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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2016
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Vamos falar aqui neste capítulo sobre a indulgência, o sentimento que nos faz compreender as dificuldades de nosso próximo.

Tenho um amigo, hoje desencarnado, que era nada indulgente. Costumava dizer: “detesto gente burra, para mim as pessoas limitadas Deus as devia matar e o diabo enterrar”. Achava que todos os professores da nossa universidade deveriam fazer outra coisa pois não passavam de nulidades pedagógicas.

Era assim para com quase todas as coisas e pessoas. E o interessante é que esse meu amigo não primava pela perfeição muito pelo contrário era uma pessoa com graves limitações, só que não possuía a suficiente autocrítica para perceber as suas próprias deficiências. 

José, um espírito protetor que se comunicou também em Bordéus em 1862, chamou a indulgência de um sentimento doce e fraternal que todos os homens deveriam alimentar com respeito a seus irmãos, entretanto, diz o espírito, este sentimento é muito pouco cultivado na Terra.

Explicado em que sentido devemos entender a indulgência escreveu este espírito:

A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os a fim de que se não o tornem conhecidos senão dela unicamente, e se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com a aparência de atenuar-lhe a falta, mas a evidencia com pérfida atenção. 1

Em sua excelente mensagem, José nos lembra que a pessoa indulgente jamais se ocupa   com os maus atos alheios a não ser que seja para alguma ajuda e, neste caso, age com o cuidado de atenuar, tanto quanto possível a forma de auxílio. Que o auxiliado jamais se sinta envergonhado ou humilhado pela ajuda que recebe.

O homem indulgente evita sempre fazer observações chocantes que signifiquem desapreço pelo próximo, não censura pessoa alguma. Se vê que algo não vai bem na conduta alheia, busca dar conselhos, mas sem demonstrar superioridade sobre o aconselhado, assumindo ares superiores de mestre ou guru. Quando aconselha, tem o cuidado de fazer isso em particular nunca em público.

Evita criticar, julgar ou condenar a conduta de uma pessoa porque sabe que também ele possui imperfeições, às vezes maiores que aquelas que observa no outro. Antes de corrigir alguém, primeiro se corrige.

Há aqui uma história acontecida com Mahatma Gandhi que vale a pena trazer como exemplo do que estamos escrevendo. Vamos conhecê-la.

Certo dia, uma senhora inglesa chegou a Gandhi e lhe disse:

  • Senhor, tenho um filho que muito o admira apesar de ser ainda pequeno.
  • Fico feliz com esta consideração de seu menino. Disse Gandhi.
  • Esse meu filho, porém, tem um problema.
  • E qual é o problema dele?
  • Ele gosta muito de comer açúcar. Se continuar assim, por certo vai perder os dentes, que ficarão cheios de cárie. Eu estou cansada de pedir a ele que modere o consumo de açúcar. Então, eu imaginei que uma pessoa como o Senhor, a quem ele admira muito, se o aconselhasse, talvez ele atendesse. O Senhor faria isso por mim?
  • Sim, mas não agora. Volte daqui a vinte dias.

A mulher achou aquilo estranho, mas foi embora e voltou com o filho vinte dias depois. Então Gandhi conversou longamente com o menino, que lhe prometeu diminuir a quantidade de açúcar que ingeria. A mulher ficou satisfeita, contudo, muito curiosa perguntou a Gandhi:

  • Senhor, por que me pediu vinte dias para aconselhar meu filho?
  • Porque faz vinte dias que eu parei de comer açúcar.

Esta, por certo, é uma atitude própria de um grande espírito como era Gandhi. Como podemos aconselhar alguém a deixar um hábito que nós ainda cultuamos? Que moral tem um pai que fuma ou que bebe para aconselhar seu filho a não fumam nem beber? Por certo nenhuma. Não podemos em nossa vida continuar com o pensamento imoral: Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Em matéria de educação a maior pregação é o exemplo. Voltemos, porém ao texto de José, o espírito benfeitor.

José insiste na necessidade de que travemos uma luta acirrada contra as nossas más tendências antes de sermos intolerantes com o comportamento do outro. Esta afirmação lembra e não pouco a passagem evangélica sobre a trave no olho. Vejamos como o irmão José termina a sua comunicação:

Sede, pois, severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os pensamentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes faltas que censurais, ou condena o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós que clamais em altas vozes: Anátema! Tereis quiçá cometido algo mais grave. 

Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue ao passo que o rigor desanima, afasta, irrita. 2


1 O Evangelho Segundo o Espiritismo pag.177

2 O Evangelho Segundo o Espiritismo

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