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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2018
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Na obra mais importante da Codificação de Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, que contém todos os princípios fundamentais da nossa doutrina, lê-se que a força do Espiritismo “está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso” (Parte Quarta, Conclusão, item VI, página 467 na 93ª edição da FEB).

De resto, nos demais volumes que escreveu, e na Revista Espírita, que editou mensalmente durante uma dúzia de anos, Kardec sempre foi muito explícito e enfático chamando nossa atenção, reiteradamente, para a imperiosa necessidade de submetermos ao crivo da lógica quaisquer informações de natureza doutrinária, mesmo as provindas de líderes ilustrados, de médiuns distintos e de Espíritos superiores.

Por que, então, o movimento espírita brasileiro anda infestado de modismos destoantes dos ensinamentos da obra kardequiana?

O escritor José Venício de Azevedo, valoroso companheiro de ideal, que nos honra com a leitura atenciosa desta coluna, já nos alertou através de e-mail meses atrás para a existência de mais de dez “Espiritismos”, além dos professados pelos irmãos “evangélicos”, roustainguistas, e “laicos”, intelectualistas.

Eis a seguir algumas espécies de companheiros da flora e fauna não kardecista:

Os ortodoxos, que vivem agarrados na Bíblia; os monistas, adeptos das teorias do italiano Pietro-Ubaldi, que além de se opor ao dualismo kardequiano admitem a tese católica da queda do espírito em sua evolução, podendo regredir até desaparecer se autodestruindo; os ramatistas, veganos (vegetarianos na alimentação) e fissurados em discos voadores; os dialéticos, tão sofisticados em termos culturais que desprezam todos ou autores espíritas brasileiros e só prestigiam os estrangeiros como a argentino Manuel S. Porteiro; os transcomunicadores, que se relacionam com o Além trocando os médiuns por aparelhos eletrônicos; os armondistas, afeitos às práticas esotéricas; os projeciologistas, partidários da “ciência” nova que o médium Waldo Vieira “criou” quando rompeu com o Chico Xavier e dele se separou; os apometristas, e por aí vai...

Voltamos a indagar: por que ocorre esta diversidade grotesca na concepção do Espiritismo?

Seguramente, a resposta é esta: porque exaltamos muito a Codificação de Allan Kardec mas a estudamos pouco, e ainda menos a seguimos, direcionando nossos passos com a racionalidade lógica, isto é, com o bom senso, predicado da inteligência que começa pela lucidez crítica, analisando de maneira honesta e útil fatos e ideias.

Infelizmente o pensamento crítico não pode se manifestar em nosso meio institucional, onde impera rigorosa censura habilmente disfarçada, decorrente de uma falsa noção do sentimento caridoso.

Sabemos por experiência própria que, para atuar na imprensa espírita atualmente, um articulista que se preza, e acima de sua pessoa preza a doutrina, quando não encontra um jornal independente como este fica sem alternativa, por não aceitar ser vaquinha de presépio...

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