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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2016
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  1. Qual a importância psicológica da infância?

A infância reveste-se de profundo significado psicológico, porquanto é nessa fase da vida que a personalidade em formação dá os seus primeiros passos. Conforme nos recorda Joanna de Ângelis, o ser humano “dispõe de um largo período de infância – o mais longo entre todos os animais – a fim de que se fixem os fatores que se irão transformar em condições próprias da existência corporal 1.”

Esse aprendizado da infância inicia-se antes mesmo do berço, quando o feto participa das vibrações do ambiente, e especialmente da estrutura emocional da mãe, em maior grau, e do pai e/ou responsáveis por sua educação. Sendo harmônica e equilibrada a vivência nesse período, a criança terá maiores resistências para lidar com os desafios existenciais. Quando em desarmonia, matrizes perturbadoras e conflitivas poderão ser geradas, criando áreas de fragilidade em torno da personalidade.

Por toda sua importância, esse período deve ser muito bem acompanhado por pais e educadores, e a estrutura familiar deverá pautar-se em valores morais e relacionamentos saudáveis, permitindo o amplo desenvolvimento das faculdades desse ser que inicia nova peregrinação reencarnatória, tendo por meta a plenitude.

  1. Poderia nos dizer a visão espirita da infância?

A importância da infância não passou despercebida por Allan Kardec e pelos Benfeitores espirituais, e n ’ O Livro dos Espíri ­ tos encontramos:

- Q.383 – “Qual, para este (o Espírito), a utilidade de passar pelo estado de infância? – Encarnando, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo”.

E sendo mais acessível às impressões que recebe, quanto mais essas sejam harmônicas e salutares, melhor será o aprendizado do Espírito. Quando o nosso olhar se amplia, a partir da visão espiritual da vida, nos damos conta que, antes mesmo da fecundação, o Espírito muitas vezes participa da vivência no ambiente onde fará o seu aprendizado familiar. Infelizmente nem sempre a gestação é aguardada de forma amorosa e receptiva pelos pais, o que pode gerar áreas de insegurança na psique, porquanto o apoio afetivo é de fundamental importância.

O Espiritismo corrobora a visão de Carl Gustav Jung e de Platão, dentre outros filósofos e pensadores, de que a criança não é uma Tabula Rasa , ou seja, uma folha em branco a ser preenchida. Traz consigo, em seu inconsciente, conteúdos de outras existências, características próprias a serem aprimoradas, assim como valores a serem desenvolvidos. Ademais, o “esquecimento do passado” e o aspecto de inocência de que a criança se reveste favorecem a construção de laços afetivos mais profundos, para que possa aparar as arestas do passado, equacionar conflitos vivenciados em existências pretéritas, assim como ampliar o campo de aprendizado com as novas conquistas da humanidade, visando o despertar da consciência.

  1. Por que, atualmente, encontramos tantas crianças apresentando problemas de comportamento como de desordem de hiperatividade?

Na análise que nos apresenta Joanna de Ângelis2 , a ansiedade da era moderna, aliada aos comportamentos agressivos, das lutas que se estabelecem interna e externamente, influenciam o ser desde o feto, fazendo com que o ser em formação sofra as consequências dessa desarmonia. Ademais, prossegue: “O estresse derivado da ansiedade materna, o desgosto pela gesta­ção, a preocupação exagerada em cercar de artefatos eletrônicos e futi­lidades o filho em desenvolvimento, as inquietações durante a gestação, a conduta mental instável e irritadiça, as contrariedades contínuas são assimiladas pelo Espírito, em evolução no corpo, gerando esses distúr ­ bios que se tornam pandêmicos”.

Não se pode desconsiderar, também, a herança espiritual daqueles que reencarnam, influenciando em sua estrutura fisiológica e emocional e colocando-o no meio adequado para que o aprendizado da reencarnação se faça condizente com suas necessidades evolutivas.

O crescente número de diagnósticos de hiperatividade deve servir, adicionalmente, como alerta à humanidade de que os valores que estamos construindo enquanto sociedade devem ser revistos, a fim de que não negligenciemos o desenvolvimento interno, emocional, psíquico e espiritual, criando bases para uma nova era, que necessita de seres comprometidos com o próprio desenvolvimento e com a ética profunda para poder se sustentar.

1 O Despertar do Espírito. Leal Editora.

2 Espelhos da alma: uma jornada terapêutica. Leal Editora, 2014

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