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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2017

Sobre o autor

Fátima Moura

Fátima Moura

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"A liberdade é filha da fraternidade e da igualdade. Os homens que vivam como irmãos, com direitos iguais, animados do sentimento de benevolência recíproca, praticarão entre si a justiça, não procurarão causar danos uns aos outros e nada, por conseguinte, terão que temer uns dos outros. A liberdade nenhum perigo oferecerá, porque ninguém pensará em abusar dela em prejuízo de seus semelhantes..." - Allan Kardec

 

Li na Internet um texto que me levou a profundas reflexões. Foi assinado pela estimada educadora Dora Incontri e nele, a companheira aborda um grave problema que é que a desumanização das instituições espíritas.

Dora fez a seguinte reflexão movida pelo incidente ocorrido na Federação Espírita do Estado de São Paulo, FEESP. Segundo a autora, um companheiro ficou desaparecido por mais de 48 horas e a última notícia que se tinha dele era de que ele estava na FEESP. A família, depois de algumas horas do desaparecimento, desesperada, procurou a instituição e, pelo que narraram, não foi acolhida, não lhe foram fornecidas as gravações das câmeras e ninguém procurou pelo desaparecido. Apenas 48 horas depois, receberam da própria FEESP um telefonema dizendo que o corpo tinha sido encontrado no banheiro, vitimado por um infarto. Ninguém se dispôs a procurar pelo homem que ficou à mercê do esquecimento e quando foi encontrado, já não foi possível se fazer um velório, dado ao adiantado estado de putrefação que se encontrava o corpo.

Ainda segundo a autora, esse movimento reflete um cenário do mundo pós-moderno, hipercapitalista, em que o ser humano está cada vez mais perdendo as referências de ser humano.

Ao ler o artigo, que muito me entristeceu, me obrigo a concordar com a companheira de ideal e me atrevo a lembrar, que o problema não se restringe somente às Casas Espíritas mas a sociedade em geral.

Lembro-me de fato inusitado que ocorreu comigo nos idos de 1980. Entrando num ônibus para o trabalho, ao cumprimentar a trocadora, com o meu habitual “Bom dia!”, a mulher desabou num choro convulsivo e me disse que naquele dia, milhares de pessoas haviam passado por ela e só eu havia lhe desejado um bom dia. Extremamente emocionada, a senhora não conseguiu parar de chorar até o final da viagem e não se cansou de me agradecer pelo bem e pela alegria que eu lhe havia proporcionado naquele dia.

Conhecido companheiro das lides educacionais, desenvolvendo sua tese de mestrado, fez uma pesquisa de campo ressaltando o sentimento de invisibilidade enfrentado por pessoas que exercem profissões subalternas aos olhos a sociedade, assim como lixeiros, faxineiros ou guardadores de automóveis em estacionamentos coletivos e o resultado foi alarmante. A grande maioria dos entrevistados sentia-se invisível aos olhos de todos e não eram cumprimentados pelas pessoas que transitavam entre eles e os julgavam inferiores.

A verdade é que na sociedade atual, não só nas Casas Espíritas, a impessoalidade é presença marcante entre nós. Pessoas passam umas pelas outras, sem se darem conta do quanto precisamos uns dos outros.

No caso das Casas Espíritas, observamos com tristeza que há centros que viraram Igrejas, frequentados por verdadeiras multidões. O sentimento de fraternidade há muito se perdeu e muitos irmãos se mostram preocupados apenas com o poder que advém de cargos de destaque ou com exposições desnecessárias na mídia, fato totalmente contrário ao que nos foi trazido por Allan Kardec através do mundo espiritual.

Jovem, fiquemos atentos a esse fato! É no cultivo do sentimento de fraternidade que poderemos destruir o egoísmo que ainda habita em nós e conseguiremos seguir confiantes em busca de um caminho de regeneração! Pensemos nisso!

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