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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2018
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De todos os tabus que estão engessando o movimento espírita brasileiro, o mais prejudicial à sua boa marcha, atualmente, o mais deplorável e mais absurdo é o que serve de título ao presente escrito.

A desastrosa novidade entre nós foi implantada gradativamente nos últimos cinquenta anos, graças a médiuns muito dignos, que sob o comando de ex-padres e ex-freiras invisíveis resolveram fundar o Espiritismo Evangélico, como se a obra doutrinária de Allan Kardec não fosse suficientemente cristã.

Ora, ninguém ignora que a filosofia espírita assume inteiramente a moral ensinada por Jesus, nem desconhece que a prática mediúnica sempre foi a alma vitalizadora do nosso movimento ideológico.

Muito menos deixamos de saber que o fenômeno mediúnico, como salientava Kardec reiteradamente, está na lei da Natureza, e a lei da Natureza, diferentemente das leis humanas, nunca cai em exercício findo...

Como então aceitarmos a ideia de que para nós a época do fenômeno já passou, e o importante agora é somente cursos e discursos junto com beneficência social?

Sem intercâmbio com os desencarnados não há nem pode haver Espiritismo, e quem não gostar disso seja coerente e consequente: mude o endereço da sua crença e saia do nosso caminho a fim de não desviá-lo do rumo certo, jogando na lata do lixo a caridade espiritual dos serviços de desobsessão que só nós podemos prestar a muitos sofredores, cujos padecimentos nem sempre são debelados, ou minorados, pela Medicina e pela Psicologia oficiais, materialistas.

No Espiritismo existem dois elementos indissociáveis: a doutrina, que é o mais importante evidentemente, e o fenômeno, que lhe é indispensável até porque se constitui em fonte da doutrina.

São os fatos mediúnicos que legitimam as ideias espíritas, daí porque, na definição de Allan Kardec, em letras maiúsculas, “O ESPIRITISMO É, AO MESMO TEMPO, UMA CIÊNCIA DE OBSERVAÇÃO E UMA DOUTRINA FILOSÓFICA”.

(Preâmbulo do livro O Que é o Espiritismo, de Allan Kardec, página 50 na 24ª edição FEB, de 1994.)

Se despojarmos o Espiritismo do seu aspecto de “ciência de observação”, negando-lhe o conteúdo fenomênico que se expressa na prática mediúnica, estaremos amputando-lhe uma das pernas, que dá equilíbrio no corpo de sua religiosidade, e assim, aleijado, caminhando com a muleta do sectarismo, ele não poderá ir muito longe.

É o que desejam seus inimigos, inclusive os inconscientes e os disfarçados que se encontram em nossas próprias fileiras, inventando com exagerado puritanismo regras complicadas e normas rígidas para a realização, nos Centros espíritas, de trabalhos desobsessivos e de cura, esquecendo que o insuperável codificador do Espiritismo escreveu coisas assim contra a inflexibilidade de tais regras e normas:

“Natural é, entre os que se ocupam do Espiritismo, o desejo de poderem pôr-se em comunicação com os Espíritos”.

(O Livro dos Médiuns, Introdução, início do 2º parágrafo, página 15 na 65ª edição da FEB.) 

 

“Mas acentuemos que, embora os Espíritos prefiram a regularidade, os verdadeiramente superiores não são tão meticulosos. A exigência de rigorosa pontualidade é sinal de inferioridade, como tudo o que é pueril. Mesmo fora das horas marcadas, eles podem comparecer, e na verdade comparecerem espontaneamente quando a finalidade é útil”.

(O Livro dos Médiuns, Capítulo XXIX, item 333, Segunda Parte.)

Fiquemos por aqui porque, se a época do fenômeno mediúnico não acabou, o espaço da coluna sim, terminou.

 

(*) Nazareno Tourinho, parceiro do Dr. Carlos Imbassahy na obra O Poder Fantástico da Mente, editada há cinquenta anos, em 1967, é um velho autor espírita cujos últimos livros foram publicados e estão sendo distribuídos pela Editora Lachâtre (Instituto Lachâtre – Caixa Postal 164 – CEP 12914-970 – Bragança Paulista – SP Telefone: (11) 4063-5354 – Site: www.lachatre.org.br – E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.).

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