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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2016
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Muita gente que possui o coração mais duro costuma sustentar que não perdoa as ofensas, e considera isso uma espécie de virtude. Quando alguém lhes pergunta sobre a necessidade de perdoar, que aparece nos Evangelhos, essas pessoas costumam dizer, se católicas, que não são Deus, pois Jesus perdoava por causa de sua condição divina e, se espíritas, dizem que são inda imperfeitos enquanto Jesus pertence às esferas crísticas. Um fato, porém, ressalta aos nossos olhos e é pena que não ressalte aos nossos corações: temos de aprender a perdoar os que nos ofendem, orar pelos inimigos e por aqueles que nos perseguem.

Para trabalhar esta ideia vamos nos valer de uma mensagem que se encontra n’O Evangelho Segundo O Espiritismo. Esta mensagem veio para nós na cidade francesa de Bordéus, em 1862, e seu autor é um espírito que se identifica como Simeão. Vamos ao texto:

Quantas vezes perdoarei o meu irmão? Perdoar-lhes-ei, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. Aí tendes, um dos ensinos de Jesus que mais vos devem percutir a inteligência e mais alto falar ao coração.

Em primeiro lugar, a expressão setenta vezes sete vezes não deve ser entendida ao pé da letra, ou seja, 70x7 = 490 vezes. Parece mais lógico que esta expressão do Cristo seja uma metáfora para se referir a um número indeterminado de vezes, ou seja, perdoar sempre. 

Em segundo lugar, diz o espírito que esta regra deveria atingir fundamente ao homem na inteligência e no coração. Na inteligência, porque diz o bom senso que é melhor viver bem com o nosso próximo do que viver de mal ao coração ou ao sentimento, porque o ato de perdoar nos faz interiormente melhores e tira de nós o peso do ódio que, não raro, é uma carga insuportável.

Confrontai essas palavras de misericórdia com a oração tão simples, tão resumida e tão grande em suas aspirações que Jesus ensinou a seus discípulos e o mesmo pensamento vos deparará sempre.

Lembra Simeão que Jesus na oração dominical mais conhecida como Pai Nosso, as suas duas primeiras palavras, nos diz que, se quisermos ser perdoados por Deus, devemos antes perdoar o nosso próximo. É claro. Como posso pedir perdão a Deus pelos meus erros se eu mesmo não perdoei as faltas de meu próximo? Agindo assim, isto é, perdoando, estamos seguindo o preceito da reciprocidade e não perdoando estou pedindo algo a Deus que eu não sou capaz de fazer.

Ele, o justo por excelência, responde a Pedro: perdoarás mas ilimitadamente, perdoarás cada ofensa, tantas vezes quanto ela vos for feita, ensinarás a teu irmão esse esquecimento de si, que torna uma criatura invulnerável ao ataque dos maus procedimentos e às injustiças; serás brando e humilde de coração, se medira tua mansuetude, farás, enfim, o que desejas que o Pai Celestial por ti faça. Não está ele a ter de perdoar frequentemente? Conta por ventura, as vezes que o seu perdão desce a te apagar as faltas? 

Neste trecho da mensagem confirma-se a nossa opinião de que setenta vezes sete vezes tem o sentido de não limitado. Em continuidade há uma expressão aqui que merece ser comentada: ”o esquecimento de si mesmo”. Aqui está um dos maiores obstáculos para não perdoar. Lembrar-se a si mesmo ou de si mesmo significa ter em mente a nossa pretensa importância e acreditando nisto, julgamos uma ousadia o que disse ou fez contra nós e por isso não o perdoamos. O esquecer-se de si mesmo tem o sentido de ser mais humilde até mesmo ao ponto de admitir que nós merecemos as palavras que o outro disse ou a coisa que ele fez, assim, é mais fácil perdoá-lo.

Um outro argumento é o da ingratidão. Deus nos perdoa todos os das e até esmo todas as horas e, quando chega a vez de perdoar o nosso irmão, fechamos o coração e dizemos, do alto de nossa arrogância: o que fulano fez comigo não tem perdão.

Prestai, pois, ouvidos a essa resposta de Jesus e, como Pedro, aplicai-a a vós mesmos. Perdoai, usai de indulgência, sede caridosos, generosos, pródigos até de vosso amor. Dai que o Senhor vos restituirá; perdoai que o Senhor vos perdoará; abaixai-vos que os senhor vos erguerá, humilhai-vos que o Senhor vos fará sentar a sua direita.

Ide meus bem-amados, estudai e comentai estas palavras que vos dirijo da parte dAquele que do alto dos esplendores celestes, vos tem sempre sob as suas vistas e prossegue com amor na tarefa ingrata a que deu começo a dezoito séculos. Perdoai o vosso irmão como precisais que se vos perdoe. Seus atos, pessoalmente, vos prejudicaram mais um motivo aí tendes para serdes indulgentes, porquanto o mérito do perdão é proporcional à gravidade do mal. Nenhum merecimento teríeis em relevar os agravos de vossos irmãos desde que não passem de simples arranhões.

Este discurso parece ter um caráter geral e se dirige aos espíritas e aos não espíritas. Por que ele foi feito com tamanha ênfase? Há cerca de dois mil anos Jesus esteve na Terra e nos pediu a mesma coisa que esse espírito, no século XIX, nos pediu e até hoje, já no século XXI não o conseguimos realizar. Este comportamento, entretanto, possui um caráter de urgência. Estamos perto de mudança radicais e consideráveis em nosso planeta e aquele que não seguiu, ainda que minimamente aquilo que Jesus nos pediu, poderá estar entre o joio que será queimado na fogueira da dor em planetas menos evoluídos. Assim, de nosso ponto de vista, o que motivou este discurso forte foi a pena que Simeão sentia de nós.

Em um segundo momento, Simeão se dirige aos espíritas diretamente, exigindo de nos a necessidade de perdoar, e disse isto porque somos filiados à terceira revelação preparada carinhosamente no plano espiritual e fomos municiados com informações novas sobre as coisas espirituais. Assim, no mais do que qualquer outra religião temos o dever de estar entre aqueles de quem diz Simeão, no fim de sua mensagem: que podem, todas as noites adormecer, dizendo: nada tenho contra o meu próximo.

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