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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2018

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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Estamos no ano de 2018, segundo o calendário ocidental denominado juliano/gregoriano, se não levarmos em conta o erro cometido por Frei Dionísio, no século VI da era cristã, em cinco anos a menos no calendário.

Viver é sempre uma incógnita quando não percebemos o seu verdadeiro sentido em nossa conduta. Realizar, como a palavra indica, é tornar real. Tornar verdadeiro o que pensamos ao fazer o que fazemos. E a nossa atitude deve ser sempre a de valorizar a vida, que é bela e é consentida por Deus. Viver com propósito, com intenção, com vontade, com alegria e entusiasmo. Propósito, do latim propositu, significa proposto, posto na frente. (1)

Viver com propósito, portanto, é seguirmos em frente, sem titubearmos ante os obstáculos que certamente surgirão, pois são próprios da luta que nos ensina o caminho do trabalho e da edificação moral, nesta etapa da vida na Terra.

Idealizar, planejar e realizar, constituem o roteiro que devemos ter como meta para vivermos bem, suplantando as vicissitudes naturais da existência.

Edgar Cayce, o grande médium norte-americano, denominado o “profeta adormecido”, pois era um sonâmbulo. As pessoas o buscavam para saber sobre suas vidas. “Ele se deitava no sofá e fazia as ‘fichas’ das pessoas”, como diz sua biógrafa, a Drª Gina Cerminara, no livro Many Mansions. Ele fez 20 mil consultas, sem nenhum erro. Cayce dizia:

“Nós não somos o que pensamos que somos, nem o que pensam que somos, mas o que pensamos, somos.”

O nosso pensamento determina a nossa realidade. A vida é feita de escolhas, como dizia o psiquiatra vienense Viktor Frankl: “entre o estímulo e a reação existe sempre a escolha”.

Sua vida é um exemplo de determinação de propósito. Viktor Frankl foi arrancado da Universidade de Viena, enquanto ministrava aula, juntamente com todos os judeus do corpo docente e discente, e levados prisioneiros nos vários campos de concentração nazistas, na Segunda Grande Guerra Mundial, especialmente no terrível campo de Auschwitz, onde seres humanos eram tratados pior do que os animais. Lá, toda a sua família morreu nos fornos crematórios: seu pai, sua mãe, seu irmão, sua esposa, grávida, juntamente com o bebê que gerava. Mesmo assim, enquanto sofria os horrores da tortura nesses campos, ele só pensava em como deveria, quando saísse dali, transformar aquela experiência nefasta em prol da felicidade do ser humano.

Esse fabuloso homem, ao fim da guerra, em 1945, tinha 40 anos quando foi libertado pelos aliados. Imbuído do propósito de ajudar as pessoas, criou a Logoterapia, uma psicoterapia para dar um sentido às suas vidas, vivendo ainda mais cinquenta e dois anos, morrendo em 1977, com 92 anos, deixando uma larga contribuição à humanidade.

As Entidades Sublimadas nos ensinam que “fazer o bem constitui o objetivo único da vida”. (2)

É, portanto, necessário, acima de tudo, vivermos com dignidade, treinando as virtudes no relacionamento com o nosso próximo, seguindo os princípios éticos e morais.

Diz o instrutor André Luiz: “Virtude não é flor ornamental. É fruto abençoado do esforço próprio que você deve usar e engrandecer no momento oportuno”. (3)

E diz mais, o querido Espírito: “Se a alma, liberta do corpo de carne, não se encontra amparada em princípios robustos de virtude santificante, sentida e vivida, é quase impossível sair vitoriosa das ciladas escuras que nos armam.” (4)

Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, diz que Sócrates, o grande filósofo, ensinou à Grécia as mais belas virtudes, como precursor dos princípios cristãos. Ele deixou vários discípulos, mas nenhum deles soube assimilar perfeitamente a estrutura moral do mestre inesquecível. (5)

O Espírito Humberto de Campos, conta-nos sobre a ética de Sócrates, exemplificada em sua conduta diuturna, intitulada: Os Três Crivos:

Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:

— Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular…

— Espera!… ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?

— Três crivos?! – perguntou o visitante, espantado.

—  Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. Primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?

—  Bem, ponderou o interlocutor, assegurar mesmo, não posso. Mas ouvi dizer e

então…

— Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que

não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar?

Hesitando, o homem replicou:

—  Isso não!… Muito pelo contrário…

— Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo: o da utilidade, e notemos

o proveito do que tanto te aflige.

— Útil?!…– aduziu o visitante ainda agitado.

— Útil não é…

— Bem – rematou o filósofo num sorriso —, se o que tens a confiar não é verdadeiro,

nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que de nada valem casos sem edificações para nós. (6)

Os Espíritos Superiores, responderam a Allan Kardec, quando ele perguntou:

“Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?”

“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”. (7)

       A nossa conduta deve ser a de viver com o propósito no bem. Não para sermos chamados de bonzinhos, porque senão descaracteriza a humildade, que precisamos treinar que é o oposto do orgulho, o pai de todos os vícios morais.

Aproveitemos o tempo que é o grande talismã dado por Deus a todos, sem distinção. No palácio ou na choupana, todos temos 86.400 segundos num dia de 24 horas, mostrando a equanimidade da lei de Deus.

Muita paz!

 

Notas bibliográficas:

1 – Antenor Nascentes, em seu dicionário etimológico.

2 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Questão 860 – Feb

3 – Agenda Cristã – André Luiz – Francisco Cândido Xavier – 95 – Feb.

4 – Libertação, XV– André Luiz – página 195 – Francisco Cândido Xavier – Feb

5 – A Caminho da Luz – Emmanuel – Francisco Cândido Xavier – 95 – Feb

6 – Aulas da Vida. Diversos Espíritos – Francisco Cândido Xavier – Humberto de Campos

7 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Questão 886 – Feb

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