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A importância dos manuscritos

 

Uma das descobertas mais importantes na esfera dos estudos bíblicos aconteceu na primavera de 1947. Naquela época, um pastor de nacionalidade árabe chamado Mohammed el Dib (o chacal) andava à procura de cabras perdidas quando entrou em uma caverna nas proximidades do Mar Morto. De repente e, por acaso, o rapaz encontrou ali uma grande quantidade de rolos de pergaminho que se encontrava envolvida em pano de linho e escondidos em vasos  cilíndricos  que se estavam apoiados em uma plataforma  com cerca de 70 centímetros do solo.  A descoberta não foi logo revelada em virtude de uma série de complicações e apenas, no ano seguinte, foi que o mundo intelectual ficou informado do precioso achado porque alguns textos chegaram às mãos do erudito professor israelita, por nome Sukenic que trabalhava na Universidade de Jerusalém.

Os textos que chegaram até Sukenic eram: um manuscrito fragmentado do Livro de Isaías, um rolo com hinos de gratidão e um outro rolo conhecido como Pergaminho da Guerra. Os outros textos foram adquiridos pelo Convento Sírio-Ortodoxo de São Marcos De Jerusalém,pertencente ao Distrito do Jordão. Dali seguiram para A Escola Americana de Pesquisas Orientais que também fica na cidade de Jerusalém. Nesta outra série detextos, encontram-se :   Um manuscrito quase completo do Profeta Isaías;  chamado Manual da Disciplina; um comentário do Livro do profeta Habacuc e um livro apócrifo da Gênese, escrito em Aramaico.

Apenas em 1949, foi dada licença para que os arqueólogos pudessem penetrar na região do Mar Morto onde foram encontrados os manuscritos e na caverna onde estavam acondicionados. Entre 1949 e 1956, os arqueólogos trabalharam naquele lugar e recolheram um material considerável: moedas e peças antigas, cacos de cerâmica, pedaços de linho etc. Tudo aquilo sugeria que há muitos anos, mais ou menos 110 anos antes de Cristo, quase no fim do reinado de João Hircano, havia existido naquela região uma colônia judaica florescente. Muito provavelmente, essa colônia ali permaneceu até o ano 68 de nossa Era quando teriam sido destruídos, provavelmente pelos soldados romanos de Vespasiano que, segundo o historiador judeu Flávio Josefo, conquistara a cidade de Jericó na primavera daquele ano. Notaram-se também sinais de um grande cataclismo, um terremoto (o mesmo do que nos fala Josefo) que teria acontecido no ano 31 AEC quando reinava Herodes, o Grande. A falta de moedas desde esse período indica que a comunidade foi abandonada no tempo desse rei.           Durante a busca arqueológica, foram encontradas, nas vizinhanças de Qram mais alguns rolos. Até 1952, o numero total das cavernas havia subido para 39, muitas delas com matéria arqueológico significativo, entretanto, apenas duas, a número II e III possuíam rolos. Na caverna número III encontraram-se rolos de cobre que foram separados e decifrados.

No Verão de 1952, alguns beduínos encontraram a caverna número IV nas proximidades de Qram Wadi. Nesta caverna, haviam encontrado mais de 300 manuscritos, naturalmente escondidos naquele lugar para que os romanos não os descobrissem. Infelizmente, esse material estava bastante danificado. Ratos haviam roído boa parte dele, pássaros bicaram uma outra parte os romanos danificaram o que sobrou, ou seja, cerca de 200 textos. A este material convencionou-se chamar de Os Manuscritos do Mar Morto.

Os textos que sobraram intactos e mesmo os manuscritos mais extensos, tem enorme importância para aqueles que se interessam por religião antiga. Eles mostram como estavam organizadas as sociedades da época, sua hierarquia, alguns rituais importantes como o batismo e o de purificações alimentares. Aos interessados pelo assunto, sugiro o livro de Millar Burrows Os Documentos do Mar Morto e o notável trabalho de Norman Golb, intitulado Quem Escreveu Os Documentos do Mar Morto.

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