatividade da mentira, basta consultar Jesus, nosso modelo e guia. Jesus não aprovava a mentira e certa vez disse: seja a sua palavra sim, sim não, não, e, em outra, firmou categoricamente: buscai a verdade e a verdade vos tornará livres. Ao se Jesus desaprovou a mentira teve os seus motivos e nos devemos respeitar esses motivos.

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