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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2016
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Certa feita na reunião mediúnica, como sempre ocorre no atendimento aos desencarnados sofredores, o espírito ligado ao médium agonizava pela sensação reincidente do suicídio que sofrera, gritando e gemendo pela dor mental lancinante a lhe torturar. O esclarecedor, sabiamente, com sua fala mansa, diz àquela alma sofredora: “O desespero não é bom amigo”.

Realmente, o desespero não é um bom amigo. Em hora nenhuma. A palavra desespero remete à ausência de esperança, aquela condição na qual não enxergamos a saída e, fugindo de toda a racionalidade e serenidade, buscamos a saída pelo suicídio, pelo crime, pela violência. Buscamos a solução criando mais problemas!

Nos vemos, quando desesperados, em uma fria e escura caixa, na qual sem indícios de melhora (apenas de piora), somos visitados pelo mau amigo que não nos traz soluções, apenas agravando a nossa condição, por nos roubar a calma que permite enxergar a fresta de luz. O desespero é amigo do desânimo, do desgaste e da desarmonia. Não desenrola, só enrola mais a nossa situação.

Uma palavra amiga? Uma palestra edificante? Repensar a situação em outro prisma? Fácil falar quando não estamos desesperados, mas a verdade é que sem intervenção externa, quando de processos agudos, o desespero não é tão fácil de ser superado. Como um curto-circuito generalizado em nós, nos agita, como mecanismo de defesa, mas não nos prepara para os problemas da vida moderna, de resolução não pela força, mas pela sabedoria.

Surgindo de mansinho ou de supetão, causas externas se combinam a condições internas e a pessoa fica transtornada, sem encontrar a solução, necessitando de um bom amigo, encarnado ou desencarnado, para que o desespero seja superado. Mais do que dividir os problemas e ouvir, precisa a pessoa de um amigo que a ajude a divisar soluções, reconstruindo o que houve e enxergando o que pode ser feito.

Os Salmos bíblicos dizem que “Na minha angústia clamei ao SENHOR, e me ouviu”. Deus nos ouve e nos vê, e nos ampara no limite de nossas forças e a prece sincera e a atividade religiosa apresentam-se como um bom instrumento para domesticar o mau amigo, pois na fé encontramos combustível para a esperança, e quando raciocinada, temos uma visão maior que nos permite entender e agir. 

Diante de grandes obstáculos, pessoais ou coletivos, nos quais a esperança não nos permite enxergar mais além, não deixemos adentrar ao nosso coração o mau amigo que é o desespero. Destrutivo, agrava os problemas e não nos permite a sabedoria de quem sabe esperar e agir. Que a chama da fé ilumine nessa hora a caixa escura que estivermos imersos, mostrando que os problemas por vezes são menores do que aparentam.

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