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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2016
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Existem as pessoas que resistem às mudanças e para se justificar dizem que os que mudam são pessoas de personalidades fracas, verdadeiras Maria-vai-com-as-outras. Como estão erradas essas pessoas. Até mesmo as rochas mudam embora muito lentamente. A mudança não é sinal de fraqueza do espírito, muito pelo contrário. O homem que muda é aquele que é capaz de revisar o seu comportamento passado que não deu certo e modificá-lo naquilo que ele tem de ruim ou pouco eficiente.

Cito como exemplo deste comportamento teimoso as pessoas que fazem vestibular para Medicina ou Engenharia em Universidades públicas, cinco seis vezes e não são aprovadas ou realizam concursos para a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Petrobras, cujo nível de dificuldade costuma não ser pequeno e não conseguem sucesso.

       Essas pessoas, ao invés de analisarem os seus erros quanto ao modo de estudar ou as suas estratégias equivocadas, costumam atribuir seus fracassos a fatores aleatórios como a sorte ou os maus fados ou ainda a falta de um pistolão e assim por diante. Não percebem que se desejam passar nos vestibulares e nos concursos, devem buscar novas estratégias, uma vez que as usadas até aqui não deram bom resultado.

       Há na vida de Mahatma Gandhi uma história que vale a pena ser contada aqui. Diz-se que certa vez, em uma convenção em Bombaim, o Mahatma fez algumas afirmações sobre a política indiana com relação aos ingleses. Uma semana depois, em outra cidade, ele fez um discurso que negava todas as coisas que ele dissera em Bombaim. Uma sobrinha dele que o acompanhara nas duas oportunidades e ouvira as duas falas com atenção, disse a ele:

  • Tio, o senhor disse hoje exatamente o contrário que dissera uma semana atrás em Bombaim.
  • É verdade, minha filha, em uma semana se muda muito. Disse Gandhi.

Gandhi tem razão: em uma semana se muda muito, e até mesmo de um dia para outro se pode mudar. O homem avança à medida que é capaz de modificar comportamentos, inclusive nos reencarnamos para produzir mudanças em nossas atitudes e criar comportamentos novos. Pois se continuarmos agindo mal prosseguiremos com encarnações horizontais sem o menor progresso.

Há pessoas que passam toda a vida fazendo as mesmas coisas, mas esperando resultados diversos. Isso é um contrassenso, pois se eu faço a mesma coisa por certo o resultado será sempre o mesmo.

Permitam-me que continuando a tratar das mudanças, eu lhes conte uma outra passagem da vida de Gandhi. Ainda rapaz, estava em Londres e sofreu choques culturais e, em muitas oportunidades, sofreu críticas severas por parte dos ingleses por causa dos seus comportamentos indianos, inadequados para os ingleses mais refinados. Decide, então, que o melhor a fazer seria imitar os gentlemen britânicos, tornando-se um deles.

A primeira coisa que fez foi abandonar as roupas que havia trazido da Índia e comprar novas roupas inglesas nas lojas londrinas. Permitiu-se o luxo de comprar um chapéu alto e forrado que lhe custou 19 shillings, um preço bastante caro para a época. Continuando a sua reforma, comprou um terno muito elegante em um sofisticado magazine da rua Bond e mandou pedir a seu irmão, que ficara na Índia, que lhe enviasse um relógio de corrente dupla e de ouro.

Gandhi aprendeu também a fazer laço de gravata. Na Índia, o espelho era um luxo reservado aos dias em que o barbeiro da família ia à sua casa para barbeá-lo. Ali em Londres tinha um grande espelho à disposição, diante do qual ele passava dez minutos fazendo o laço da gravata conforme os ditames da moda. Também passava bons minutos com uma escova na mão a cuidar da cabeleira rebelde.

Isso tudo, entretanto, ainda não foi suficiente para tornar Gandhi um gentleman, pois disseram a ele que um inglês bem-educado deveria aprender a dançar, falar francês e ter uma dicção perfeita. Gandhi gastou uma boa soma com aulas de dança sem, contudo, jamais se tornar um dançarino. Resolveu também que era importante aprender a tocar violão e, para isso, comprou este instrumento e contratou um professor para lhe dar aulas. Empenhou-se também em contratar um mestre de dicção.

Com o tempo, Gandhi percebe que estava laborando em erro com todas aquelas medidas para se tornar um gentleman e, além disto, jogando dinheiro fora, dinheiro que não era seu e vinha de sua família. O que fazer então? Simples: desistiu das aulas de dicção, do violão e da dança, passou a cortar seu próprio cabelo, a fazer sua comida e a lavar e a passar sua roupa. Mais à frente dispensaria as roupas europeias e usaria apenas uma espécie de fraldão que vinha até os seus joelhos, óculos de aro de fero e uma sandália de dedo. 

Vejam, Gandhi não possuía nenhuma dificuldade em admitir que estava em erro e abandonar a posição errada com a mesma tranquilidade que a assumira no passado como certa.

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