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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2017
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A mediunidade se apresenta de diversas formas nos templos e expressões religiosas que se apresentam. Exorcismos, giras, rodas de fogo, cromoterapias... as múltiplas denominações, esotéricas, evangélicas, afro-brasileiras, orientais, todas têm suas formas de interação com o transcendente, e amargam os dissabores comuns a essas ações.

Para se fazer uso dessas potencialidades, como qualquer ação humana, faz-se necessário compreender o fenômeno, seus mecanismos. Necessita-se de conhecimento acumulado que permita, de alguma forma, tirar o melhor daquela relação, evitando fracassos e problemas de toda ordem. Mediunidade não é uma coisa simples...

Em suma, necessitamos de saberes sobre a mediunidade para lidar com ela. Mas, onde encontrá-los? Seriam em livros ditos sagrados, de caráter religioso, ou em ações mais voltadas à pesquisa, à descrição, à sistematização? Que tipo de literatura serve melhor aquele que labuta no campo mediúnico, independente de sua vinculação religiosa?

Um certo homem, um pedagogo francês do Século XIX, lançou um livro visando atender a essa demanda. No início desse livro, ele diz: “Ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo”, indicando tratar-se de um manual, um guia prático voltado àqueles que se aventurassem à atuação mediúnica, tratada aqui como prática do espiritismo.

Além de O livro do Médiuns, de Allan Kardec, pode-se destacar outra obra excelsa nesse sentido, o livro de Hermínio de Miranda chamado Diálogo com as Sombras, descrito pelo autor como “teoria e prática da doutrinação”, e que na verdade consolida a experiência desse pesquisador na participação em reuniões mediúnicas de doutrinação (ou esclarecimento) de espíritos sofredores.

Podemos citar outros, sob pena de esquecer algum relevante, como Obsessão/Desobsessão, de Suely Caldas Schubert; Obsessão, do espírito André Luís; e ainda, Diário de um Doutrinador, de Luiz Gonzaga Pinheiro. Ainda que não seja um ramo da produção literária espírita hegemônico (infelizmente), tem-se grandes obras produzidas por estudiosos da prática mediúnica nas casas espíritas.

Não é por outro motivo que nas casas chamadas de espiritualistas, organizações esotéricas ou de matriz afro-brasileira, as publicações dessas vertentes acabem por buscar nas obras espíritas parte de suas referências. Encontram-se em suas livrarias obras espíritas, seus seguidores as têm em casa. Compõem estudos e discussões. Seria por que todas essas crenças vão convergir para a doutrina espírita futuramente?

Claro que não. Seria uma presunção muito grande a nossa pensar assim. Não só uma presunção, como uma visão equivocada de Deus, das religiões e da relação com o plano espiritual. Isso se dá pelo fato de nas obras espíritas, como as citadas anteriormente, existir uma sistematização desse conhecimento, pronto, elaborado. Tá tudo pronto ai, é só vir pegar, um conhecimento que serve a todos que estudam e discutem as questões mediúnicas.

Assim, o implícito aspecto científico contido na Doutrina Espírita trouxe, em especial para a prática mediúnica, um conhecimento sistematizado, que faz de parte de sua literatura. Uma produção útil para outras denominações que se defrontam com as questões da mediunidade, nos trazendo responsabilidades com o que produzimos, dado que podemos com isso ajudar a muitos a consecução de trabalhos no bem, presentes em todos lugares nos quais dois ou mais estejam reunidos em nome do amor.

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