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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2018
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Essa indagação inicial remete a ideia de que a escolha acertada é puramente racional, descontextualizada, mas percebe-se que as nossas escolhas são fruto de um longo processo, imerso nas teias da reencarnação, com dependência da trajetória e forças atávicas que arrastamos, e que fazem com que a escolha pelo caminho do bem não seja apenas um momentâneo querer, mas um esforço e luta constante.

  1. Meu sonho de moço

Na juventude, tem-se o momento da vida no qual alimentamos a ideia de um mundo melhor, no qual o nosso potencial fraterno floresce, necessitando ser regado para se manter na existência. Por isso a beleza e a importância dos trabalhos com a juventude espírita.

Mas esse desejo de um mundo melhor vai se enfraquecendo, no contato com a realidade, com as dificuldades da vida, carecendo da visão da reencarnação, que nos permite entender que esses avanços se dão de forma lenta e gradual, com avanços que por vezes parecem atrasos. A esperança precisa ser cultivada.

2-O caminho do bem

Por isso, o caminho do bem é a porta estreita, mais difícil, posto que ainda estamos em um estágio evolutivo atrasado, na faixa das provas e expiações, e por vezes subestimamos o estágio evolutivo da raça humana encarnada, e nos surpreendemos do que ainda somos capazes.

Para o caminho do bem, é preciso viver no mundo sem ser do mundo, compreendendo os contextos nos quais os avanços são possíveis, e como eles podem se dar. Mas, como saber se estamos no caminho do bem? A regra áurea de Jesus, de fazer ao próximo o que se deseja a si mesmo é uma boa medida, no sentido que nos insere no mundo, em um esforço evolutivo que é pessoal, mas que depende dos outros.

As pedras que arrastamos

Mas seguir por essa porta estreita é difícil, pesaroso, e não é um ato de momento. É um processo, que gera tensões entre o nosso sonho de moço e a realidade espiritual em que nos encontramos.

Apesar da carne não ser fraca, e sim o espírito, não podemos desprezar as forças da matéria a nos acorrentar. São muitos os chamamentos, o homem velho que habita em nós, rodeado de antigos amigos e hábitos, que nos pressionam continuamente sobre o que devemos fazer.

Como dito por Paulo de Tarso na sua Carta aos Romanos, “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo”, e nessa tensão vem a culpa, o sentimento de inferioridade, que nos congela nesse processo evolutivo.

  1. Não olhar para trás

Jesus deu a senha ao asseverar que “todo aquele que pega na charrua e olha para trás não serve para o reino de Deus”. Nesse sentido, é preciso nos lembrar de nossa dimensão humana, e sem heroísmos ou ídolos de pés de barro, percebermos os avanços realizados e que a própria consciência do nosso estado evolutivo já é progresso.

Ficar preso aos fracassos tem o potencial de estagnar a nossa caminhada, nas teias do remorso. Para isso temos a benção do esquecimento, o reinício pela nova encarnação, para começar de novo, sem, no entanto, partirmos do zero.

O que nos impede de escolher o amor é o nosso passado, que compõe o nosso eu. É também a nossa culpa, paralisante. E a nossa falta de compreensão de que o caminho é longo, com flores e pedras, e que se faz passo a passo, mas sucessivas vidas, na longa jornada da evolução.

 


1 Artigo oriundo da palestra proferida em abril de 2018 no evento “Praça Florida de Livros”, em Petrópolis-RJ.

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