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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2018

Sobre o autor

Melissa Santos

Melissa Santos

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Foram horas de reflexão e muita luz! A palestra de Haroldo Dutra Dias, no dia 03 de março, foi um verdadeiro chamado à prática do bem. Cerca de 500 pessoas lotaram dois andares do Grupo Espírita André Luiz, no Maracanã, Zona Norte do Rio de Janeiro, para ouvir de perto as palavras do expositor.

A palestra começou por volta das 18h, como previsto, mas os portões da casa foram abertos antes, às 15h, primeiramente para jovens de diversos centros espíritas. Foi feito um estudo com eles sobre as oratórias e os projetos de Haroldo. Depois, por volta das 16h30, todos aqueles que foram ouvir as palavras de sabedoria de um dos maiores divulgadores do espiritismo da atualidade puderam entrar.

Haroldo chegou cerca de 20 minutos antes do horário da palestra. Ele conheceu as dependências do Grupo Espírita André Luiz e visitou o pequeno museu com peças do tempo em que reuniões de materialização eram feitas na casa. Enquanto isso, o público foi presenteado com apresentações musicais da juventude espírita Abel Gomes e do coral GEAL.

“Sabendo que eu viria a essa casa, que já foi local onde os espíritos de tudo fizeram para se tornarem visíveis aos nossos olhos, hoje vejo que o esforço deles ainda é maior. Porque não se trata mais da materialização de uma mão, de um rosto, de um objeto. Hoje o desafio é infinitamente maior, porque nós estamos diante da necessidade, cada um de nós, de materializar na Terra a sua programação espiritual”, ressaltou o juiz direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, logo no início da oratória, já chamando a cada um para a responsabilidade dos atos praticados nesta existência.

Na primeira etapa, Haroldo falou pouco mais de uma hora. Ressaltou a importância do trabalho cristão e da família, da perseverança na vida, da esperança, do combate ao suicídio e destacou o poder de consolação do Espiritismo: “Encontramos na nossa Doutrina Consoladora a razão para não nos desesperarmos” e completou: “Bem compreendido, mas acima de tudo bem sentido, o Espiritismo eleva!”

A palestra emocionou a muitos que estavam presentes. O expositor chamou a atenção durante quase todo o tempo para a prática do amor e da caridade. Haroldo trouxe também perguntas de reflexão: “Se você soubesse o fim, se pudesse ler a sua programação espiritual, a programação dos seus dias, você mudaria alguma coisa? Você aceitaria o que não pode ser mudado? (...) Será que a maioria de nós tem noção do que as experiências querem nos ensinar?”, falando sobre a sabedoria divina, a bênção da cortina do esquecimento e a dádiva de todas as oportunidades de aprendizado que temos diante das dificuldades. “Em meio a um mundo tão tumultuado, em meio a tantos enganos e desenganos (...), vamos aproveitar a dádiva dos espíritos que nos envolve neste momento. Pensa na sua lista de dias, no seu conjunto de estações e no precioso, inteligentíssimo cálculo de probabilidade, que sustenta a tua presente encarnação. Confia! E como diz um amigo espiritual: um dia você vai entender!”

Em uma segunda etapa, Haroldo Dutra ainda respondeu a perguntas de jovens. Ele falou sobre a atual situação moral, a importância da juventude, o uso de drogas e as discussões em torno dos estudos de gênero.

 

       

Haroldo Dutra Dias concede entrevista especial para o Correio Espírita

 

Depois da palestra, Haroldo Dutra Dias deu uma entrevista rápida, mas muito especial para o Correio Espírita. Sempre simpático, ele abriu o coração e falou das preocupações que tem quanto ao futuro do Espiritismo. Confira.

 

Correio Espírita – Tenho observado que um assunto se faz recorrente em todas as suas palestras de um tempo para cá: o excesso de conhecimento doutrinário e a falta da prática da caridade. Você tem essa preocupação quanto ao futuro do movimento espírita?

Haroldo Dutra – Eu tenho essa preocupação porque tenho vivido uma situação delicada. Nas filas, as pessoas acham que estamos recebendo os louros. Mas eu tenho recebido assim: ‘Perdi o meu filho!’, ‘Meu casamento terminou!’, ‘Eu estava em depressão’, ‘Eu pensei em me suicidar’... Como uma senhora que chegou agora há pouco para mim e disse que perdeu o marido e os dois filhos em um acidente. Então, quando a gente começa a ver um, dois, cem, mil casos de dor, a gente precisa ver que rumo estamos dando ao movimento espírita! Porque ele tem que ir ao encontro dessa dor.

Correio Espírita – Para você, o que está acontecendo nos dias atuais? Você acha que estamos nos esquecendo de praticar a verdadeira caridade?

Haroldo Dutra – Eu acho que a gente está perdendo a noção do outro. Porque a dor está tão grande com a gente, é tanta coisa nos afetando, que a gente está deixando de ter um espaço na nossa agenda para olhar para o lado. Eu não faço isso por opção, a circunstância divina que colocou isso por misericórdia na minha vida, das pessoas me procurarem e trazerem essa demanda. Mas aí você começa a pensar: meu Deus, o que é essencial mesmo no Espiritismo? Qual é o propósito disso aqui? Qual o Espiritismo que vai ter que ter um efeito prático na vida? Como que eu faço para não ser superficial?

Correio Espírita – Falando em caridade... Durante o Carnaval, o grande expositor Divaldo Franco ficou no meio de uma polêmica, sobre o que ele falou durante uma entrevista com os jovens, da qual você também participou, no Congresso Espírita de Goiás. O nome de Divaldo foi citado várias vezes e, em alguns casos, de maneira rude e até desrespeitosa, por grupos e pessoas nas redes sociais. O que você achou desse episódio? Isso faz parte das suas preocupações quanto ao futuro do movimento espírita? E diante disso, como você vê o Espiritismo e a atuação de espíritas nas redes sociais?

Haroldo Dutra – Tem dois aspectos que eu tirei de lição nisso tudo. O primeiro é de que, de uma vez por todas, nós precisamos construir no movimento espírita uma ideia do expositor sem idolatria. Ver no expositor, no médium, um ser humano, que pode errar, que pode não ser feliz na expressão verbal, que às vezes não tinha o domínio do assunto e não abordou perspectivas que a gente queria que ele abordasse... Eu acho isso importante! Porque, ao longo dos anos, a gente tem visto no movimento espírita uma construção de idolatria. E isso é complicado! É algo que a gente precisa cuidar.

Agora me preocupa quando nós saímos do padrão moral do homem de bem para fazer um movimento espírita descolado do homem de bem. Então, a crítica. Perfeito! Mas a agressão moral? Pra quê? Isso não coaduna com o padrão moral do Espiritismo.

Nós vamos ter que aprender a discutir, a discordar, a ponderar, sem perder a moral do Cristo, sem perder o padrão moral do homem de bem. Tanto de um lado, quanto de outro, pois eu não estou aqui defendendo nem um lado e nem o outro.

Acho que, com essa questão das redes sociais, todos nos excedemos. Vira um ataque, uma disputa, você sai do assunto e passa ser uma disputa de ego.

A todos os que me procuraram (sobre esse assunto), eu disse assim: eu sou um ser humano, se eu me expressei mal, eu vou estudar, vou aprender, vou aprimorar e ponto final! Nós vamos progredir, vamos ampliar, vamos abordar melhor. Mas sem cobrar a expectativa que depositam de uma pessoa infalível, de uma pessoa que representa o Espiritismo, de um porta-voz...

Não podemos perder a nossa humanidade, o mínimo daquela educação, daquele respeito, até pela idade, pelas condições e pela obra que ele (Divaldo) deixou. Tem que tomar cuidado com isso também, tem que ponderar... É uma lição para todos nós!

Correio Espírita – Você acredita que estamos fomentando nas redes sociais uma cultura de ódio?

Haroldo Dutra – Eu acho que a sociedade brasileira está construindo o ódio. Hoje, discussão partidária é a discussão do ódio! As pessoas estão sendo educadas no Brasil a ter ódio em todas as áreas. A rede social se transformou em uma arena do ódio. Você tenta e não consegue argumentar, discutir nas redes sociais.

E é incrível porque, a cada semana, alguém é eleito para ser odiado ou amado. E é muito complicado isso... É um fenômeno social que nos preocupa. Porque uma hora essa violência vai transbordar! A gente diz coisas nas redes sociais, se comporta de um jeito, que pessoalmente a gente não teria coragem.

Correio Espírita – Você acha que falta esse diálogo, essa preocupação no movimento espírita?

Haroldo Dutra – Eu acho que está faltando a cultura da paz! E ela começa na família, no casal, no tratamento com os filhos, no trabalho, no time de futebol, agora na eleição para presidente... Nós temos que construir uma cultura de paz! Porque o Brasil está destruído, as instituições estão mancando, mas é com ódio que nós vamos reconstruir? Eu não acredito nisso! Gandhi pegou uma Índia destruída e a ergueu na paz. Nelson Mandela, Desmond Tutu pegaram uma África do Sul destruída e construíram na paz. Nós vamos construir o Brasil do futuro no ódio? Eu não acredito nisso!

Correio Espírita – Qual seria o seu recado final para quem está lendo agora esta entrevista?

Haroldo Dutra – Eu acho que agora chegou a hora da gente olhar para a gente. Particularmente, eu, Haroldo, estou olhando para mim e dizendo assim: onde estão os focos de ódio dentro de mim? E estou procurando em mim, na minha vida, nos mínimos detalhes, para assim construir pontes de paz. Ouvir, dialogar, entender a diversidade, deixar o outro expressar sua opinião, sua convicção... Estou me treinando a fazer isso. Porque aí nós vamos ser um foco também de paz e vamos começar a transformar. Porque primeiro tem que estar na gente, se não a gente não consegue espalhar isso

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