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Pedro Valiati

Pedro Valiati

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No início de maio foi judicialmente reconhecido no Brasil todos os direitos relativos à união homossexual. Entre apoio e protestos, tal lei demonstra a maturidade de uma sociedade em aceitar a minoria, motivando o exemplo para muitos e reflexão para outros tantos.

Recorramos a Carl Gustav Young, apenas para fomentar e iniciar a nossa reflexão de hoje.

“Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa, que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar, inclusive o meu inimigo, em nome de Cristo, tudo isto, naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude. O que faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço. Mas o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar.”

No início de maio foi judicialmente reconhecido no Brasil todos os direitos relativos à união homossexual. Entre apoio e protestos, tal lei demonstra a maturidade de uma sociedade em aceitar a minoria, motivando o exemplo para muitos e reflexão para outros tantos.

Apenas de forma elucidativa, muito mais aproveitando a oportunidade, vejamos o que o Livro dos Espíritos nos traz acerca do homossexualismo:

202. Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?

“Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.”

Comentário de Kardec: Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.

Portanto, OLE deixa de forma clara e patente que a homossexualidade não passa de experiência necessária ao espírito, seja como prova ou expiação. Naturalmente, que o espírito encarnado por diversas oportunidades em um pólo sexual estranhará o novo “habitat” do espírito, em polaridade invertida. Isso traz à tona as diferenças no proceder e principalmente no sentir e, consequentemente, no agir. Portanto, a homossexualidade não é doença, é apenas uma experiência, um aprendizado necessário aos olhos de Deus. Nosso papel é respeitar-lhes as escolhas. Por vezes, a encarnação em corpo inverso à bagagem espiritual é prova duríssima, atentemos para não dificultar-lhes a jornada, transformando o respectivo aprendizado em prova ainda mais dura. Tal ato reveste-se em pura falta de caridade. Sendo mais abrangente na questão, há muito as minorias vem sofrendo. O Brasil não é exceção. São ações e declarações homofóbicas incitando a raiva, atos de violência a indígenas e moradores de rua, queimando-os em puro ato de vandalismo e barbárie. Em uma escala bem menor de hediondez, o próprio bullying, palavra da moda, também é verdadeiro exercício contra a cidadania, a amizade. A definição de preconceito já não cabe mais para esses casos, é preciso ir além. Necessário se faz analisarmos os nossos conflitos interiores, pois, por trás de atos de violência injustificáveis contra o próximo pode estar o puro reflexo da miséria moral.

Podemos classificar como conflito toda e qualquer querela não resolvida, situação ainda a inflamar a raiva, a ira, a revolta em nós. Quando não aplicamos a dose diária de tolerância nas situações não resolvidas, estas crescem, viram conflitos, irritação crônica, revolta com o mundo. Em algumas mentes doentes cria-se uma enorme necessidade de extravasar para todos a revolta sentida, como uma metralhadora giratória, uma missão na qual acham-se investidos. Mentes adoecidas, entorpecidas pelo sofrimento interior. Descontam as próprias frustrações em forma de violência contra as minorias. Preocupam-se demais em atacar as angústias alheias por não terem forças e nem coragem de lutar contra as respectivas. Eis o motivo dos ataques covardes, a covardia moral em olhar para si, resolver os próprios conflitos. Naturalmente, que me refiro aos atos mais extremistas, os quais passam dos limites da justiça.

Entretanto, interessante se faz a reflexão de todos acerca do respectivo comportamento, as irritações crônicas, as mágoas infindáveis, as frustrações na família e no trabalho, a revolta excessiva em relação às notícias cotidianas. Todos esses podem ser reflexos de angústias mal resolvidas, necessitadas do tratamento da reflexão e do auto-amor, em forma de tolerância. Para o mau humor e irritação eterna, naturalmente, é mais fácil culpar o mundo. Por vezes, quando vasculhamos o nosso íntimo, verificamos que as maiores revoltas e mágoas se encontram latentes em nós. Impossível conviver bem, se a matriz, o espírito, a consciência está doente. Como disse Jung, o maior inimigo pode estar dentro de nós e este necessita de altas e pacientes doses de amor.

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