pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Junho 2017
Compartilhar -

             Convidado pelo Saulo de Tarso F. Netto para escrever neste jornal, que merece admiração por ser independente, aqui estou embalado pela fagueira esperança de não desagradar a maioria dos leitores, com minha absoluta fidelidade à obra de Allan Kardec.

             Tal postura ideológica já me custou muitas dificuldades e desgostos com a imprensa espírita, controlada pelas instituições dirigentes do nosso movimento doutrinário, contudo dela não me arrependo porque, se fora da caridade não há salvação, fora de Kardec só há confusão...

             Infelizmente no Brasil, onde o Espiritismo ressuscitou depois de um enterro de terceira classe em solo francês, o nome do codificador da filosofia que abraçamos é bastante exaltado em prosa e verso, mas os seus preciosos ensinamentos são esquecidos, razão porque esta coluna está sendo feita para recordá-los.

             A memória fraca, dispersiva, da maior parte dos nossos irmãos de crença (todos bem-intencionados, reconheçamos com justiça, porém nem sempre bem orientados), gerou nos últimos tempos em nosso meio esta desastrosa ou pelo menos deplorável divisão:

            De um lado temos os companheiros místicos, querendo que o Espiritismo seja só religião, e do outro defrontamos os confrades intelectualistas, desejando que ele seja apenas ciência.

            

             É evidente que os dois grupos opositores extremados laboram em erro, pois à luz da Codificação kardequiana nossa doutrina é uma filosofia que tem bases científicas e consequências religiosas indissociáveis. A visão do tríplice aspecto do Espiritismo, que neste país herdamos da lucidez de um Carlos Imbassahy, de um Deolindo Amorim, de um Herculano Pires, parece jogada quase completamente na lata de lixo do desprezo pelas novas gerações de companheiros, uns religiosos fanáticos, outros totalmente laicos, ambos incapazes de compreender o imperativo de integrarmos o pensamento lógico ao sentimento amoroso, construindo assim uma fé raciocinada ou um raciocínio crente em Deus e nos valores morais cristãos.

Como resultado disso tudo vemos vicejando no ambiente dos Centros espíritas uma série de tabus, que a partir do próximo escrito irei analisar criticamente sem atacar ninguém, pessoas ou instituições, já que meu objetivo é só prestar esclarecimentos a quem quiser aproveitá-los.

Já selecionei para abordar as seguintes tolices consagradas em nosso movimento doutrinário atual, frutos não da árvore do Kardercismo e sim de sementes plantadas por guias de médiuns brasileiros ainda simpáticos ao catolicismo:

           

           1 – Crianças não devem assistir a sessões espíritas;          

           2 – Para ministrar passe é preciso fazer curso;            

           3 – Em reuniões mediúnicas não se deve permitir a presença de pessoas estranhas;

           4 – A evocação de espíritos é condenável, pois “o telefone toca só de um lado”;

           5 – “A época do fenômeno mediúnico já passou”;

           6 – “Devemos ver somente das coisas boas”;

           7 – Mediunidade a gente desenvolve “dando sopa para os pobres”;

           8 – Ninguém precisa procurar saber se é médium. “Quando a mediunidade existe aflora espontaneamente”;

           9 – Trabalhos mediúnicos somente nos Centros espíritas devem ser realizados.

          10 – Precisamos ter muito cuidado para não sermos vítimas dos maus espíritos.

          Bom, como o presente texto pode não ter atingido sua finalidade, mas atingiu a dimensão que deveria ter, vou ficando por aqui pedindo desculpas pelo mau jeito e prometendo, solenemente, que na próxima edição deste jornal iniciarei a dissecação, com o bisturi da lógica kardequiana, dos retrocitados tabus, superlativamente prejudiciais à satisfatória propagação da nossa doutrina.

     

(*) Nazareno Tourinho, parceiro do Dr. Carlos Imbassahy na obra O Poder Fantástico Da Mente, editada há cinquenta anos, em 1967, é um velho autor espírita cujos últimos livros foram publicados e estão sendo distribuídos pela Editora LACHÂTRE (Instituto Lachâtre – Caixa Postal 164 – CEP 12914-970 – Bragança Paulista – SP – Telefone: (11) 4063-5354 – Site: www.lachatre.org.br – E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.).

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado