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Artigo do Jornal: Jornal Março 2018
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Tive a boa sorte de ingressar no movimento espírita brasileiro há mais de sessenta anos, quando a prática mediúnica ocorria mais em ambientes familiares do que no recinto de Centros integrados a um sistema federativo nacional.

Posso garantir a você, prezado leitor jovem, que nos velhos e heróicos tempos, quando ser espírita era um labéu (hoje é uma honra, confere status), havia entre nós maior pureza doutrinária e não menor amor ao próximo, assim como menos tecnicismo e menos sofisticação cultural.

Nas últimas décadas, infelizmente, nosso movimento ideológico foi mudando as suas características originais, pondo de lado os conceitos e preceitos da Codificação de Allan Kardec, trocando-os por critérios constantes em psicografias nacionais, de tal forma místicos que acabaram confinando a ação caridosa dos Espíritos protetores às quatro paredes dos referidos centros federados, o que ajuda os mandatários do sistema federativo nacional dos mesmos a manter sob seu controle o conjunto das realizações espíritas, prejudicando a boa marcha da doutrina perante o público em geral.

Não podemos esquecer que a história do Espiritismo teve início em uma casa de família, a residência das irmãs Fox nos Estados Unidos. Não podemos olvidar que Allan Kardec começou a colher material informativo para compor a nossa doutrina em sessões feitas em recinto doméstico, e não institucional, nem podemos ignorar a desastrosa atuação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas depois da desencarnação de Kardec, seu fundador.

Estes três fatos são incontestáveis e suficientes para mostrar que o Espiritismo deve ser livre, não engessado por qualquer tipo de organização humana, e sendo assim pode muito bem ser praticado em recintos familiares.

Por que não?

Por que as sessões mediúnicas atraem para o local onde são feitas espíritos maus ou perturbados?

E daí?

Os Espíritos superiores, que levam tais seres invisíveis para um lar, serão irresponsáveis a ponto de não retirá-los dali após o fim do trabalho mediúnico?

Que outros argumentos existem para justificar a proibição de trabalhos mediúnicos em casa de família?

Seguramente nenhum.

Dizer que o espaço dos nossos Centros é mais adequado para sessões espíritas devido ao seu campo vibratório não é uma afirmativa de bom senso, porque o campo vibratório de qualquer lugar resulta dos sentimentos das pessoas presentes, e a probabilidade de haver harmonia e fraternal afeto entre os componentes de uma família é maior do que entre os integrantes de um Centro espírita, logicamente.

Então necessitamos valorizar e saber aproveitar sem medo esta observação de Kardec:

“Os Espíritos, portanto, são, como se vê, seres semelhantes a nós, constituindo, ao nosso derredor, toda uma população, invisível no estado normal”.

(O Livro dos Médiuns, Capítulo I, item 56.)

A verdade é que está existindo entre nós um grandiloquente discurso antimediúnico, de origem evangélica-católica, habilmente disfarçada, que deseja um Espiritismo sem espíritos, apenas teórico, sem a caridade das sessões desobsessivas, que tão grande prestígio deram no passado à nossa doutrina.

A técnica desse discurso é a intimidação, sob o pretexto de que terríveis habitantes do Umbral costumam destruir quem faz sessões mediúnicas sem força para dominá-los. Esta opinião é sofismática, porque menospreza o detalhe de que os Espíritos Superiores têm poder sobre os inferiores, com sua luz anulam as trevas, e, portanto, possuem condição de nos proteger contra a ação dos perversos seres invisíveis do Umbral e seus asseclas. Ademais, nada precisamos temer quando agimos com honestidade e amor ao próximo, sobretudo se temos fé em DEUS, nem que seja pequena, minúscula, do tamanho de um grão de mostarda, porque Jesus garantiu que isto basta para remover uma montanha... Quanto ao resto, se somos lógicos sabemos que DEUS é justo, se DEUS é justo, a proteção que temos contra espíritos maus é o altruísmo, e não o intelectualismo ou puritanismo.

Por hoje, tenho dito.

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