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Artigo do Jornal: Jornal Março 2018

Sobre o autor

Saulo de Tarso

Saulo de Tarso

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O jornal Correio Espírita, como órgão de difusão espirita, diante de mais um episódio entre espíritas, envolvendo opiniões político-partidárias de tamanha imoralidade diante de nossos olhos, vem a público reiterar que divulgar o Espiritismo na sua maior pureza é nossa principal bandeira. E mais uma vez publica sua opinião diante da perplexidade envolvendo o médium baiano Divaldo Franco, o qual, com os seus 90 anos e 70 de dedicação espírita, nos deixa uma obra literária e caridosa e digna de nossos sinceros aplausos.

Nosso prezado Rodrigo Constantino, colunista da Gazeta do Povo, viralizou um vídeo em que, de forma lacônica, Divaldo Franco responde a um jovem sobre a Ideologia de Gênero: “a ideologia de gênero marca um momento de alucinação psicológica da sociedade”. Relacionou, também, o marxismo à escravidão moral de um povo como um caminho mais efetivo do que a escravidão econômica. Elogiou a atuação do juiz Sérgio Moro e da “Republica de Curitiba”, mostrando que o magistrado “não provocou escândalo algum e sim o revelou”.

Completou dizendo que a ideologia de gênero seria mais um instrumento de confusão, difundido em cartilhas, para complicar as mentes das crianças, defendendo a necessidade de fiscalizar os governantes para combater tal imposição, de uma “imoralidade ímpar”, tal como o aborto, que as mesmas forças políticas tentam tornar inteiramente legal.  

Agora, surgem os “espíritas progressistas”, que, de uma certa forma, deixam dúvidas quanto às condenações do magistrado Sérgio Moro, com opinião adversa à “Operação Lava Jato”, levantando a tese de que a operação é um afronto à democracia. Ora, então a corrupção é aceita pela doutrina codificada por Allan Kardec? Jesus combateu toda espécie corrupção, mostrando, de forma clara e objetiva, que sua doutrina é de amor, moral e liberdade.

O manifesto dos “espiritas progressistas”, subscrito pela Associação Brasileira de Pedagogia Espírita, liderada pela confrade Dora Incontri, afirma que Divaldo Franco “está exercendo sua imensa influência no movimento espírita para fortalecer posições retrógradas, anti-humanitárias e o faz sem qualquer argumentação”.

O manifesto, em vez de esclarecer a opinião do médium, complicou ainda mais, fomentando um viés político-partidário: “Divaldo assume uma postura claramente partidária, contrária ao PT”, fazendo uma “crítica rasa” e “chamando o governo desse partido de marxista e assumindo um discurso próprio da polarização extremista, manipulada e sem consistência”. Continua o texto do manifesto: “não existe ‘ideologia de gênero’, mas sim uma área de pesquisa no mundo que se chama ‘Estudos de Gênero’ – que teve influência de Michel Foucault, Simone de Beauvoir e Judith Butler”.

Ainda de acordo com o manifesto, “Divaldo revela também completo desconhecimento dessa área de estudos de gênero, alinhando-a ao marxismo e ao comunismo”, porque “as grandes lideranças desses estudos estão nos Estados Unidos e na Europa”.

       

 

Ideologia de gênero

Sobre esse tema, o Correio Espírita publicou artigo edição de janeiro/18 nº 151, do qual republicamos pequeno trecho.

“Após estudar, pensamentos variados sobre a chamada “ideologia de gênero”, segundo os quais ninguém nasce homem ou mulher, mas cada indivíduo deve construir sua própria identidade, isto é, seu gênero, ao longo da vida. “Homem” e “mulher”, portanto, seriam apenas papéis sociais flexíveis, que cada um representaria como e quando quisesse, independente do que a biologia determine como tendências masculinas e femininas; ou seja, a definição de masculino e feminino pode ser escolhida livremente pelo indivíduo.

Como podemos observar, o conceito é extremamente materialista. Onde estava Deus quando eu e você reencarnamos como homem ou como mulher?  Deus errou quando permitiu nossa reencarnação com o sexo necessário à nossa evolução?  Ora, então estamos corrigindo um “erro de Deus”? Se assim for, Deus é imperfeito, o que não é verdade.

Conforme os ensinamentos espíritas, nenhum Espírito reencarna com um “gênero”. Todos nós reencarnamos com um sexo biológico definido. Portanto, a distonia do transgênero se opera no Espírito portador de suas mazelas, de seus erros cometidos sobretudo na área ligada às energias sexuais e não do corpo, que serve de instrumento para sua evolução.”

 

 

- Teoria marxista

 

“Marxismo é um método de análise socioeconômica sobre as relações de classe e conflito social, que utiliza uma interpretação materialista do desenvolvimento histórico e uma visão dialética de transformação social. A metodologia marxista utiliza inquéritos econômicos e sociopolíticos e que se aplica à crítica e análise do desenvolvimento do capitalismo e o papel da luta de classes na mudança econômica sistêmica. Na segunda metade do século XIX, os princípios intelectuais do marxismo foram inspirados por dois filósofos alemãesKarl MarxFriedrich Engels. Análises e metodologias marxistas influenciaram várias ideologias políticas e movimentos sociais. O marxismo engloba uma teoria econômica, uma teoria sociológica, um método filosófico e uma visão revolucionária de mudança social.

Quanto à religião, Marx afirmara que esta é o ópio do povo, principalmente pelas promessas de uma vida no além. Daí o ódio gratuito que obteve dos religiosos de um modo geral”.

Na verdade todo ciclo dos pensadores e cientistas materialistas estão com os dias contados como o advento do espiritismo.

 

- Michel Foucault, Simone de Beauvoir e Judith Butler”

 

Paul Michel Foucault - Seu temperamento fechado o fez uma pessoa solitária, agressiva e irônica. Em 1948, após uma tentativa de suicídio, iniciou um tratamento psiquiátrico. Em contato com a psicologia, a psiquiatria e a psicanálise, leu Platão, Hegel, Marx, Nietzsche, Husserl, Heidegger, Freud, Bachelard, Lacan e outros, aprofundando-se em Kant.

 

Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir – Foi uma escritoraintelectualfilósofa existencialista, ativista políticafeminista e teórica social francesa.

Conforme apresentado por de Beauvoir em “O Segundo Sexo”. Apesar de suas contribuições para o feminismo, especialmente para o Movimento de Libertação das Mulheres, e por suas crenças na independência econômica feminina e na igualdade de educação entre os sexos. 

 

Judith Butler - Filósofa pós-estruturalista estadunidense, uma das principais teóricas da questão contemporânea do feminismoteoria queer (*), filosofia política e ética.

(*) A teoria queer, oficialmente queer theory (em inglês), é uma teoria sobre o género que afirma que a orientação sexual e a identidade sexual ou de género dos indivíduos são o resultado de um constructo (**) social  e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais.

(**) É uma criação mental, simples, que serve de exemplificação na descrição de uma teoria.

São autores que de alguma forma pregam a liberdade, sem o freio da moral Cristã, onde a família tem apenas um papel irrelevante na educação moral sexual de seus filhos.

 

- Crítica de Kardec ao comunismo

Inserta no terceiro dos discursos proferidos em Lyon e Bordeaux (1862), está a crítica de Kardec aos sistemas de reforma social que visam, ao fim, qualquer tipo de comunismo; ao mesmo tempo, trata-se de uma defesa contra assertivas de adesão espírita a tais sistemas, no intuito de indispor a nova doutrina com a ditadura de Napoleão III, intrigas da Igreja católica, estreitamente ligada àquele regime.

Concentra-se a crítica do mestre na inviabilidade desses sistemas por conta, sobretudo, do estado moral da humanidade, composta, segundo o espiritismo, por almas da terceira ordem da escala espírita, ou seja, nas quais a influência da matéria ainda é dominante, donde a origem do seu vício radical: o egoísmo, incompatível com a justiça, o amor e a caridade.

 Tais sistemas levariam, no dizer de Kardec, a um estado de comunidade fundado na completa abnegação da personalidade e, por efeito, requerendo o devotamento mais absoluto, o que só se sustentaria, na opinião do mestre, havendo, em todos os homens, o móvel da abnegação: a caridade, o amor ao próximo. Baseado na evidente insuficiência dessas virtudes neste mundo — e, ao contrário do que fizera doutras vezes, sem divisar a relevância do meio social melhorado para uma consequente melhora dos indivíduos nele postos —,

Kardec sentencia:

1) “a totalidade das riquezas, postas em comum, criaria uma miséria geral ao invés de uma miséria parcial”; 

2) “a igualdade, estabelecida hoje, seria rompida amanhã pela mobilidade da população e a diferença entre aptidões”;

3) “a igualdade permanente de bens supõe a igualdade de capacidades e de trabalho”; 4) “A experiência aí está, diante de nossos olhos, para provar que eles não extinguem nem as ambições nem a cupidez. Antes de fazer a coisa para os homens, é preciso formar os homens para a coisa. (...) de que maneira, sob o império do egoísmo, fundar um sistema que requeira a abnegação em um sentido tão amplo que tenha por princípio essencial a solidariedade de todos para cada um e de cada um para com todos?”. E o espiritismo afinal quer o quê, senão isso a fim de contas?

 

-  ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente

 

No Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): Art. 17. temos: “O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.” - logo, atentar contra a formação de identidade de uma criança com uma ideologia que não tem respaldo científico e extremamente materialista é atentar contra a Humanidade. É pôr em risco a saúde mental das crianças e jovens.

 

Conclusão

Para que veio o Espiritismo? Não foi para combater o materialismo e ajudar os homens a se melhorarem moralmente? Logo, as ideias materialistas não devem ser defendidas e apoiadas pelos espíritas.

Muitas Associações Médicas de vários países e Conselhos de Medicina são totalmente contrários à ideologia de gênero.

Jesus nos pediu que amássemos uns aos outros, não importando se somos homem e mulher, irmão ou irmã, amigo ou até mesmo inimigo.

Assim, também, o espiritismo prega o amor, a liberdade de consciência e o respeito aos nossos semelhantes, portadores de quaisquer mazelas de ordem moral ou física, buscando sempre uma cultura de paz e uma sociedade mais justa e fraterna.

Muita paz!

 

 

Referências

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec questões 101, 913 e 917.

Revista Espírita março de 1969.

Obras Póstumas, de Allan Kardec,  primeira parte, Liberdade, igualdade, fraternidade.

Viagem Espírita em 1862 – Discurso III pronunciado nas reuniões gerais dos espíritas de Lyon e Bordeaux.

O que é Marxismo, de José Paulo Netto. Os pressupostos da teoria social de Marx. p. 12.

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