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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2017
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A morte é um cotidiano estranho. Vivemos como se ela não existisse ou só acontecesse na casa do outro, mas quando ela chega à nossa casa e ceifa a vida de um ente querido, nós custamos a nos conformar e não entendemos a justiça de Deus que, às vezes leva alguém cheio de vida com um futuro promissor e deixa um velho que mais nada produz, mata os bons e poupa os maus. Em uma mensagem recebida em Paris, em 1863, Sanson, um antigo membro da Sociedade Espírita de Paris nos vem ensinar sobre este assunto.

Esse espírito diz que o nosso sofrimento perante à morte deriva da nossa visão acanhada da vida espiritual e da obra da Providência Divina. Não podemos imaginar que o Senhor da Vida em sua bondade e sabedoria infinitas se comprouvesse em nos fazer sofrer e agisse conosco como os meninos que brincam com as moscas depois de lhes cortar as asas. Nada disso. Todas as coisas que nos acontecem muitas das quais nos parecem absurdas e injustas têm a sua razão de ser e são justas, nós é que não as compreendemos. Diz o povo em sua sabedoria: Deus, muitas vezes, escreve certos por linhas tortas. Diz o espírito:  nada se faz sem uma finalidade inteligente, seja lá o que for.

Em uma época em que a mortalidade infantil e entre os jovens era muito grande, Sanson, em sua mensagem, faz questão de consolar as mães que perderam seus filhos. Ele começa por argumentar que a morte aos vinte anos, por exemplo, é preferível que os desregramentos vergonhosos que angustiam as famílias e fazem os cabelos dos pais embranquecerem antes do tempo. Diz em seguida que a morte prematura, em alguns casos, é um benefício que deus concede ao espírito que, assim, fica resguardado das misérias desta vida ou das tentações que poderiam causar a sua perdição. Desse modo, Deus, em muitos casos, julga que a vida do encarnado não está sendo útil a ele e que não valeria a pena continuar mais tempo na terra.

Permitam-me contar uma experiência pessoal. Nos anos sessenta, conheci uma família que adotou dois gêmeos de sexo masculino provenientes de um orfanato. Os meninos foram criados com muito amor e carinho, embora a família fosse muito pobre e não lhes pudesse dar conforto material. Aconteceu que um dos meninos, ao crescer e chegar à juventude, tornou-se um desordeiro violento que não aceitava as regras sociais e colocava em risco os membros da própria família. Um dia esse rapaz desapareceu de casa e apareceu, mais tarde, atirado a uma vala morto a pauladas, e até hoje não se sabe o que lhe aconteceu. Acredito que aquele rapaz teve a encarnação cassada para não se perder e se comprometer mais ainda.

Continua Sanson questionando o nosso comportamento perante a morte dos jovens. Diz ele que, muitas vezes, ante o corpo sem vida de um jovem, dizemos: perdemos uma vida tão cheia de esperanças. Muito bem. Mas de que esperanças nós estamos falando, da esperança de que ele seria um homem bem-sucedido, bafejado pela fortuna ou com uma carreira acadêmica brilhante? Esta é uma visão estreita que não se eleva acima das limitações da matéria. Além disso, o que nos garante de que aquele jovem não teria uma vida repleta de dores e amarguras? Em verdade o que chamamos de esperanças nada mais é do que as nossas expectativas e nada mais. Nesse modo de ver, temos a impressão de que as pessoas estão mais interessadas no sucesso material do que nas conquistas espirituais.

Por fim Sansão nos pede que não devemos chorar nem nos desesperar quando Deus leva para o outro mundo um ser amado. O nosso egoísmo parece exigir que a pessoa fique na terra para sofrer conosco. A essa altura, esse espírito nos faz uma exortação no sentido de que tenhamos fé para sofrer menos na hora da separação:

Ah! Essa dor só se concebe naquele que não tem fé, e que vê na morte uma separação eterna, mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor desembaraçada de seu invólucro corporal; mães, vós sabeis que vossos filhos bem-amados estão perto de vós, sim, eles estão bem perto; seus corpos fluídicos vos cercam, seus pensamentos vos protegem, vossas lembranças vos enche de alegrias, mas também as vossas dores sem razão os afligem porque elas denotam falta de fé e porque são uma revolta contra a vontade de Deus. 1


1 Kardec O Evangelho Segundo o Espiritismo cap. V.  21. pg.175

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