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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2018

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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Disse Jesus, no Sermão do Monte: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai Celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos”. (1)

O Sermão do Monte foi o discurso bombástico que Jesus fez ao iniciar Sua missão de implantar na Terra a Boa Nova, A Lei do Amor.

Imaginamos como aquela multidão recebeu esse ensinamento contradizendo tudo o que sabia, pela tradição oral!

Os habitantes da Galileia eram, em sua maioria, rudes e analfabetos. Os que aprendiam a ler e a escrever pertenciam à minoria. Não havia escolas. O aprendizado era conseguido nas sinagogas. Alguns escravos da Grécia ensinavam aos seus senhores e aos seus familiares, premidos pela condição de servos.

Não existia um ensino superior. A primeira universidade construída foi a de Bolonha, na Itália, no ano 1088 e, posteriormente, no século XII, a Universidade de Paris.

A lei ensinada no Templo e nas sinagogas era totalmente diferente daquela que o povo ouvia de Jesus. A Torá e as 613 regras da lei impunham ao povo suas convicções.

Os escribas, aqueles que dominavam a escrita, pertenciam a uma seita e eram prestigiados. “Faziam causa comum com os fariseus, de cujos princípios partilhavam, bem como da antipatia que aqueles votavam aos inovadores. Daí, o envolvê-los Jesus na reprovação que lançava aos fariseus”. (2)

Dois mil anos após essas palavras proferidas pelo Cristo, naquela tarde serena e brilhante, nas colinas de Kurun Hattin, ainda temos dificuldade em amar os que nos amam; conviver em harmonia com os que nos querem bem; viver em paz com os amigos mais íntimos. É difícil até mesmo sermos simpáticos e compreensivos com os próprios familiares, aceitando, sem reclamações, as suas escolhas.

E os inimigos? Como podemos aceitar os inimigos, se não conseguimos ainda amar, incondicionalmente, os que nos amam?

Hoje, dispomos de conhecimento e tecnologia suficientes para o entendimento e a aplicação das palavras de Jesus para vivermos bem e sermos felizes:

       Foram identificados em nossa corrente sanguínea mais de cinquenta neurotransmissores, sendo os mais importantes: dopamina, acetilcolina, serotonina, noradrenalina, encefalina, endorfina, glutamato, ocitocina, gaba (ácido gama-aminobutílico) e histamina.

       Esses compostos químicos são liberados de acordo com o nosso comportamento, por meio dos nossos pensamentos, palavras e atos, quando passamos a executar a lei física de atração e de repulsão.

       Quando estamos felizes, enviamos para a corrente sanguínea as serotoninas, as dopaminas e as endorfinas. Quando ficamos tristes, seja por qual seja o motivo, o cosmo orgânico recebe as catecolaminas: adrenalina e noradrenalina, assim como o cortisol e outros lixos tóxicos. Tudo isso escolhido por nós.

       Portanto, quem é nosso inimigo senão nós mesmos, quando escolhemos guardar ódio, rancor, desejos de vingança?

       Jesus não nos pediu para conviver com nossos inimigos ou com aqueles que nos são antagônicos. “Entretanto, há geralmente equívoco no tocante ao sentido da palavra amar, neste passo. Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para com o seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo. A ternura pressupõe confiança: ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa, sabendo que esta lhe quer mal; ninguém pode ter para com ela expansões de amizade, sabendo-a capaz de abusar dessa atitude”. (3)

       O que significa, então, amar os inimigos?

       Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem ter para com eles desejos de vingança; é perdoar-lhes sem pensamento oculto o mal que nos causem e desejar-lhes o bem.

       Muita paz!

 

Notas bibliográficas:

1 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Mateus, 5. 43 a 45.

2 – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec –Introdução – Feb.

3 – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Capítulo XII, item 3 – Feb.

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