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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2017
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        O sábio e amoroso apóstolo Pedro exortou-nos: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1). Este mesmo Ser, de alta envergadura espiritual, vestindo a personalidade de Salomão (2), afirmou: O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões” (3).

        Não sabemos quais os caminhos que trilhamos em nossa vida de Espírito. Quando muito, às vezes, temos uma nesga de recordação do passado através do sonho; temos sutis demonstrações intuitivas em nossa vida de relação ou em alguns locais e situações em que se nos deparam fatos e feitos que nos ligam ao passado delituoso. “A faculdade de recordar é o agente que nos premia ou nos pune, ante os acertos e os desacertos da rota” (4).

        Por não “enxergarmos” o nosso passado e termos a certeza de que vivemos “aos trancos e barrancos”, caindo e levantando, em busca de nós mesmos, precisamos amar como base para nossa regeneração espiritual; amar mesmo, sem subterfúgios, como nos diz Maria Dolores, a poetisa da espiritualidade: “amar sem reclamar amor” (5).

        O insigne Allan Kardec assim se expressou: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar as suas inclinações más” (6).

        O esforço é o nosso poder de decisão, é a nossa vontade em ação, é o querer, ensinado por Jesus, em todos os momentos de Sua estada entre nós. Quando o pai do menino possesso lhe perguntou: — “Se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos”.

Jesus lhe respondeu: — Tu dizes, se podes! Tudo é possível ao que crê” (7).

        Crer é ter a certeza de que podemos fazer o que decidirmos. Tudo é possível. O impossível só existe no dicionário.

O Espírito Humberto de Campos, em 23 de agosto de 1935, através da psicografia sublimada de Chico Xavier, escreveu: “A decifração dos enigmas das nossas existências está em nós mesmos. Apesar do destino inflexível, há uma força em nós que independe, como origem de todas as nossas ações e pensamentos. Somos obreiros da trama caprichosa das nossas próprias vidas. As mãos que hoje cortam as felicidades alheias, amanhã se recolherão como galhos ressequidos nas frondes verdes da Vida. As iniquidades de um Herodes podem desaparecer sob o manto de renúncias de um Vicente de Paulo” (8). 

O sábio e bondoso Espírito Emmanuel, recordando seu passado delituoso e seu momento de transformação, conta sobre sua entrevista com Jesus, às margens do lago Tiberíades, quando Jesus lhe disse:

            “ — Depois de longos anos de desvio do bom caminho, pelo sendal dos erros clamorosos, encontras, hoje, um ponto de referência para a regeneração de toda a tua vida.

        Está, porém, no teu querer o aproveitá-lo agora, ou daqui a alguns milênios. Se o desdobramento da vida humana está subordinado às circunstâncias, és obrigado a considerar que elas existem de toda a natureza, cumprindo às criaturas a obrigação de exercitar o poder da vontade e do sentimento, buscando aproximar seus destinos das correntes do bem e do amor aos semelhantes.

        Soa para teu espírito, neste momento, um minuto glorioso, se conseguires utilizar tua liberdade para que seja ele, em teu coração, doravante, um cântico de amor e de fé, na hora indeterminável da redenção, dentro da eternidade.

        Mas, ninguém poderá agir contra a tua própria consciência, se quiseres desprezar indefinidamente este minuto glorioso!”

E Emmanuel lamenta não ter aproveitado aquele minuto transformador, na esteira do tempo: “mas o meu coração empedernido, não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida de Espírito, há dois mil anos” (9).

Naquela mesma existência, porém, o senador Públius Lêntulus Cornélius percebeu a oportunidade áurea perdida, e iniciou uma nova caminhada, agora, acrescida de todas as dificuldades e obstáculos naturais que lhe seriam evitados, caso tivesse aceito o sublime convite.

Esse venerando Espírito lutou, sofreu, suou, chorou, reencarnando diversas vezes, mas sempre sob o comando de Jesus, amando, compreendendo, tolerando as imperfeições dos outros, sem tolerar as suas, exigindo sempre mais de si, em direção ao bem, fortificando a vontade, perdoando sempre, sem jamais vacilar, galgando o patamar espiritual elevado com que hoje o distinguimos.

E, posteriormente, Emmanuel, através do saudoso Chico Xavier, a maior antena psíquica do planeta, enalteceu o amor: “O amor é o laço que reúne as almas nas alegrias da liberdade, o ódio é a algema dos forçados, que os prende reciprocamente no cárcere da desventura” (10).

        Assim fizeram os grandes vultos do passado: redimiram-se através do esforço hercúleo, sem titubear, sem olhar para trás, sabendo que a dor é a benigna companheira que nos reconduz aos caminhos do amor, dos quais nos afastamos, vivendo, durante longo tempo, às margens da lei de Deus que está “escrita na nossa consciência” (11).

A nossa oportunidade é áurea. Nosso tempo também é glorioso. Vamos apanhar o nosso arado e seguir em frente, resolutos, sem olhar para trás (12).

Muita paz!        

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> Notas bibliográficas:

> 1 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – I Pedro, 4,8.

> 2 –   Universo e Vida – Áureo – 1ª edição, 1978 – Pág. 33 – Feb.

> 3 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Provérbios, 10, 12.

> 4 – Religião dos Espíritos – Emmanuel –   Francisco C. Xavier – Memória além-túmulo – Feb.

> 5 – Antologia da Espiritualidade – Maria Dolores – Francisco C. Xavier – Mas rogo-te Senhor. Feb.

> 6 – O Evangelho Segundo o Espiritismo –   Cap. XVII – Sede Perfeitos – Allan Kardec – Feb.

> 7 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Marcos, 9, 22 e 23.

> 8 – Crônicas de Além-Túmulo – Francisco C. Xavier – Humberto de Campos – Lição 11- Feb.

> 9 – Há 2000 Anos – Emmanuel – Francisco C. Xavier – Prefácio e capítulo V – Feb.

> 10 – O Consolador – Emmanuel – Francisco C. Xavier – Questão 158 – Feb.

> 11 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – questão 621 – Feb.

> 12 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Lucas, 9, 62.

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