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Itair Ferreira

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Jesus – A Pedra Fundamental

 

Itair Rodrigues Ferreira

 

            Li o artigo (abril/11) do Veríssimo, no jornal O Globo, intitulado Outro Jesus. O artigo se refere às palavras que, segundo os evangelistas Mateus e Marcos, Jesus teria dito na cruz: “um grito desesperado naquele dia no Gólgota”, segundo o autor: “Eloi, Eloi, lama sabactani - Deus, Deus, por que me abandonaste?”. Diz mais, o grande jornalista e escritor: “O Jesus suplicante de Mateus e Marcos não é o mesmo Jesus de Lucas e João. É um homem apavorado diante da perspectiva da morte e do silêncio do Pai, sem entender por que o mesmo poder que lhe permitiu fazer milagres não o salva da execução”. E está correto em sua análise. Lucas e João dão as palavras verdadeiras proferidas por Jesus, no momento derradeiro: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lucas, cap. 23:46) e, - “Está consumado!” (João, cap. 19:30). Veríssimo termina o artigo questionando a ausência de explicação para essa passagem bíblica, importantíssima, na vida de Jesus: “A frase que os outros ignoraram, e que a Igreja nunca explicou, ainda ecoa, dois mil anos depois”. Devo informar que há uma explicação na exegese espírita.

 

            O evangelista João foi o único, dos doze apóstolos, que esteve sempre com Jesus, inclusive no momento da crucificação, ”no lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico”, todos os outros debandaram com medo da represália, dos sacerdotes judeus e do povo. “Jesus, vendo a sua mãe, e junto a ela o discípulo amado (João), disse: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante o discípulo a tomou para casa”. No seu evangelho ele diz: “Este é o discípulo que dá testemunho a respeito destas coisas, e que as escreveu, e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro”.

 

            O evangelista Lucas não foi discípulo de Jesus. Era um médico grego que não O conheceu. Tornou-se discípulo de Paulo de Tarso, que, não podendo escrever sobre a vida de Jesus, devido à sua missão recebida na estrada de Damasco, do próprio Jesus, quando ia em  perseguição aos cristãos, pediu-lhe que o fizesse, e que também contasse sobre os atos dos apóstolos. Lucas assumiu esse compromisso e, como um homem bondoso e culto, cumpriu muito bem a sua tarefa. Foi em busca da fonte fidedigna que poderia lhe fornecer todos os passos de Jesus: Maria Santíssima, que estava morando com João, o evangelista, numa casinha na colina em Éfeso, em frente ao mar, que lhe foi doada pelos seguidores de Jesus da igreja de Éfeso. Por isso, Lucas e João registraram com veracidade o que aconteceu. João, porque testemunhou, e Lucas porque recebeu as informações de Maria, mãe de Jesus, e João, o discípulo amado, assim chamado, porque muito amava.

 

            Quanto ao grito que os evangelistas Mateus e Marcos descrevem: “Eloi, Eloi, lama sabactani”, diz o apóstolo do Espiritismo, Cairbar Schutel, no seu livro O Espírito do Cristianismo: “estas exclamações, dizem diversos Espíritos que se encarregaram de elucidar a Doutrina do Mestre, de fato, foram ouvidas, mas não partiram dos lábios de Jesus e, sim, do bom ladrão, crucificado na mesma ocasião que o Senhor e quem este havia prometido consoladoras esperanças, e que morrera depois de Jesus exalar o último suspiro”. O bom ladrão, segundo o Dr. George Lamsa, competente conhecedor da Bíblia, nascido no Kurdistão, onde se fala o aramaico, a língua de Jesus, recebeu do Mestre a resposta para o seu grito de desespero: “Te digo hoje, estarás comigo no paraíso”. Não disse quando. Deu-lhe a esperança de que estaria um dia no paraíso, assim como todos teremos a suprema felicidade, um dia. O tempo dependerá de nós, da nossa escolha. Mas fomos criados para a suprema felicidade.

 

            Diz mais, Cairbar Schutel, que “um Espírito da têmpera de Jesus não poderia ter desfalecimento naquele momento solene, em que deveria legar ao mundo o juízo que a sua Doutrina faz da morte, e a coragem que nos proporciona para enfrentar aquele transe”.

 

            Jesus Cristo é construtor e governador do nosso planeta, conforme o Espírito Emmanuel, na psicografia de Chico Xavier, no livro A caminho da Luz, História da Civilização à Luz do Espiritismo. Obra psicografada em 34 dias, de 17 de agosto a 21 de setembro de 1938, usando somente as horas de intervalo do Chico no atendimento aos necessitados, e, na questão nº 85, do livro O Consolador, “Jesus foi o divino escultor da obra geológica do planeta”.

 

            Cristo e Messias são a mesma coisa, adjetivo, significando Ungido, tanto em latim, quanto em hebraico. Ungido, “Eleito, que se elevou para Deus em linha reta, sem as quedas que nos são comuns”, questão 277, do livro “O Consolador”. Quando O designamos Jesus Cristo, estamos dizendo Jesus, aportuguesando o seu nome, Jeshuah ben Yussef, Jesus, filho de José, esse o seu nome, e Cristo, o Ungido, o Eleito por Deus, cujo “aparecimento na Terra foi no ano 749 da era romana, apesar da arbitrariedade do Frei Dionísio, que, calculando no século VI da era cristã, colocou erradamente o vosso natalício em 754”, segundo o Espírito Humberto de Campos, no livro Crônicas de Além-Túmulo.

 

            Jesus Cristo é o fundamento da nossa existência na Terra, A nossa pedra fundamental. No século IV e V, Agostinho, o bispo de Hipona, considerado um dos pais da Igreja Católica, escreveu que Jesus não nomeou o apóstolo Pedro como “a pedra fundamental”. Jesus é a pedra fundamental, como bem afirmou o apóstolo, no momento de inspiração: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”, e Jesus redarguiu: Bem-aventurado és Simão Barjonas, porque não foram a carne e o sangue quem to revelou, mas meu Pai que estás nos céus. É esta a convicção de Agostinho, que ele sempre afirmou e nunca revogou, nem mesmo no seu livro Retractationes. No seu tempo, o puro cristianismo acabava de ganhar a liberdade com o Edito de Milão, assinado pelo imperador Constantino Magno, que fez do cristianismo a religião oficial do Estado, no dia 13 de junho de 313. A partir daí, os perseguidos cristãos tornaram-se perseguidores, como demonstra a História, criando-se dogmas para manter a hegemonia do poder até a declaração da infalibilidade do papa no primeiro Concílio Vaticano, no ano de 1870, por Pio IX.

 

            Esse é o Jesus que conhecemos pelo estudo dos seis aspectos principais de análise: Apologética, exegese, hermenêutica, criticismo textual, criticismo literário e pela arqueologia, apoiada nas escavações.

 

            Relata João, que, nas palavras de despedida, Jesus disse: “Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só; contudo não estou só, porque o Pai está comigo. Estas coisas vos digo para que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo eu venci o mundo.

 

Muita paz!

    

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