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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2013
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Associação Médico-Espírita do Estado do RJ
(www.ame-rio.org.br)

   Espirito É essencial para o ser encarnado cuidar muito bem do seu corpo físico para que possa aproveitar muito bem sua estada na Terra, tendo a chance mais facilitada do aprimoramento espiritual. Vivenciando um estilo de vida desfavorável, devido à má alimentação, diminuindo cada vez mais as horas de sono e sedentário, o indivíduo caminha aceleradamente para o suicídio inconsciente, tornando não produtiva sua atual caminhada terrena.
    É importante, igualmente, o homem, além dos cuidados físicos, preocupar-se com sua higiene espiritual. Não bastam apenas os salutares cuidados com o corpo somático, sem a preocupação do alimento espiritual. Ensinou o Mestre dos mestres, ratificando o Antigo Testamento, que "nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Deuteronômio 8:3 e Mateus 4:4). Enfatizou o Cristo: "Não andeis preocupados com o que haveis de comer ou com o que haveis de beber. Basta a cada dia o seu mal. Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas" (Lucas12: 27 a 31).
    O caminho a seguir é o Evangelho de Jesus, onde o viajor terrestre obterá todos os subsídios para se tornar um vencedor e receber a coroa da vida, desencarnando em paz e alegria. O Cristo disse: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou. Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou. Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu. Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede". (João 6:27-36).
    Jesus, realmente, é o mestre por excelência, sendo o caminho, a verdade e a vida. Buscando-lhe a intimidade sublime, a humanidade estará apta a negar a si mesma, isto é, poder fazer uma autoanálise e iniciar uma guerra contra a sua inferioridade, policiando todos os atos e pensamentos malfazejos e seguir verdadeiramente o Cristo, deixando exteriorizar-se, em toda a plenitude, a centelha divina que lhe dá a vida. "Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade" (1 Jo. 2:4).
    O Mestre, como instrutor da humanidade, mostra a trilha bendita a ser seguida, mas de maneira nenhuma carrega a cruz da humanidade, a qual tem que ser levada por ela própria (enfermidades, paralisias, deformações físicas, disfunções sexuais, sofrimentos de todos os matizes etc.). Diante desses embates, o homem sabe que Jesus lhe ampara os passos e lhe fortalece o ânimo, ensinando-o como superar o "Getsêmani" dentro de si, engolfado que está diante do medo, da aflição e da dor (..."negue-se a si mesmo, carregue a sua cruz e siga-me"- Marcos. 8:34").
    Exemplificar os ensinamentos do Mestre é a receita para ser vencedor nos embates da evolução espiritual, procurando sempre, em todos os momentos, praticar o bem e se esforçar para expungir todo o mal que ainda persiste em perdurar em si. O Cristo exortou o homem terreno a amar os seus inimigos, fazendo o bem até para os que lhe odeiam, como igualmente orar pelos que lhe perseguem e caluniam. Disse que o indivíduo que ama apenas os que lhe amam, nenhuma recompensa terá. Afinal, exclamou Jesus, não fazem assim também os publicanos? Quanto a saudar apenas os irmãos, disse o Mestre: Não fazem o mesmo os pagãos? (Mateus, 5:44, 46 a 48).
Em verdade, o Cristo deixou para a humanidade sublimes exortações, dizendo-lhe que se esforçasse para lograr êxito. Seus ensinamentos não foram em vão, porquanto, segundo ensinamento da questão 776, de O Livro dos Espíritos, todos os espíritos foram criados por Deus como seres potencialmente perfeitos, portanto suscetíveis à melhoria espiritual, podendo alcançar a perfeição relativa. Durante a evolução do Espírito, há o despertamento de todas as potencialidades divinas adquiridas no momento de sua fecundação cósmica.
Diz Allan Kardec: "Em que consiste essa perfeição? Jesus o diz: "Em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem". "Mostra ele desse modo que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes" (Capítulo XVII, 1 A 6 de OESE). Sem a Doutrina da Reencarnação não teria sentido os ensinamentos do Cristo, exortando a amar os inimigos e ser perfeito como Deus, em uma só existência.
    Ensina a Doutrina Espírita que "o homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam. O homem de bem em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade".
    "O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam". "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más".
Disse Paulo, o "Apóstolo dos Gentios": "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. O amor é paciente, é benigno; o amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade (...) Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor".
    Portanto, cuidar do espírito é vivenciar o amor em todos os momentos, praticando a caridade, realmente vendo o próximo como a si mesmo. Compulsando as letras do Novo Testamento, há significativas passagens, nas quais Jesus revela o caminho a seguir para todos os que desejam ser vencedores de si mesmos, denominando esse processo regenerativo de "salvação". No Evangelho de Mateus (25:34 a 40), o Mestre refere-se aos eleitos ou salvos como aqueles que o servem na pessoa do próximo, isto é, a todos que exercem a fraternidade legítima, amando intensamente o semelhante e praticando verdadeiramente a caridade. O texto, grandioso e magnânimo, é o seguinte:
    "... Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me. Então perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes".
    Em um momento tão solene, quando o Cristo profetiza a respeito da separação entre bons e maus, não há menção de qualquer religião ou plano especial de salvação. Jesus declara salvos aqueles que o seguem, exercitando o amor exemplificado por ele. Acima de qualquer rótulo, está assentado o título de servidor. Na Parábola do Bom Samaritano é outorgada a um homem idólatra essa pomposa designação, desde que exerceu a fraternidade legítima, amparando o homem largado na estrada.
    O passaporte que levará o ser humano ao conhecimento pleno de si mesmo é, verdadeiramente, o amor, alavanca a lhe impulsionar degraus acima da escalada evolutiva. Exercitando-se cada vez mais na prática do amor em ação, a humanidade estará capacitada a descortinar a essência divina existente em si.
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