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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2016

Sobre o autor

Melissa Santos

Melissa Santos

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Correio Espírita faz uma entrevista especial com o diretor do filme

Foi um longo caminho até o filme “Deixe-me Viver” chegar aos cinemas do Brasil, no último dia 13 de outubro. O longa-metragem, baseado no livro de mesmo nome, de Luiz Sérgio, psicografia de Irene Pacheco Machado, traz para as telonas dois aspectos muito importantes: a Doutrina Espírita e a temática do aborto. A ideia de fazer um filme do livro foi de Glóvis Vieira, diretor cinematográfico, que deu uma entrevista especial para o Correio Espírita.

Desde 2000, ele prepara o projeto com todo o carinho e atenção. Glóvis também foi o roteirista do longa. Foram 16 anos até ver o trabalho concretizado: “eu li o livro umas 6 vezes e depois fiz várias consultas. É um filme feito para espíritas e simpatizantes da Doutrina. O primeiro que mostra duas cenas de reencarnação!”, contou o diretor, que ainda esclareceu: “não pude colocar tudo o que tem no livro por causa do tempo do filme. Me concentrei muito na questão do aborto, nos problemas e consequências deste ato. Mas também busquei amenizar os diálogos mais dramáticos contidos no livro, pois algumas descrições poderiam chocar no filme. Passamos a mensagem sem agredir o público”.

Mas para aqueles que gostam de rir um pouco nos cinemas, uma boa notícia: Deixe-me Viver não é só drama: “eu mantive o humor do Luiz Sérgio (Espírito), pois ele é muito engraçado. Eu acho que a fórmula foi bem dosada”, explicou Glóvis.

Na página do filme no facebook (https://www.facebook.com/deixemeviverdeluizsergiofilme) não faltam elogios. Só o trailer oficial, no YouTube ( https://goo.gl/oAEzlI), teve mais de 500 mil acessos. Até o dia 24 de outubro, o longa estava sendo exibido em 15 cidades do Brasil. A meta do diretor é que chegue a 150 salas: “as distribuidoras de filmes ficaram reticentes por causa da temática do aborto. Então, nós tivemos que correr atrás de tudo sozinhos. Ligando e pedindo aos cinemas do Brasil para exibir o filme. Já temos inclusive pedidos de outros países, como Portugal e México, para a exibição dele”, contou-nos o diretor, que falou também: “o filme mostra muito a questão do resgate e isso mexe com as emoções. As pessoas saem emocionadas e reflexivas. A atuação dos atores também está sendo muito elogiada”.

O longa conta com muitos apoios, mas nenhum patrocínio. Desde o início, Glóvis teve apenas a ajuda dos amigos e de Deus: “vendi meus quadros, cotas do filme, pedi dinheiro emprestado... Demoramos 3 anos gravando, porque só filmávamos quando tínhamos dinheiro. É muito caro fazer um filme. Nós ainda estamos com dívidas”, revelou o diretor que também passou por outras dificuldades neste período, como um infarto.

Mas nada desanimou Glóvis. Com o longa Deixe-Me Viver, ele espera despertar consciências: “já tive relatos de pessoas que desistiram de fazer o aborto só de ver o trailer. O efeito é muito parecido com o do livro. Eu espero sensibilizar todos para essa causa. O aborto é um dos processos mais abomináveis feitos pelo homem.”

Glóvis Vieira é espírita desde criança e isso também o ajudou na roteirização do longa: “minha casa, nos anos 60, era um centro espírita. Eu cresci com toda essa base espiritual. E eu tenho desdobramentos conscientes, o que me possibilitou recriar os ambientes citados no livro”, revelou. O diretor contou também que tudo foi feito aqui mesmo, no Brasil, inclusive a trilha sonora e os efeitos especiais. O sonho dele agora é com a renda deste filme, quitar as dívidas e juntar recursos para fazer outro, uma continuação: “os principais pontos da Doutrina Espírita estão lá no filme. Eu criei cenas de imersão, para que as pessoas entrem como participantes. Faço um apelo para que todos vão assistir ao filme e ajudem o cinema espírita no Brasil”, suplicou Glóvis.

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Movimento nacional da cidadania pela vida - Brasil sem aborto – Brasil sem aborto - Apoia o filme Deixe-me viver

O aborto ainda é um tema muito polêmico. Mas nós, espíritas, temos que ter a consciência de que esta prática não é Cristã. Em O Livro dos Espíritos, a questão 344 nos explica que a vida começa no útero: “desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito que então solta anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.” Os Espíritos deixam claro também que o aborto é um crime: “uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, porque impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando” (questão 358 de OLE).

O Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, que levanta a bandeira de conscientização pela causa, aprova o filme Deixe-me Viver. A ONG, que não é espírita e nem ligada a qualquer tipo de partido político ou religião, sabe da importância de se abordar o tema de forma clara e assim tentar reduzir o número de vidas ceifadas ainda no útero: “estamos vivendo mais um momento de impasse, em que o Supremo Tribunal Federal deve julgar a possibilidade de aborto em caso de contaminação da gestante pelo zika vírus, mesmo antes do diagnóstico de microcefalia (o que só é possível no final da gravidez). Existe uma grande pressão de movimentos sociais, mídia e organismos internacionais para a legalização do aborto no Brasil, por ser um país de destaque na América Latina. Nesse momento e cada vez mais, iniciativas em favor da vida, tais como um filme, são muito importantes”, disse João Menezes - secretário de comunicação do Movimento. Ele aproveitou também para convidar a todos para o próximo evento, no ano que vem: “nossas principais ferramentas são a informação e a mobilização da sociedade, através de debates, abaixo-assinados, palestras em escolas de ensino médio e universidades. A propósito, aproveitamos a oportunidade para convidar para a nossa 5ª Marcha pela Vida do Rio de Janeiro, dia 7 de maio de 2017, a partir das 14h na Praia de Copacabana.”

Nós, do Correio Espírita, também dizemos não ao aborto e apoiamos todas as causas e obras que ajudem na conscientização do direito à vida.

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