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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2018
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Ao nascer recebemos de Deus, nosso criador, parte de sua luz, a centelha divina e, gratos por esta dádiva, nos dirigimos a Ele como o “Senhor da Vida”. Somos, portanto, herdeiros desta Luz maior. Esta centelha é a geradora da luz que anima nossa existência.

Assim, ao nascer, nós que vivíamos em estado de absoluta passividade no ventre materno, nele recebendo toda a proteção e alimentação, ao primeiro contato com o mundo físico, instintivamente, somos convidados a viver, exigindo-nos o próprio esforço. Ou seja, o primeiro gesto na busca desta existência é a conquista de um alimento vital: o oxigênio e, para tal, nosso pulmão, até então inativo, se expande para a vida. Este gesto ativo de respirar consagra a vida. 

Concomitantemente, no ato de respirar experienciamos a primeira manifestação de dor, pela natural expansão abrupta dos alvéolos pulmonares. Neste ponto inauguramos a primeira relação com o mundo que nos cerca através de uma nova manifestação: o choro, esta será a maneira através da qual expressaremos nossas necessidades: a fome, a dor, o aconchego, o medo etc.

Nosso desenvolvimento vai se consolidando, afinal trazemos a força do amor, pois a vida resulta da divina união de dois gametas, o masculino e o feminino, com pujança e vigor, com o resultado exitoso, fruto de um somatório.

No mundo que nos recebe, tudo conspira a nosso favor, o alimento nos é oferecido na boca e regularmente, somos levados no colo, e amparados pelos mais velhos, enfim nenhum outro ser no reino animal necessita tanto tempo para desenvolver suas faculdades básicas: alimentar-se, falar, andar, discernir. Somos únicos.

Nos primeiros tempos de vida somos, em verdade, o centro das atenções, notadamente no núcleo familiar, até que sejamos levados à creche ou mesmo à escola, este valioso instrumento de formação humana, a qual tem como atividade fim, educar, e uma importante atividade meio, qual seja a de socializar. Iniciamos a real integração, enquanto crianças, com nossos pares, ampliando-se sobremaneira nosso universo. Neste momento, passamos a dividir as atenções, o espaço, as necessidades, enfim. Surge um novo ciclo: a cooperação. E quando nos sentimos contrariadas, agredidas ou desatendidas, continuaremos manifestando nossa inconformidade através do choro, agora com requintes, inaugurando a fase da “birra”, percebendo que este artifício incomoda nossos pais, avós, irmãos... E aí seremos, em regra, prontamente atendidas.

Neste momento evolutivo, pode resultar um grave desvio de comportamento. Pela absoluta falta de tempo para um diálogo esclarecedor, os familiares e cuidadores buscam um atalho, qual seja: todos nos atendem, prontamente. Afinal, é mais prático, embora antipedagógico. Aprendemos, intempestivamente, a exigir e ganhar. Todavia, este comportamento implicará em danosas consequências futuras, pela falta de limites.

Com o tempo, a vida de relação com os que nos cercam vai ganhando novos contornos, vamos crescendo, agregando novos sonhos. A família e a escola vão, portanto, constituir elos importantes e indispensáveis à formação de nosso caráter e ao nosso desenvolvimento humano, refletindo-se, especialmente, em nossas atitudes perante nós mesmos e a sociedade. 

Uma certeza nos anima, pela graça do Criador, a evolução humana é inexorável e, amealhando valores, haveremos de enfrentar galhardamente a infância, pré-adolescência, adolescência, chegando à juventude e madureza, colhendo o que semeamos.

E somos, verdadeiramente, o resultado de todas nossas experiências, movidos naturalmente pelo incentivo familiar e escolar para a vitória, para as conquistas, para as realizações. Diante de um quadro de tamanha exigência, efetivamente não somos preparados para a derrota, daí porque ela tanto nos constrange, pois trazemos conosco o compromisso de vencer, num mundo tão competitivo.

E é neste contexto, neste universo de constantes e imperiosos desafios, que deve emergir de nós o compromisso permanente busca e interação com o nosso Criador.

Diante de adversidades, fragilizados pelo insucesso profissional, pela doença, pelas desilusões afetivas, pela desordem familiar, percebe-se, embora tardiamente, que os reais valores da vida são as conquistas interiores, ainda que individuais, resultam de um esforço coletivo, e, que nossos compromissos espirituais são intransferíveis.

É imperioso desenvolver-se a certeza de que, a par do nosso desenvolvimento intelectual, profissional e afetivo, assumimos um compromisso com o Senhor da Vida, em fazer brilhar a nossa luz, a luz espiritual que nos anima, destacando-nos no reino animal, como seres especiais, criados à imagem e semelhança do Pai, únicos detentores de inteligência e consciência, ferramentas indispensáveis à nossa vocação evolutiva.

E a Doutrina Espírita nos convoca a refletir sobre a precedência destes compromissos assumidos em nossa anterioridade espiritual, viajores que somos no tempo e caminheiros da eternidade. É sempre momento de debruçar sobre os conceitos imorredouros de fé e confiança, respeito e disciplina que assumimos, antes de tudo conosco mesmo, na jornada em direção ao aperfeiçoamento.

A doutrina espírita nos convida a atuar de modo efetivo e operoso no bem, não esperemos que os infortúnios nos reconduzam, pela força da dor, às veredas do Senhor. O Mestre solicita nosso concurso, pois a paz é sempre fruto de trabalho e dedicação, não nos percamos, pois, nos desvios e tentações efêmeras, uma vez que o real compromisso do ser humano é com a verdadeira felicidade, construída sob a égide da fraternidade e da solidariedade.

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