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A palavra glamour significa encanto e sedução. Esta definição nos leva  a perguntar: Haveria algum encanto no suicídio? A resposta, por incrível que possa parecer, é positiva para algumas pessoas (felizmente só algumas). Elas vêm o suicídio como um gesto de bravura e não de desespero . Compete-nos aqui, portanto, dizer algumas palavras sobre o suicídio.

Certa vez, um amigo professor universitário que se dizia ateu, falou-me com uma certa arrogância: “ Leal, meu amigo, eu considero  a vida como um banquete para o qual eu não fui convidado mas tenho que participar. Sendo assim, considero o suicídio um ato legítimo, uma recusa de participar de um banquete em que  já comi demais e não gostaria de continuar comendo.” Apesar da fragilidade de tal argumento, algumas pessoas que estavam presentes à nossa conversa balançaram a cabeça em sinal de concordância com o que haviam ouvido.

O pensamento que dá  legitimidade ao ato de por fim à própria vida, não resiste a um exame mais demorado quando visto do ponto de vista espírita. As obras de André Luiz nos mostram a reencarnação como uma oportunidade  maravilhosa de  progresso espiritual e também nos diz  sobre a complexidade  de uma encarnação e a quantidade de espíritos que se encontram nela envolvidos. Em um livro notável intitulado "Missionários da Luz", o espírito André Luiz nos conta um episódio que se poderia chamar de “A reencarnação   de  Segismundo”. Em um certo momento da narrativa em questão, Alexandre, o espírito instrutor nos diz o seguinte:

Já observei o gráfico referente ao organismo físico que o  nosso amigo receberá no futuro,verificando de perto as imagens das moléstias do coração que sofrerá em idade madura como consequência da falta cometida no passado. Segismundo experimentará  grandes perturbações  dos nervos cardíacos, mormente dos nervos do tônus. (André Luiz Missionários da Luz P. 196).

Esta passagem é muito elucidativa. Nela podemos ver  o processo reencarnatório, por dentro, por assim dizer. André nos revela, então, que o mergulho na carne não é acidental, mas planejado com todo zelo. Este  espírito nos afirma que existe um gráfico no qual se pode ver o organismo do futuro reencarnante e a doença que o atingirá na idade adulta. Fica também bastante claro que a doença não possui um caráter punitivo mas regenerador,  uma vez que ela é resultado de erros cometidos em vidas passadas ou da Lei de Causa e Efeito. Depois de tanto trabalho e planejamento o espírito reencarna e,  frente à dificuldades, às vezes, nem tão grandes, põe termo à vida. |Isto é, no mínimo,  um ato de ingratidão.

Um outro  argumento a favor do suicídio é a crença em que, ao se matar, o suicida resolve o problema que o levou ao gesto extremo. Esta argumentação  é de origem materialista pois as pessoas que vivem segundo este ponto de vista acreditam que depois da morte nada mais existe . Este argumento não é válido para os espiritualistas e principalmente, entre esses, os espíritas.

Para os partidários da doutrina dos Espíritas  o espírito é imortal e ao deixar esta existência, vamos para uma dimensão a que   chamamos de Plano Espiritual onde a vida continua, sendo  muito semelhante àquela que tínhamos quando encarnados.  Desta maneira, o suicida não só  leva consigo para o outro lado o problema que o angustiava como acrescenta outros oriundos de seu gesto tresloucado. Isto fica muito claro no livro póstumo do escritor romântico português Camilo Castelo Branco que se intitula "Memórias de um Suicida", psicografado pela médium Ivone A Pereira. Nesse livro a situação  post - mortem de um suicida é pintada com cores muito fortes:

O suicídio é a dor que nada consola. A desgraça que nenhum favor ameniza, a tragédia que ideia alguma tranquilizadora vem orvalhar a esperança! Não há luz, não há sol, não há perfumes, não há tréguas.

O espírito Emmanuel, em seu livro "O Consolador", psicografado por Francisco Cândido Xavier , na questão 146 faz profundas colocações a respeito do suicídio.Nesse livro, Emmanuel nos lembra que o suicida ,voluntário ou involuntário, contrai pesados débitos  para com a lei divina, débitos esses que ele deverá resgatar em encarnações  dolorosas mas corretoras.

Em "O Livro dos Espíritos",  questões de 943 a 957 há um  excelente estudo sobre o suicídio do ponto de vista espírita.  Nesta sessão  do livro a que nos referimos temos as seguintes afirmações  fundamentais para o nosso tema:

O homem não tem o direto a dispor de sua vida. ( Q.944 )

O suicídio pode ser voluntário e  involuntário.( a. Q. 944)

Não se pode dar como desculpa para o suicídio  as agruras desta vida.( Q. 945)

Aquele que induz alguém ao suicídio deve ser considerado como um homicida.( a.Q. 946)

Como nas leis humanas  existe atenuantes para certos atos criminosos. Também  a Lei divina também pode levar em consideração  certos casos  de auto-eliminação. ( Q. 949)

É insensato o homem que se mata na esperança  de alcançar uma vida melhor.( Q.950)

Quando alguém  morre para salvar uma outra pessoas, este ato, se sincero e verdadeiro não, não constitui suicídio.( Q.951)

A Eutanásia é uma forma de suicídio e, portanto, condenável. ( Q. 953)

 

Do que aqui ficou exposto podemos concluir que  o suicídio não possui o menor glamour, pois é um ato de rebeldia, insensatez ou mesmo loucura com graves consequências para o espírito.

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