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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2017
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A presença de crianças em sessões espíritas representa um mal para elas?

– Sim, é lógico!

Assim respondem alguns dirigentes dos nossos Centros ainda capazes de realizar trabalhos mediúnicos, remando contra a maré doutrinária dominante, pois a maioria deles deixou de lado essa coisa antiga acreditando que “a época do fenômeno já passou”, dedicando-se agora apenas a atividades de benemerência social, estudos sistematizados e palestras sobre moral cristã.

Perguntamos, com todo respeito aos confrades que pensam de tal maneira, intelectualistas ou evangélicos:

– Que lógica?

– É correto considerarmos todas as crianças igualmente imaturas, sem levar em conta suas peculiares características psicológicas? Todas elas se igualam ou assemelham como pequenos robôs fabricados em série? Algumas, mesmo antes da pré-adolescência, não se destacam das outras revelando surpreendente lucidez e impressionante equilíbrio emocional? Em suma, as crianças não são espíritos reencarnados em níveis de evolução diversos?

– Ademais, nos tempos modernos, as crianças, tidas no passado como sujeitas a traumas assistindo à manifestação de espíritos turbulentos, não se acham modernamente acostumados a ver em casa, diante da televisão e do computador, cenas chocantes, mais impressionáveis do que as passíveis de ocorrer em qualquer trabalho mediúnico?

Ora, todos nós sabemos que atualmente, após os seis ou sete anos de idade, as crianças inocentes, tolas, frágeis, ingênuas, constituem minoria. E além daquelas que se parecem com os adultos há, ainda, as superdotadas, em termos intelectivos e sentimentais, às vezes, embora raramente, quase possuindo o talento de Mozart, que compôs uma ópera aos oito anos, ou de Pascal, que com doze descobriu a geometria plana.

Sabemos também que na infância a mediunidade aflora com maior frequência, e não desconhecemos que numerosas crianças são vitimadas pela ação de espíritos malévolos, seus inimigos de vidas passadas ou perseguidores de seus pais. Essas crianças não podem dormir direito nem estudar satisfatoriamente, queixam-se de pesadelos ou de enxergar vultos ameaçadores e, o que se afigura ainda mais grave, e preocupante, vez por outra se comportam de maneira absolutamente estranha, inexplicável.

Quando nos pedem para socorrer tais crianças qual deve ser a nossa atitude, no caso delas já terem transitado sem obter melhora por terapia médica e psicológica?

Encaminhá-las apenas para um serviço de passe ou para aulas na escolinha de Evangelho?

Por que não assumirmos o seu tratamento espiritual sem nada prometer e muito menos garantir, acolhendo-as em nossos trabalhos mediúnicos de cura e desobsessão?

Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, admitindo a inconveniência e o perigo de desenvolver a mediunidade de crianças, oferta-nos estes esclarecimentos no Capítulo XVIII, Item 221, alíneas 7ª e 8ª:

“Há, no entanto, crianças que são médiuns naturalmente, quer de efeitos físicos, que de escrita e de visões. Apresenta isto o mesmo inconveniente?

“Não; quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que sua constituição se presta a isso. O mesmo não acontece, quando é provocada e sobre-excitada. Nota que a criança, que tem visões, geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. Mais tarde, o fato lhe volta à memória e ela o explica facilmente, se conhece o Espiritismo.

“Em que idade se pode ocupar, sem inconvenientes, de mediunidade?

“Não há idade precisa, tudo depende inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas”.

Parece que por hoje basta. No próximo escrito trataremos do assunto apoiando-nos não só em ideias, e sim principalmente em fatos. 

 

(*) Nazareno Tourinho, parceiro do Dr. Carlos Imbassahy na obra O Poder Fantástico da Mente, editada há cinquenta anos, em 1967, é um velho autor espírita cujos últimos livros foram publicados e estão sendo distribuídos pela Editora LACHÂTRE (Instituto Lachâtre – Caixa Postal 164 – CEP 12914-970 – Bragança Paulista – SP Telefone: (11) 4063-5354 – Site: www.lachatre.org.br – E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.).

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