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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2017

Sobre o autor

Saulo de Tarso

Saulo de Tarso

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Em memória de Gerson Simões Monteiro

 

Saulo de Tarso

Colaboração Luismar Ornelas de Lima

 

Na  mediunidade  estudada à luz da  Doutrina Espírita , a  psicometria  é uma variedade da psicoscopia, isto é, uma faculdade que tem o  médium  de estabelecer contato com toda a vida psíquica de alguém,  coisa  ou  ambiente , podendo perscrutar o passado, presente e o futuro. O médium localiza no tempo e no espaço o objeto de suas perquirições, seguindo-o por uma espécie de "rastreamento" psíquico. (1)

Segundo a terminologia usada na Psicologia experimental, psicometria significa  registro, apreciação da ativi ­ dade intelectual , entretanto, nos trabalhos mediúnicos, essa pa ­ lavra designa a faculdade de ler impressões e recordações ao contato de ob ­ jetos comuns. Foi o que se deu com André Luiz que, em determinado museu, tocou um curioso relógio, que estava aureo ­ lado por luminosa faixa branquicenta. Feito isso, apareceu aos seus olhos mentais linda reu ­ nião familiar, em que venerando casal se entretinha a pales ­ trar com quatro jovens em pleno viço primaveril. André pôde examinar o recinto agradável e digno e os detalhes do mobiliário, que imprimia sobriedade e nobreza ao conjunto, enfeitado por jarrões de flores e telas valiosas. (2)

A psicometria hoje está muito presente nos filmes de Hollywood e para a grande maioria por falta de conhecimento passa-se como “uma mentira”. Citando apenas um exemplo hollywoodiano, assistindo ao filme Star Wars – O Despertar da Força, há uma cena que retrata exatamente o fenômeno da psicometria. A personagem Rey, nessa cena, é levada até um local secreto e nele havia um baú, que guardava o sabre de luz do jedi Luke Skywalker. Quando ela toca no objeto, instantaneamente, começa a ter as visões detalhadas de momentos vividos pelo seu antigo dono do sabre.        

No dia 09 de dezembro do ano passado, Adriano Calsone, pesquisador espírita de São Paulo, esteve na Rádio Rio de Janeiro em companhia da confreira Nadja do Couto Valle, a fim de gravar programas para o lançamento da biografia espírita, intitulada Madame Kardec, cuja autoria é o próprio Calsone.

Ao final das gravações, Calsone foi convidado a conhecer as dependências da Rádio, pois era a sua primeira visita.

Passaram por várias salas e departamentos até que chegaram na sala da diretoria, espaço de trabalho de Gerson Simões Monteiro.

        Através de sua mediunidade, sentiu que o ambiente resplandecia vibrações salutares, provindas da grande mesa e cadeira que Gerson utilizava diariamente antes de se hospitalizar.

        Sendo médium ostensivo, deu vazão à sua mente e pediu autorização a professora Nadja para psicometrar objetos daquela sala.

        Em momento de oração íntima, sua atenção foi direcionada para uma pedra oval que estava em cima da mesa, talvez para segurar papéis. Respeitando o ambiente e o espaço do nobre diretor, com a pedra na mão direita, entrou em concentração profunda – sem qualquer necessidade de transe mediúnico. Rapidamente, em seu campo psíquico, surgiram vivas imagens maravilhosas de sua vida projetadas, se transformando em movimento vivo como num curioso “filme biográfico”, por falta de melhor descrição do termo.

        O espectro do diretor que Calsone não conhecia, surgia em sua mente envolto em luz indescritível: personalidade ora agitada, ora preocupada com os destinos da Rádio, especialmente com a programação espírita veiculada no momento e aquela que seria apresentada no futuro.

        Calsone afirmou ao Correio Espírita que o seu espectro não era propriamente o seu períspirito ali presente, mas, sim, a projeção de sua “vida psíquica” trazida pelos mecanismos da psicometria. Porém, havia em seus pensamentos ocupados uma preocupação maior com os ouvidos dos ouvintes, ou seja, a qualidade do conteúdo espírita a ser propagado e mantido pela precursora Rádio Rio de Janeiro.

Ainda com a pedra na mão, apresentava-se ali, atrás daquela grande mesa, um senhor Gerson feliz, realizado com suas lides espíritas, muitíssimo articulado (gesticulando muito), resolvendo rotinas de pautas com colaboradores, orientando funcionários sobre as burocracias do dia a dia, ao mesmo tempo em que atendia ligações telefônicas. Tudo, tudo realizado com muita experiência, atenção e sensibilidade incontestes. 

Para Calsone, médium de psicometria, o acontecimento lhe deixou duas constatações importantes: a de que o senhor Gerson Simões Monteiro foi na Terra (e continuará sendo no astral) nobre tarefeiro em prol da divulgação do Espiritismo. Sim, um incansável trabalhador espírita em Cristo! E a outra constatação é a de que deixamos o nosso “rastro” no mundo, no local onde trabalhamos, em casa, entre amigos, familiares etc. Em verdade, a nossa “memória psíquica” não se apaga, permanece imantada na matéria, nos ambientes, na atmosfera e também nas pessoas. Consequentemente, ela “denuncia” as nossas ações ou atitudes, seja para o bem, seja para o mal. Isso nos faz refletir sobre o que, efetivamente, estamos plantando em nosso entorno: trabalho participativo no bem? Amor e cuidado com o próximo? Ou estamos plantando as trevas? Afinal, o que desejamos deixar de nós mesmos no mundo? Memórias psíquicas de ódio ou de amor?

Finalizou Calsone falando que a psicometria nos traz a oportunidade de auscultarmos coração e consciência, permitindo, por exemplo, nos espelharmos nesse grandioso trabalho do confrade Gerson Simões Monteiro, que desencarnou no dia 7 de dezembro de 2016 –  dois dias antes da nossa psicometria em sua sala – iluminada pela sua própria luz. “Que Deus o tenha em sua Morada Maior!"

 

> Notas bibliográficas

> (1) Ernesto Bozzano   – Enigmas da Psicometria , 1949

(2) Nos Domínios da mediunidade , Cap. 26 págs. 241 e 242 - André Luiz – psicografia Francisco C. Xav ier

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