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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2017
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Apóstolo João Evangelista em sua primeira carta faz a seguinte recomendação: meus bem-amados, não creiais em qualquer espírito; experimentais se os espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo1.

Entre alguns espíritas, infelizmente, existe uma ideia de que os espíritos desencarnados sempre dizem a verdade em suas mensagens e, talvez, por isso, em geral, as obras psicografadas vendam bem mais do que as obras escritas por encarnado. Esta é uma atitude que merece grave reflexão. O próprio Allan Kardec lembrava que seria melhor rejeitar 99 mensagens verdadeiras a aceitar uma que fosse falsa.

Já dissemos isso, mas não custa repetir: a morte não nos torna melhores nem mais sábios. Passamos para o outro lado da vida no estado evolutivo que nos encontrávamos antes do fenômeno do desenlace. Sendo assim, uma mensagem psicografada e outra resultado do estudo e da pesquisa de um encarnado pode ter o mesmo valor. Lá como cá existem falsários, vigaristas e enganadores fraudulentos assim como espíritos honestos e sérios. Compete a nós fazer uma distinção nos dois tipos de mensagem, qual é a verdadeira e qual é a falsa.

O texto de João faz referência a um personagem chamado de falso profeta e que seria um falso profeta. Por este termo vamos entender um espírito encarnado e voltado para o mal, contudo, por meio de sofismas, mentiras e fantasias variadas parecem salvadores, guias e instrutores da melhor qualidade. Podemos citar como exemplo Marshalll Applewhite, o líder do Portão do Céu que vimos no capítulo passado, o tristemente famoso Jim Jones que produziu outro suicídio em massa, desta vez nas Guianas, e muitos outros exemplos de lobos que nos aparecem em pele de cordeiro como diz o ditado popular.

Allan Kardec nos diz que em O Evangelho Segundo O Espiritismo que a nossa doutrina longe de abonarem os falsos Cristo e os falsos profetas, como algumas pessoas gostam de dizer, desferem neles golpe mortal. O Codificador pede que não esperemos da parte da Doutrina Espírita coisas maravilhosas e sobrenaturais, nem prodígios nem milagres, pois não é para isto que o Espiritismo existe.

Do mesmo modo que as ciências naturais como a Biologia, a Química e a Física, a Geologia tem revelado aos homens as leis do mundo natural, o Espiritismo revela outras leis que regem as relações entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual, leis que, do mesmo modo das leis cientificas, também são leis naturais.

Assim, o Espiritismo conseguindo explicar certos tipos de fenômenos até então inesplicados e incompreendidos, destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso, do mágico e do mítico. Deste modo, se alguém tentasse, em proveito próprio, usar os fenômenos, fazendo-se passar por messias de Deus, por iluminado ou por profeta, não conseguiria abusar da credulidade alheia por muito tempo e seria logo desmascarado.

É importante acentuar aqui que as mensagens em si mesmas servem para muito pouco, o que importa são os efeitos morais, o que não e fácil para qualquer um conseguir. Essa é uma questão de fundamental importância: a relevância moral das mensagens e a coerências de quem as emite. O falso profeta pode nos enganar com as suas palavras, mas dificilmente nos enganará com as suas ações.

Kardec continua nos advertindo referindo-se a um grupo de falsos Cristos e falsos profetas que não se encontram entre os homens, mas entre os desencarnados. No mundo espiritual, como já o dissemos antes, há personalidades hipócritas, enganadoras, orgulhosos e pseudo-sábios que passaram da Terra para a erraticidade onde tomam nomes veneráveis e, sob este disfarce, difundem as mais absurdas e descabidas ideias.

 

Tratando deste assunto, escreveu Allan Kardec:

Antes que se conhecessem as relações mediúnicas, eles atuavam de maneira menos ostensiva. Pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou falante. É considerável o número dos que, em diversas épocas, mas, sobretudo, nesses últimos tempos, se hão apresentado como alguns dos antigos profetas, como O Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus. S. João adverte os homens contra eles, dizendo: “Meus bem-amados não acrediteis todo Espírito; mas experimentais se os espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas têm se levantado no mundo”. O Espiritismo nos faculta os meios de experimentá-los, apontando os caracteres pelos quase se reconhecem os bons espíritos. É à maneira de se distinguir dos maus os bons espíritos que, principalmente, podem aplicar-se esta frase de Jesus: Pelo fruto é que se conhece a qualidade das árvores, uma árvore boa não pode produzir maus frutos e uma arvore má não pode produzir bons frutos. Julga-se um espírito pela qualidade de suas obras, como uma árvore pela qualidade de seus frutos.2


1 João Primeira Carta. Cao. V. v. 1

2 O Evangelho Segundo o Espiritismo Cap. XXI p.322

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