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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2018
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“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo...” (João18:36)

A resposta acima foi pronunciada por Nosso Mestre Jesus, diante de Pilatos, quando da sua prisão e julgamento. Respondendo ao interrogatório, Jesus era acusado, entre outras, de se auto proclamar o Rei dos Judeus. Naquele instante é questionado se seria o “Rei”. O Doce Rabi da Galileia faz um esclarecimento marcante para a posteridade. Revela a existência de dois reinos: um material, frágil, efêmero, cercado de ilusões. O outro espiritual, eterno e revelado pela verdade esclarecedora. Em outras passagens o Mestre também deixa claro que existem dois tipos de reino: com Nicodemos quando fala “em nascer de novo”. Neste instante o alerta, pois o mesmo não entendia das questões do mundo, como entenderia das espirituais (João 3:12).

Em outra passagem com Marta e Maria (Lucas 38:42). Marta se preocupava com os afazeres domésticos enquanto Maria ouvia o Evangelho redentor. Interrogado por Marta sobre a displicência da irmã, Jesus afirma que Maria havia escolhido “a boa parte”. Em mais uma narrativa, quando ungido pela mulher em Betânia (Mateus 26:6), os discípulos reclamaram do desperdício, pois o unguento poderia ser vendido e revertido em recursos. Ao mancebo rico faz o convite para vender tudo e o seguir (Mateus 19:21).

Questionado se era devido ou não o pagamento dos tributos (Mateus 22:21), informa que é devido a César o que é de César (o tributo) e a Deus o que é Deus (as leis divinas). Em outras passagens podemos citar demais referências de Jesus ao mundo espiritual e a necessidade de não se deixar influenciar pelo que é do mundo (matéria).

 

Como encarar a problemática

É principalmente através da experiência terrena que evoluímos concluindo nosso conjunto de provas e expiações. É aqui que colocamos em prática nosso projeto de evolução. Narram os benfeitores espirituais que o mundo material nos fornece possibilidades para amenizarmos nossas dores e angústias, seja através das artes, da cultura, dos bens materiais que nos proporcionam conforto ou dos naturais, bem como dos costumes de cada época e nação. Atualmente temos vivido um momento de muita intolerância, seja com relação a posicionamentos políticos, religiosos, de comportamento sexual e por aí vai. Decorre que muitas vezes nos deixamos embriagar por estas questões, que acabam por nos influenciar decididamente e retiram o foco nas questões divinas. Perdemos, ou sequer temos, a possibilidade de reflexão sobre os fatos e acontecimentos do mundo, a luz da Doutrina Espírita. Este ponto não e só um privilégio de materialistas ou de demais doutrinas religiosas. Muitas vezes nos deparamos com comportamento idêntico no seio da doutrina espírita. Isso não quer dizer que o espírita não deve interagir com o “Mundo” ou participar das questões do momento, muito pelo contrário é seu dever. Entretanto, qual deve ser sua postura e comportamento diante das polêmicas?

 

Nossa postura

Não há uma “receita de bolo” pronta, tampouco tem a doutrina “receitas” prontas para fornecer. Primeiro a doutrina é bem esclarecedora pois através do Cap. II do ESE, nos fornece uma metodologia de ponto de vista (futuro). Ou seja, se utilizarmos o ponto de vista material com sua vã filosofia e metodologia, teremos uma conclusão equivocada. Precisamos na verdade, do conhecimento espírita-cristão, bem como sua filosofia para poder “encarar” esta problemática de uma forma racional. Para isso necessitamos de fraternidade e humildade para com os nossos semelhantes que pensam de maneira diversa da nossa. Tentar impor uma opinião, ou tentar convencer aquele que pensa de maneira diversa da nossa, só nos trará dificuldades e muitas vezes fazemos isso sem nos perceber e até de maneira dissimulada inconsciente.

Pode o espirita cristão se abster de qualquer discussão estéril e pueril que envolva radicalismo, ódio e paixão. Vale ressaltar que tal postura traz desequilíbrio e desarmonia, a pessoa, bem como ao ambiente em que se encontra. Notamos ainda, uma influência muito grande do espírito farisaico em nossas raízes.

 

Bibliografia

- Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada. – 1 ed. 1 reeimp. – São Paulo: Paulus, 2013.

- Kardec, Allan, 1804-1869. O Evangelho Segundo o Espiritismo / Allan Kardec; tradução de Albertina Escudeiro Sêco. – 5. ed. – Rio de Janeiro: CELD, 2010.

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