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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2016
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       Já ouvi alguém dizer coisas como: a Vingança é um prato que se come frio. Comigo é: bateu, levou.  Hei de ver o fulano pagar tudo aquilo que me fez e outras expressões semelhantes. Ao desejo bárbaro de vingança Jesus opõe a necessidade de perdão e esquecimento das ofensas sofridas. Se insistirmos na ideia de não perdoar e de acalentar, em nosso íntimo, o desejo de vingança, não avançaremos em uma encarnação e jogamos fora a oportunidade que Deus nos deu de progredir espiritualmente através de uma encarnação. Um espírito que se comunicou em Paris no ano de 1862, por nome Jules Olivier, nos adverte a esse respeito:

       A vingança é um dos últimos remanescentes dos costumes bárbaros que tendem a desaparecer dentre os homens. É, com o duelo, um dos derradeiros vestígios dos hábitos selvagens sob cujos guantes se debatia a Humanidade, no começo da era cristã, razão por que a vingança constitui indício certo do estado de atraso dos homens que a ela se entregam e dos Espíritos que ainda as inspirem. Portanto, meus amigos, nunca esse sentimento deve fazer vibrar o coração de quem quer que se diga e se proclame espírita. Vingar-se é, bem o sabeis, tão contrário àquela prescrição do Cristo: perdoais aos vossos inimigos que aquele que se nega a perdoar não somente não é espírita como também não é cristão.1

       Lembra Olivier aquele que se entrega ao desejo de vingança se vale de dois comportamentos: quando é mais forte que o seu oponente o enfrenta frente a frente e o esmaga valendo-se das armas que possui. Isto é muito comum nos casso em que uma mulher está separada do marido e não mais querendo voltar para ele, associa-se a outro homem. O marido, tomado pelo ódio mata-a a tiros ou a facadas. Em algum caso, a vingança se faz muito mais cruel e o homem derrama ácido no rosto da mulher que não mais o quer, provocando-lhe lesões irreversíveis.

       Quando o vingador é mais fraco, este assume aparência hipócritas, ocultando nas profundezas de seu coração os seus maus sentimentos à espera o momento adequado para dar o bote definitivo. Oculta-se nas sombras, tocaia-se, cria odiosas armadilhas contra seu inimigo. Derrama, sorrateiramente, veneno no copo de sua vítima e quando é covarde em demasia contrata um assassino de aluguel para realizar o ato perverso.

       Quando o ódio não é tão grande ou a covardia é ainda maior do que o sentimento antagônico, em vez de atacar o inimigo fisicamente ataca-lhe a honra e nas afeições. Com habilidade e dissimulação, espalha mentiras a respeito de seu inimigo na tentativa de minar-lhe a credibilidade, e hoje com a internet, esta prática se tornou muito mais assíduo e eficiente na maldade.

De todos os modos o sentimento de vingança é um sentimento mesquinho e perigoso, portanto tolerância zero para com ele caso ele mostre ainda que disfarçado pelas roupas heroicas do sentimento de honra. Gostaria de lembrar que a noção de honra é uma abstração que não possui o menor sentido ou tem o sentido que a ele se der. O que é a honra? Em que consiste concretamente tal coisa? Não sabemos com certeza. Vamos recordar aqui que Jesus Cristo, o mais evoluído dentre os espíritos que estiveram entre nós, morreu crucificado e a crucificação era tida como morte desonrosa.


1 O Evangelho Segundo o Espiritismo XII p.203

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