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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2018

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Melissa Santos

Melissa Santos

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É preciso falar sobre o assunto nas casas e mocidades espíritas

 

O Brasil tem acompanhado a divulgação de inúmeros casos de feminicídio. No mês de agosto, pelo menos quatro deles ganharam repercussão nacional. Mas nem todos chegam à grande mídia. Os números de atos de violência e mortes de mulheres são muito altos.

Feminicídio é o termo usado para denominar assassinatos de mulheres cometidos em razão de gênero. Estima-se que no Brasil doze mulheres sejam assassinadas por dia. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), nosso país é responsável por 40% deste tipo de crime em toda a América Latina. Nós ocupamos o sétimo lugar nessa triste estatística.

Só esses números já seriam suficientes para que diálogos acontecessem. Mas a verdade é que o feminicídio ainda pode ser considerado um tabu. Isso porque, muitas vezes, ele esconde um comportamento social machista e uma visão errada de inferioridade feminina.

Mas o que a Doutrina Espírita fala sobre isso?

Vou citar aqui alguns trechos de “O Livro dos Espíritos”. No capítulo sobre a Lei de Igualdade, Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher, na pergunta 817, Kardec questiona: “São iguais perante Deus o homem e a mulher e têm os mesmos direitos?” E os Espíritos respondem: “Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?”. Para deixar ainda mais claro, Kardec mais uma vez interroga na 818: “Donde provém a inferioridade moral da mulher em certos países?” E a resposta: “Do predomínio injusto e cruel que sobre ela assumiu o homem. É resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre homens moralmente pouco adiantados, a força faz o direito.” Seguindo o raciocínio, vou para a 822: “Sendo iguais perante a Lei de Deus, devem os homens ser iguais também perante as leis humanas? O primeiro princípio de justiça é este: Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fizessem.”

Crimes de feminicídio também estão relacionados ao sentimento de posse. Ainda confundimos ciúmes como forma de amor. E isso é um engano que não podemos alimentar!

No capítulo “das penas e gozos terrestres”, pergunta 933, os Espíritos advertem: “A inveja e o ciúme! Felizes os que desconhecem estes dois vermes roedores! Para aquele que a inveja e o ciúme atacam, não há calma, nem repouso possíveis. A sua frente, como fantasmas que lhe não dão tréguas e o perseguem até durante o sono, se levantam os objetos de sua cobiça, do seu ódio, do seu despeito”.

No Brasil, desde 2015, feminicídio é crime. A Lei nº 13.104 transformou esse tipo de ato em hediondo, e consequentemente, com penas mais altas. Em um homicídio simples, a pena varia de 6 a 20 anos. Já para feminicídio pode variar de 12 a 30 anos de prisão.

O combate ao feminicídio muitas vezes conta também com a nossa ação. Os casos recentemente divulgados trouxeram à tona a inércia de muitas pessoas, diante de uma discussão de casal ou até mesmo ao presenciar uma agressão. A frase popular “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” ainda ecoa na nossa sociedade de forma errada. É preciso sim denunciar! Existe a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, que recebe e apura denúncias em todo o Brasil. Basta ligar gratuitamente para o 180. O serviço funciona 24 horas, todos os dias. Em casos mais extremos, pode-se também ligar para a polícia, no 190.

E se ainda estiver na dúvida sobre denunciar ou não um caso de violência, lembre-se da pergunta 642: “Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.” Nós, espíritas, não podemos ser omissos. Devemos sempre agir para ajudar ao outro ou para nos melhorar.

Se você é homem e pratica violência contra a mulher, seja física ou psicológica, já está mais do que na hora de parar e mudar a maneira de agir. Se tiver dificuldades, procure ajuda de um especialista. Se você, mulher, que lê esse artigo, passa por qualquer tipo de violência, é hora de se afastar do companheiro e denunciar as agressões, para o seu bem e também dele. Quanto aos que não passam diretamente por esse tipo de situação, também podem ajudar a diminuir os assustadores números de feminicídio. Eduquem desde cedo as crianças sobre a igualdade de direitos de homens e mulheres, não fomentem qualquer tipo de violência, e lembrem-se de denunciar quando estiverem diante de uma agressão. Só com a união, a educação e o entendimento é que iremos conseguir diminuir os casos de feminicídio no Brasil.

  

Fonte bibliográfica

O Livro dos Espíritos, Kardec Allan questões 642,817,818,822 e 933

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