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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2018
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Antes de tratarmos de nosso tema, vamos dar uma olhada ligeira no que chamamos de método experimental. Do ponto de vista da ciência tradicional, a organização intelectual do evento científico passa pelas seguintes etapas. Em primeiro lugar, vem a observação, pois não se pode falar de ciência sem a observação direta ou indireta. A ciência clássica, portanto, reivindica para si a objetividade como uma necessidade fundamental. Não basta, porém, que se observe um determinado fato. Torna-se necessário que se busque uma explicação para ele, entretanto, nem sempre podemos explicá-lo facilmente, daí a necessidade de se buscar explicações provisórias, a que chamamos de hipótese. Uma hipótese não é falsa ou verdadeira, mas uma possibilidade de explicação de um determinado fato.

Imaginemos que uma família esteja passeando de carro, à noite, por uma estrada, quando algo luminoso corta o céu. Nesse primeiro momento, estamos frente à observação. Então a filha mais nova que está acompanhada com o namorado diz: “Passou uma estrela, façam um pedido”. O irmão da moça, aficionado em discos voadores, fala: “Que estrela o quê? É um OVNI”. Do alto de sua sabedoria, o pai pondera: “Nada disso. Trata-se de uma dessas sondas que os americanos colocaram no espaço”. O que é que foi visto, de fato? Uma estrela cadente? Um OVNI? Um artefato humano? Todas essas explicações são meras hipóteses e, inclusive, nenhuma delas pode estar correta.

Como se pode verificar, em termos científicos, a validade de uma hipótese? Só há um modo: a experimentação. Por meio da experimentação, colocamos em cheque as hipóteses sustentadas. É a experimentação que valida, não uma hipótese. Tomemos um exemplo: em um certo lugar há uma casa mal-assombrada onde acontecem fatos insólitos. Segundo a hipótese espírita, não há fenômeno dito paranormal sem a presença de um médium. Assim, se escolhe, na família, uma pessoa que possui características mediúnicas e afasta-se essa pessoa de casa. Afastada a pessoa, cessa o fenômeno. Logo a hipótese está correta.

Kardec aconselha aos espíritos que não se deixem enganar pela emoção ou pela credulidade. Deve-se estudar com seriedade e rigor científico e se comportar ante a um fenômeno mediúnico possível com extrema cautela.

Deve, por exemplo, esgotar primeiro todas as explicações materiais de um evento antes de introduzir, no caso, a tese espírita. Tenho um tremor no corpo e digo: “Há um irmãozinho aqui”. Esta afirmação é inteiramente leviana e apressada, pois pode ser apenas um choque térmico. Espíritas, não nos esqueçamos de que Allan Kardec pediu insistentemente no sentido de cuidar da mediunidade de um ponto de vista sério e o mais científico possível, se deseja realmente o progresso de sua proposta doutrinária. Sem isso, a pessoa se expõe a si mesma ao ridículo, serve às forças das trevas e expõe o espiritismo às críticas daqueles que o combatem.

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