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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2018
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Iniciamos no escrito precedente uma breve contudo clara e objetiva definição do Espiritismo, a qual tentaremos complementar no presente texto.

Fechamos o artigo anterior afirmando que, em nossa opinião, o Espiritismo é uma filosofia de bases científicas e consequências religiosas. Vamos hoje explicar porque pensamos deste modo.

Sempre se discutiu muito entre nós, tediosa e infrutiferamente, se o Espiritismo é uma ciência ou uma religião.

Na realidade ele não é uma coisa nem outra, porque é as duas simultaneamente sendo uma FILOSOFIA. Allan Kardec assim o classificou antes de defini-la especificamente, colocando na folha frontal de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, acima do título da obra, a expressão Filosofia Espiritualista. Os seres do outro mundo autores dos ensinamentos contidos na mesma confirmaram nela a lúcida classificação do mestre de Lyon, conceituando a doutrina como “uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema.” PROLERÔMENOS, página 49 na 93ª edição da FEB).

Posteriormente ao lançamento de seu primeiro e mais importante livro há pouco citado, o codificador escreveu uma brochura inteira intitulada O QUE É O ESPIRITISMO, só para dirimir dúvidas sobre o caráter essencial do Espiritismo. Nela declara, no Preâmbulo, em letras maiúsculas, que “O ESPIRITISMO É, AO MESMO TEMPO, UMA CIÊNCIA DE OBSERVAÇÃO E UMA DOUTRINA FILOSÓFICA”. Logo a seguir aduz, em letras minúsculas, que o Espiritismo pode ser definido como uma ciência, mas não uma ciência em termos gerais comum, e sim “uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos”, o que, convenhamos, é pura filosofia. A bem da verdade destaquemos que no prolongamento da frase volta Kardec a considerar o Espiritismo como ciência, todavia ciência das relações dos Espíritos com o mundo corporal.

Em razão disso podemos afirmar, como o fazia o grande pensador Dr. Carlos Imbassahy, maior defensor do Espiritismo em terras brasileiras, que nossa doutrina possui um tríplice aspecto: filosófico, científico e religioso.

Isto é correto, mas não se justifica dizer-se, simplesmente, que o Espiritismo é uma ciência, sem alusão à sua base filosófica e ao seu objetivo religioso, que por ser eminentemente ético, moralizante, não deixa de expressar religiosidade, pois é centrado na fé em DEUS, embora raciocinada, e assume o ensino moral de Jesus.

Para mais fácil entendimento desta questão, complexa, já publicamos em livro uma definição do Espiritismo figurando-o como uma aeronave, que voa alto no céu do conhecimento sustentado por duas asas: uma é a ciência, a outra é a religião, ou religiosidade. Não precisamos identificar o corpo central do referido avião como a filosofia que une as duas asas, basta-nos citar o bom senso, ou a racionalidade lógica, como o leme direcionador da sua rota, para lhe possibilitar o transporte de passageiros ignorantes das leis divinas da pista do sofrimento até ao aeroporto da alegria de viver trilhando o caminho do amor ao próximo.

Ficamos por aqui, com a esperança de ter projetado alguma luz esclarecedora sobre o polêmico assunto.

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