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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2018
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Um dos textos espíritas mais impactantes que já li está no primeiro capítulo do livro A Gênese, qual seja: “Caráter da Revelação Espírita”. [1] O raciocínio de Allan Kardec me marcou de tal modo que já recorri a trechos desse capítulo para palestras e estudos dos mais diferentes temas. “Pode o Espiritismo ser considerado uma revelação? Neste caso, qual o seu caráter?” [2] São algumas das perguntas que iniciam uma sequência de deduções lógicas a respeito do planejamento divino a respeito da revelação de Suas Leis aos homens.

Imaginemos uma turma de crianças em processo de alfabetização na qual nenhuma delas alcançou o aprendizado da leitura e da escrita. Será difícil para os componentes desse grupo avançarem sozinhos em seu objetivo. Demandará, possivelmente, longo tempo e esforço. Entretanto, se inserirmos nessa mesma turma alguém que já avançou significativamente no estudo das letras, a situação muda de figura e, em meses, a maior parte das crianças terá alcançado a leitura e escrita de suas primeiras palavras. Vale ressaltar que só encontraremos esse resultado se o componente já alfabetizado vier num momento propício ao aprendizado do grupo de crianças. Quando elas já possuírem certas características e habilidades que possibilitarão a compreensão dos ensinos. Não adiantará, por exemplo, inserir o alfabetizador num grupo de crianças com seis meses de idade.

É assim também que, em todas as épocas da humanidade, nas diferentes culturas e áreas do conhecimento, Deus sempre enviou seres mais adiantados que a maior parte dos homens de seu tempo. Considerados por muitos como gênios, esses homens são Espíritos mais adiantados em aspectos intelectuais e morais que reencarnaram com o propósito de revelar, tirar o véu, algum aspecto importante da Lei de Deus. Tais Espíritos vieram e vêm nas ciências, na filosofia e também na religião.

Dessa forma, “o Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra” [3] . Não se trata da concepção de um homem ou mesmo de um grupo de homens. Allan Kardec não sentou em seu gabinete e criou uma teoria. Foram os Espíritos que chamaram a atenção dele para os fenômenos que até então pareciam não ter explicação, os mesmos Espíritos que se apresentaram como sendo as almas dos homens que viveram na Terra e começaram a revelar, por meio de diferentes médiuns, de diferentes localidades, as leis divinas que regem os fenômenos espirituais. São, portanto, verdades universais que correspondem a lições que já somos capazes de assimilar, as quais aprofundaremos na medida em que nossa própria evolução permita revelações ainda mais profundas das verdades que regem o Universo.



[1] Kardec, Allan. A Gênese. Cap. 1 Caráter da Revelação Espírita. [trad. Guillon Ribeiro]. Brasília: FEB, 2013.

[2] IDEM.

[3] IDEM.

 
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