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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2017
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“Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? Ou lhe dará uma cobra, se este lhe pedir um peixe? Ora, se vós que sois maus sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedem!” (Mateus 7: 9-11)

 

A passagem acima é intitulada em o Evangelho de Mateus Eficácia da Oração. Nela Jesus retrata a eficácia da prece através dos três imperativos “Pedi e vos será dado, Buscai e acharei, Batei e vos será aberto”. O Doce Rabi da Galileia sempre se refere a Deus como Pai, retratando na passagem acima como deve ser nossa relação com Deus, nosso Pai. Traça uma analogia nos esclarecendo que sendo Deus nosso Pai e perfeito, Ele sempre nos atende e nos fornece aquilo que é o melhor para nós. Importante frisar que nem sempre Deus nos atenderá naquilo que pedimos e sim naquilo que efetivamente necessitamos. O benfeitor espiritual Emmanuel, em o livro Pão Nosso, nos esclarece que é licito orar e pedir a Deus o que se necessita, entretanto, informa o benfeitor que é preciso identificar nossas verdadeiras necessidades para saber pedir e fazer com que conseguir aquilo que pedimos.

 

Os Atributos da Divindade

Em O Livro dos Espíritos, na questão nº 01, Allan Kardec indaga aos benfeitores espirituais: “O que é Deus? Respondem que Deus é infinita bondade e suprema inteligência, causa primária de todas as coisas. A reflexão e compreensão sobre esta resposta é de suma importância em nossa existência. A relação humana com Deus requer a compreensão de seus atributos, se não, vamos aproximar o sentido de Deus com o do homem. O homem erra, comete equívocos, falha, se vinga, sente ódio, entre outras paixões. Deus soberanamente bom e justo, está muito acima destas conclusões. Como os próprios benfeitores espirituais nos afirmam em O Livro dos Espíritos (questão 10) nos falta sentido para compreender a natureza Divina.

Assim, quando achamos que Deus nos esqueceu, que não somos filhos Dele ou que Ele nos autoriza a combater o mal com o próprio mal, é porque estamos longe de compreendê-lo e muito mais em senti-lo. Voltando a resposta da questão nº 1, ela é absoluta: tudo o que nos acontece é por permissão de Deus e é o melhor que pode nos acontecer. A doença, a perda de entes amados, a dificuldade financeira, o parente difícil, o chefe autoritário, enfim todas as provas e expiações pelas quais estamos mergulhados nesta vida, constituem dádiva de Deus para o nosso equilíbrio com a Lei Divina.

Nem sempre assim entendemos, muito pelo contrário, ao sinal da primeira dificuldade perguntamos a Deus: “Por que comigo?”, “O que fiz para merecer isso?” ou melhor afirmamos: “Eu não merecia passar por isso”. Em verdade, na medida em que vamos aprofundando o conhecimento e a compreensão dos esclarecimentos da Doutrina Espírita, saímos da posição de vítima e trocamos as reclamações e desolações em direção a Deus, por rogativas e preces para nos amparar diante da prova difícil. Deus é infinitamente bom e justo, assim, não nos dá nada a mais do que nos é necessário e de que possamos dar conta.

 

Nossa relação com Deus

O conferencista espírita Haroldo Dutra Dias, certa feita fez uma analogia interessante na forma de compreensão da nossa relação com Deus. Narrou o insigne expositor que seu filho adoecera e precisou de intervenção médica. Detalhou que a mesma acarretaria dores físicas ao filho, mas que lhe era vital ao tratamento. O filho, ainda uma criança, e no ar de sua inocência e angelitude lhe pergunta: “pai, vai doer?”. Conta Haroldo que com profundo sentimento respondeu ao filho que sim, iria doer, entretanto ele precisaria daquele procedimento para ficar curado. Haroldo informa que neste dia sentiu como Deus age conosco, igual a um pai em relação ao filho, pois muitas vezes nos dá provas e expiações que sabe serem duras e difíceis, que provocarão muitas vezes dores morais e físicas, mas que acima de tudo são vitais ao nosso processo de evolução espiritual.

Como a passagem transcrita acima que nos serviu de inspiração para este artigo, pensamos que nós homens reencarnados, imperfeitos e imaturos que provisoriamente somos, nem sempre cedemos a todos os desejos e caprichos de nossos filhos, pois sabemos que nem tudo é conveniente por uma série de fatores, que vão principalmente da limitação do necessário e do supérfluo. Assim amigo leitor, temos a certeza que Deus é ciente de tudo o que nos acontece, que nos ampara em todos os momentos e só permite que nos ocorra aquilo que realmente é necessário ao nosso aprendizado e amadurecimento espiritual.

 

Notas bibliográficas

- Kardec, Allan, 1804-1869. O Livro dos Espíritos/ Allan Kardec; tradução de Albertina Escudeiro Sêco. – 5. ed. – Rio de Janeiro: CELD, 2011.

- Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada. – 1 Ed. 1 reeimp. – São Paulo: Paulus, 2013.

- Emmanuel (Espírito). Três Imperativos. Pão Nosso/ pelo Espírito Emmanuel; [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. – 29. Ed.– Rio de Janeiro: FEB, 2007.

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