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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2017
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A História da Humanidade, numa sintética, mas preciosa obra ditada pelo Espírito Emmanuel ao querido e saudoso médium Francisco Cândido Xavier, nos mostra que o homem vem de forma insistente retardando sua evolução espiritual, apesar da convivência com grandes mensageiros da Espiritualidade Maior que aqui estiveram.

Dentre todos esses grandes Espíritos, Jesus, nosso modelo e guia, deixou-nos um Manual de Conduta nos mostrando como viver melhor, como vivermos em paz. Ao contrário, ao invés da reflexão necessária, buscando entender e praticar Seus ensinamentos, o deturpamos ao longo desses dois milênios e, como dizia Chico: "os homens desejam a paz, mas não buscam as coisas que trazem a paz". Temos repetido os erros a cada nova experiência na Terra.

As frequentes barbáries, das quais temos conhecimento através da literatura, de documentos e "recordações", nos lembram um passado que queremos esquecer. Entretanto, somos escravos deste pretérito, pois somos partícipes desta história.

E hoje, mais civilizados, muitos já não fazem mais as guerras como antigamente, mas continuam guerreando com palavras e com polêmicas.

A discussão quando visa o entendimento é instrumento saudável de aprendizado. A polêmica, entretanto, que também seria algo necessário para o avanço do conhecimento, tem se transformado em instrumento de divisão em nosso movimento espírita, atendendo não sei a quais interesses. 

Uma das polêmicas crescentes no movimento espírita, aqui no Brasil, tem sido: Chico foi ou não Kardec?

Eu, com o objetivo de acalmar, buscar esclarecer e dar minhas conclusões, fui pesquisar na literatura, na internet e em outros meios, o que dizem e pensam vários espíritas, sobre este assunto: Chico Xavier ser ou não ser a reencarnação de Allan Kardec. E dentre os muitos confrades e confreiras, repetimos, vou citar três deles cujas opiniões me convenceram de que KARDEC E CHICO não são o mesmo espírito. São eles: Divaldo Pereira Franco, José Raul Teixeira e a saudosa Zilda Gama, desencarnada em 1969.

Estes nossos irmãos, mensageiros da Espiritualidade Maior, pessoas que dignificam o Espiritismo, pelos exemplos de vidas, pelo grande legado que deixam para a posteridade, mas acima de tudo pela coerência e prática da Doutrina Espírita registraram suas opiniões:

 

Divaldo Franco em entrevista ao repórter José Raimundo da Rede Globo de Televisão, há pouco mais de três anos, perguntado sobre se procedia o comentário existente de que Chico seria uma reencarnação de Allan Kardec, respondeu: Há essa teoria, que ele desmentiu várias vezes. A mim próprio, em intimidade, ele me narrou algumas experiências anteriores, algumas reencarnações que nada tem a ver com Allan Kardec (https://youtu.be/9hKgZU1lbcw).

Raul Teixeira, disse em entrevista ao Jornal de Espiritismo da ADEP (Portugal), quando do 6º Congresso Espírita Mundial, em Valência, Espanha, em outubro de 2010, respondendo à pergunta: Por que é que há tanto mistério em torno de Allan Kardec? Nas Obras Póstumas, que não faz parte da codificação, diz que ele voltaria para completar a sua obra. Uns dizem que o Allan Kardec poderia ter sido o Chico, outros dizem que podia ser o Divaldo Franco porque tem todo o perfil de educador, outros dizem que podia ser o Raul, outros dizem que ele estará no mundo espiritual, se está por que é que ele não se comunica, se ele se comunica, se usa pseudônimos ou não usa, por que tanto mistério quando as coisas são tão simples? Existem nessas suas abordagens, respondeu Raul, algumas questões equivocadas. Há muitos anos, Chico Xavier disse-me, pessoalmente, numa conversa que tivemos em Uberaba, que a mensagem mais autêntica de Allan Kardec que ele tinha lido, tinha sido recebida (nós dizemos divulgada) pela médium brasileira D. Zilda Gama, professora, que se achava num livro chamado Diário dos Invisíveis. Eu procurei esse livro, que está esgotado, encontrei-o e estava lá a mensagem de Allan Kardec. Depois disso, nós tivemos uma mensagem de Allan Kardec recebida por vários médiuns na França, no Brasil. Como é que nós podemos dizer que o Chico Xavier é Allan Kardec se ele dizia que a D. Zilda Gama recebera a mais autêntica mensagem? Se enquanto Chico estava encarnado outros médiuns receberam mensagens de Allan  Kardec? http://artigosespiritaslucas.blogspot.com.br/2011/01/raul-teixeira-chico-xavier-nao-foi.html

Allan Kardec e Chico Xavier dois missionários do Cristo

A partir da segunda metade do século XX e na década de 1980, de forma mais intensa, muitos espíritas começaram a afirmar ser Chico Xavier a reencarnação de Allan Kardec. Contrária a esta corrente, na qual me incluo, há aqueles que através de opiniões divulgadas na internet, em artigos, teses e livros, vêm procurando mostrar as diferenças entre ambas as personalidades.

Os primeiros, baseiam-se seu entendimento no livro Obras Póstumas, onde Allan Kardec, em nota ao diálogo mantido com o Espírito da Verdade, supõe reencarnar-se no final do século XIX ou princípio do XX. Também o Espírito Zéfiro, fala de seu retorno à carne, na mesma obra.

Ao analisarmos a personalidade de cada um dos dois grandes missionários de Jesus, vemos uma total dessemelhança entre ambos. Enquanto Kardec – o codificador da Doutrina Espírita anunciado em reunião na Espiritualidade Superior, com a participação de diversos paladinos da História da Humanidade (desencarnados e encarnados), como o apóstolo da fé, que, sob a égide do Cristo, descerraria para a Terra atormentada trazendo um novo ciclo de conhecimento... conforme mensagem "Kardec e Napoleão", do Irmão X, contida no livro Cartas e Crônicas, por muitos conhecida – tinha em sua personalidade, acima de tudo, a qualidade de grande educador, atributo necessário à missão que lhe foi confiada. 

Chico Xavier, outro grande missionário, nosso apóstolo da mediunidade e da fé, que nos fez lembrar os antigos profetas, veio de forma humilíssima exercer sua missão mediúnica sob a égide de Jesus e, por isso mesmo, foi por Ele recebido ao desencarnar, conforme informações da Veneranda Joanna de Ângelis. Disse-lhe Jesus: – Descansa, por um pouco, meu filho, a fim de esqueceres as tristezas da Terra e desfrutares das inefáveis alegrias do reino dos Céus.

Allan Kardec, ao longo da existência de Chico Xavier, mandou várias mensagens da espiritualidade nos mais diversos lugares, algumas publicadas na Revista Espírita e dentre estas entendemos que a mencionada a seguir é de fato a mais importante.


A prova esclarecedora e definitiva:

Mensagem na Revista Espírita e publicada na obra Diário dos Invisíveis

 

Zilda Gama, médium por muitos citada, todavia pouco lida, nos deixou uma coletânea de romances cuja leitura recomendamos, é a autora da obra Diário dos Invisíveis, publicada em 1929 e cuja mensagem é citada por Chico Xavier à Raul Teixeira. O texto transcrito na íntegra, é uma prova esclarecedora e definitiva de que Kardec e Chico são dois espíritos distintos, pois à época que foi ditada – 30 de março de 1924 – o codificador encontrava-se no plano espiritual e Chico Xavier, já encarnado, contava com 14 anos, incompletos.

Comunicação de Allan Kardec em 30 de março de 1924, confiada à La Revue Spirite pelos Anais do Espiritismo de Rocheford-Sur-Mer (França). N.º de julho de 1924.

"Outrora os espíritas podiam ser contados nos dedos. Escarneciam e praguejavam contra aqueles que se interessavam por essa Ciência; esses tais eram tidos por malucos e evitados com cautela; mas, hoje, vai-se fazendo luz intensa sobre o Espiritismo, porque os sábios o explicam e procuram a realidade dos fatos. Eu não disse na minha vida terrestre, que o Espiritismo havia de ser cientifico ou morreria?

E a ciência vai pouco a pouco homologando os fenômenos espíritas.

Para muita gente, nós o sabemos, esses fenômenos continuam ainda incompreensíveis, porque não se pode explicar e analisar a força que os produz, mas dia virá em que os sábios à descobrirão e provarão que, se a matéria compõe nosso corpo, existe também no ser humano uma coisa mais sutil que anima esse corpo: a alma imortal!

Com grande alegria vejo um raio luminoso aclarando alguns sábios que tendo a princípio repelido os fatos com desdém, observando-os depois com atenção, vão reconhecendo a sua realidade.

Direi, portanto, aos que ainda não compreendem o Espiritismo: estudai, observai, mas não o aceiteis senão com a vossa razão e com a ciência; é por atenção acurada na observação dos fenômenos que chega a concluir: Cela est! 

Aqueles que nos fatos espíritas só vêm ilusão e crendices da parte dos médiuns que nós animamos, estão em erro, podem também estar de má fé.

Se há médiuns mais preocupados de seus interesses que da verdade, também os há, e em maior número, que são sinceros e desinteressados e são na realidade uma força psíquica poderosa, capaz de ajudar os Espíritos a produzir fenômenos; esses são para nós preciosos auxiliares que nos permitirão atingir o triunfo de nossa obra de Luz.

Que Deus abençoe esse trabalho dos Espíritos, que vai crescendo de dia para dia neste planeta, para maior bem da humanidade. Quanto a mim, a minha missão espiritual está cumprida em parte, e dentro de alguns anos tornarei a reencarnar-me entre vós, amigos; e muitas pessoas jovens, que aqui se acham presentes, poderão reconhecer-me então pela minha obra de Espiritismo.

Essa missão terrestre eu a aceitarei com jubilo por amor de meus irmãos da Terra; e para bem a desempenhar meu espírito está se instruindo, está se iluminando nestas maravilhas estupendas e sem limites, onde há tanto que observar.

Eu estou aí haurindo poderosas forças espirituais para voltar ao serviço do progresso da humanidade terrestre, para afirmar a meus irmãos a realidade e a beleza desta vida do espírito no Espaço.

Sim, eu voltarei para trabalhar neste planeta onde lutei e sofri, mas estarei com o espírito mais forte, mais generoso, mais elevado, para aí fazer reinar mais fraternidade, mais justiça, mais paz".

Mensagem publicada no Prelúdio XIII do livro Diário dos Invisíveis, editado pela Empresa Typographica Editora "O Pensamento", em 1929, cujo texto tem a tradução de Porphyrio Ramos, de Rio Novo, a 27-9-1924 (Minas Gerais).

É importante deixar claro que esta mensagem foi ditada por Allan Kardec três dias antes de Chico Xavier completar 14 anos.

Léon Denis, na introdução da obra No Invisível escreveu: O Espiritismo será o que dele fizerem os homens".

E eu, encerrando este artigo, afirmo que não vim botar lenha na fogueira, até porque no final ela, também, vai acabar virando cinzas! 

 

A Revista Espírita

La Revue Spirite, após a desencarnação de Allan Kardec continuou sendo editada, sendo estes alguns dos responsáveis: de abril de 1869 a 1870 – viúva Kardec (Amélie-Gabrielle Boudet), A. Desliens; de 1871 a 1874 – Pierre-Gaëtan Leymarie; e na época que esta mensagem foi publicada, Jean Meyer, que a dirigiu de 1923 a 1930.

Nota da redação

Os links referente as entrevistas de Divaldo Franco e Raul Teixeira estão disponíveis no site do Correio Espírita – categorias - entrevistas. Também disponível no site a mensagem original de Allan Kardec – categorias - internacional.

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