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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2016
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“Então, trouxeram-lhe criancinhas para que impusesse as mãos e orasse, mas os discípulos repreenderam eles. Jesus, porém, disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais. Pois delas é reino dos Céus”. (Mateus 19:13 e 14)

A narrativa evangélica acima é carreada de um simbolismo que até os tempos atuais gera dificuldades em sua compreensão. O que pretendia o Doce Rabi da Galileia com este ensinamento. Por que usar a imagem da criança como simbolismo de pureza?

A simplicidade e inocência das criancinhas

Para ajudar na compreensão das interrogações propostas acima, narraremos fato vivenciado em passado não muito distante. Certa feita, levei sobrinho de nove anos à praça de lazer próxima à residência. Chegando lá, encontramos outro grupo de crianças da mesma faixa etária disputando amistosa partida de futebol. Meu sobrinho chegou e foi logo se “enturmando” e sendo aceito pelas demais crianças sem maiores cerimônias, como se fossem velhos conhecidos. Outras crianças foram chegando e se juntando ao grupo e aquela reduzida quadra de futebol ficou menor ainda tendo em vista o número de crianças que ali estavam. Entretanto, nada que ofuscasse a alegria das mesmas naquela tarde. Organizaram-se de forma simples, dividindo o espaço, sem exacerbação de orgulho, vaidade ou egoísmo. Compartilharam momentos alegres e salutares entre si, sem se conhecerem. Nenhuma fez uso de privilégios por ter chegado primeiro, ser o dono da bola ou ser mais forte fisicamente.

Não ocorreram brigas, tampouco discussões. Ao observar aquela cena, recordei o ensinamento do Mestre, verificando que aquele era um exemplo dado por aquelas criancinhas de simplicidade, pureza de coração, humildade e acima de tudo de convivência fraterna. Amigo leitor, não é isso que esperamos de uma sociedade mais justa? Não será assim o Reino dos Céus que devemos implantar na Terra, sem ódio, egoísmo, ganância e disputas pueris?

Narra Emmanuel comentando o Evangelho de Lucas que “A ingenuidade dos pensamentos e a meiguice dos modos dão à criança os traços da virgindade sentimental necessária ao espírito para galgar os estágios superiores da evolução. Eis, porque, o Senhor, com muita propriedade, elegeu na infância o símbolo da pureza indispensável à sustentação do ser na Vida maior”. Assim o estado angelical da infância, desprovida de paixões e vícios, se assemelha ao estágio do espírito evoluído.

A necessidade de educação moral para as crianças

Allan Kardec em A Gênese , capítulo XVIII, itens 27 e seguintes, A Geração Nova , nos informa da reencarnação de espíritos com certo grau de conhecimento intelectual e moral que ajudarão na regeneração do planeta. Entretanto, narra o insigne codificador que esta geração “Não se comporá exclusivamente de espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração”. A atualidade da informação do codificador é atestada nos dias presentes.

Muitos exemplos de crianças predispostas ao bem circulam nas redes sociais. Entretanto, é importante frisar que muitos pais estão mais preocupados com o sucesso material (beleza, dons artísticos e esportivos e escolaridade) dos filhos do que com a parte moral. Priorizamos mais que nossos filhos sejam bem-sucedidos profissionalmente, que nos orgulhem, do que formar “bons” caráteres. Informa Joanna de Angelis em o livro Lampadário Espírita, que a educação nem sempre fará tudo pelo filhinho, mas que ele estará preparado para experiências futuras, não nos sendo lícito deixar de iluminar com “as claridades do amor à verdade, ao bem e à justiça, em nome do Supremo Amor”.

Assim importantíssima a educação das crianças em todos os sentidos, principalmente em moralidade. Emmanuel em seu comentário ao Evangelho de Lucas informa que “A recuperação da mente infantil para o equilíbrio da vida planetária é trabalho urgente e inadiável, que devemos executar, se nos propomos alcançar o porvir com a verdadeira regeneração”. Relegamos a educação dos filhos a terceiros, tendo em vista a necessidade crescente em substituir carinho, atenção e educação das crianças por objetos. A necessidade de matrícula nas evangelizações das casas espíritas e também da evangelização dos pais, pois um “cego não pode guiar outro cego”. Importante também, amigo leitor, nós os adultos educarmos através do exemplo. Esta é a melhor pedagogia para com os menores, pois eles nos observam em tudo.

Narra Emmanuel em o livro Pensamento e Vida, que o coração de uma criança é urna preciosa a incorporar-nos os reflexos e o cérebro é como uma lente fotográfica “representada na mente infantil por espelho renovado em que se conjugam visão e observação, atenção e meditação por lentes da alma, absorvendo os reflexos das mentes que a rodeiam e fixando-os em si própria, como elementos básicos de conduta”.

De forma objetiva a criança assimila muito mais nossos atos do que nossas palavras. É assim que toda criança, entregue à nossa guarda, devemos desde cedo, através dos nossos exemplos, traçar-lhe noções de justiça, trabalho, fraternidade e ordem, habituando-a à disciplina e ao exercício do bem, acolhendo-a com muito amor, sem furtar-lhe o período da infância.

Notas bibliográficas

- KARDEC, Allan, 1804-1869. A Gênese / Allan Kardec; tradução de Guillon Ribeiro. – 2. ed. Especial. – 2. Imp – Rio de Janeiro: FEB, 2011.

FRANCO, Divaldo Pereira. Lampadário Espírita. Cap. 17. Perante a Prole. 8 ed. / Pelo Espírito Joanna de Ângelis [psicografado por] Divaldo Pereira Franco. Salvador: FEB, 2008.

- Dias, Haroldo Dutra. Mateus, capítulo 19, O Novo Testamento /tradução de Haroldo Dutra Dias. – 1. Ed. 2. Imp. – Brasília: FEB, 2013.

- Emmanuel (Espírito). Pensamento e Vida. Cap. 13 / pelo Espírito Emmanuel; [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. – 19. ed. – 1. Imp. – Rio de Janeiro: FEB, 2013.

- Emmanuel (Espírito). O Evangelho Por Emmanuel – Comentários Ao Evangelho Segundo Lucas. p. 261 – Sejamos Simples / pelo Espírito Emmanuel; [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. – 1. ed. – 2. Imp. – Rio de Janeiro: FEB, 2016.

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