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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2013
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     As mãos são órgãos dos mais importantes do corpo humano e suas inúmeras funções proporcionam ao espírito encarnado a oportunidade valiosa de crescimento nos embates da vida, desde que nada pode ser realizado, na arena física, sem o seu uso. A integração do indivíduo com o mundo que o rodeia se faz principalmente com o trabalho das mãos, as quais são dotadas de aprimoradas sensibilidade e mobilidade, ressaltando a preensão e o exercício do tato. Nos seres desprovidos da visão e audição, a utilização das mãos favorece a conexão com o meio externo, possibilitando o reconhecimento do que está ao redor.

     Na evolução darwiniana, antes de surgir o homem, na Terra, houve o ciclo de aparecimento dos ancestrais dos hominídeos, os quais apresentavam corpos robustos e seus segmentos terminais de cada membro já exercitavam movimentos especiais, principalmente com os polegares e com os dedos grandes dos pés, dotados da oponibilidade com os outros dedos. No gênero humano, não se encontra mais o hallux (o dedo grande do pé) oponível aos outros dedos.

     Na fase hominal, eclodindo o intelecto, os seres têm consciência plena de si mesmos e da instigante certeza da sua própria morte, todos animados pelo "princípio inteligente individualizado" ou espírito. Começam, então, a exercitar melhor sua capacidade criadora, a partir do domínio completo dos músculos das mãos, decorrente do acentuado desenvolvimento da área do córtex cerebral que os comanda. De imediato, desponta nova alvorada, possibilitando expressarem e transmitirem sensações ou sentimentos, através da habilidade manual.

     Os homens primitivos, vivendo dentro de cavernas, davam vazão a estados de espíritos de caráter estético, realizando pinturas na rocha, como posteriormente, construindo estelas, monumentos edificados em pedras, destinados à ritualização, inclinados na conclamação do divino, do imaginário e do desconhecido.

     A desenvoltura das mãos, no decorrer dos séculos, permitiu que, a partir das pinturas das cavernas, surgissem verdadeiras preciosidades através das mãos valorosas de Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo, Monet, Renoir, Van Gogh, Matisse, Picasso, Munch, Salvador Dali e muitos outros. As mãos de dois dos maiores artistas de todos os tempos, Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo, são responsáveis pela criação de verdadeiras “obras-primas”, tanto nas pinturas, como nas esculturas. Os gênios da música, como Mozart, Beethoven, Bach, Tchaikovsky, Chopin, Vivaldi, Ravel, Brahms, Haendel, Haydn, Schubert, Bizet, Debussy, Mendelssohn, Verdi, Rachmaninov, Wagner, Berlioz, Schumann, Mahler, Villa-Lobos, Liszt, Strauss e muitos outros, com suas virtuosas mãos, encantaram o mundo pela transcendência de suas obras, captando mediunicamente o som das estrelas mais distantes do Universo, materializando sob a forma de ondas musicais o verbo divino.

     As mãos, a par da execução de obras artísticas, são importantíssimas nas profissões que exigem o seu uso com muita precisão. Podem salvar vidas as mãos abençoadas dos médicos, principalmente cirurgiões, e bombeiros. A prática da odontologia, o trabalho dos relojoeiros, dos artistas plásticos e dos escaladores de montanhas, entre inúmeros outros, exigem mãos determinadas e seguras.

     Quantas obras literárias, inclusive do outro plano da vida, vieram a lume através de mãos que manipularam penas molhadas de tinta, dedos que tocaram com criatividade os lápis, as canetas à tinta e as esferográficas, as teclas das máquinas de escrever e dos computadores!

     BOXE-1- MÃOS QUE ESCREVERAM A RESPEITO DELAS MESMAS:

     Monólogo das Mãos, criação do jornalista e poeta brasileiro, Giuseppe Ghiaroni, imortalizado por Procópio Ferreira: “Para que servem as mãos? As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever...

     “As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário; Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena; foi com as mãos que Jesus amparou Madalena; com as mãos David agitou a funda que matou Golias; as mãos dos Césares romanos decidia a sorte dos gladiadores vencidos na arena; Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência; os antissemitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!

     “Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram. A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda; o operário construir e o burguês destruir; o bom amparar e o justo punir; o amante acariciar e o ladrão roubar; o honesto trabalhar e o viciado jogar.

     “Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba! Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia! As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva. Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor. Os olhos dos cegos são as mãos. As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes; no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.

     “O autor do «Homo Rebus» lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida; a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem. Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas. A mão aberta, acariciando, mostra a bondade; fechada e levantada mostra a força e o poder; empunha a espada a pena e a cruz! Modela os mármores e os bronzes; da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza. Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza; doce e piedosa nos afetos, medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos. O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade. O noivo para casar-se pede a mão de sua amada; Jesus abençoava com as mãos; as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.

     “Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo, agitando o lenço no ar. Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias. E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.

     “Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino. E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração para, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida. E as mãos dos amigos nos conduzem... E as mãos dos coveiros nos enterram!”

     BOXE2- POEMA DO ESCRITOR E POLÍTICO PORTUGUÊS MANUEL ALEGRE: “AS MÃOS”:

     “Com mãos se faz a paz se faz a guerra

     Com mãos tudo se faz e se desfaz

     Com mãos se faz o poema ─ e são de terra.

     Com mãos se faz a guerra ─ e são a paz.

     Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.

     Não são de pedra estas casas, mas

     de mãos. E estão no fruto e na palavra

     as mãos que são o canto e são as armas.

     E cravam-se no Tempo como farpas

     as mãos que vês nas coisas transformadas.

     Folhas que vão no vento: verdes harpas.

     De mãos é cada flor cada cidade.

     Ninguém pode vencer estas espadas:

     nas tuas mãos começa a liberdade”.

     Boxe 3- Canção “Mãos”, gravada por Zeca Pagodinho:

     “Mãos se rendem pra outras que tudo levam

     Quase em extinção mãos honestas, mãos amorosas

     Que nossas pobres mãos que batem as portas

     Pago pra ver queimar em brasas

     As mãos de bacharéis que não condenam o mal

     Que inocentam réus em troca de um vil metal

     Mãos de infiéis revéis que não condenam

     Movendo a diretriz tão fraudulenta

     Sem réu e sem juiz mãos não se acorrentam

     Justiça põe as mãos na consciência

     Ato que fez Pilatos lavando as suas mãos

     É o mesmo que injustiça feita com as próprias mãos

     As mãos que fracassaram na torre de babel

     Por que desafiaram as mãos do céu”.

     É muito comum o uso das mãos, ajudando a comunicação oral, principalmente na oratória e nas apresentações em TV. Contudo, é digno de curiosidade o fato de os italianos conversarem, gesticulando muito, parecendo que as mãos e os dedos é que falam. Faz parte da cultura desse povo a eloquência dos movimentos das mãos, formando distinta coreografia associada ao diálogo.

     Na Bíblia, há algumas referências a respeito das mãos, sabendo-se que por meio delas os homens obram, sendo, de fato, as mãos os órgãos mais utilizados de todo o corpo humano. No Evangelho de Lucas, cap.VI-10, o Mestre Jesus cura um doente portador de uma mão ressequida, restituída sã como a outra. Em outra oportunidade, exortou um possível seguidor, dizendo-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” (Lc. 6:10). Uma exortação ao serviço: “... levantem as suas mãos cansadas e fortaleçam os seus joelhos enfraquecidos” ( Hebreus XII-12); “Ele treina as minhas mãos para a batalha e os meus braços para vergar um arco de bronze” (Salmos 18:34). O encontro com a Divindade: “Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro” (Salmos 24:4). Instrumento de orientação: “Guiaste o teu povo como a um rebanho pela mão de Moisés e de Arão” (Salmo LXXVII: 20). Lei de Causa e Efeito: “Porém Adoni-Bezeque fugiu, mas o seguiram, e prenderam-no e cortaram-lhe os dedos polegares das mãos e dos pés” (Juízes 1:6). Adoni-Bezeque, monarca cananeu, era um tirano cruel, homem perverso, que, ao conquistar as cidades, sempre mutilava seus reis (O Antigo Testamento relata decepações dos dedos de setenta reis inimigos). Conheceu, então, o reverso da moeda, teve seus dedos polegares das mãos e pés amputados, da mesma forma que fizera antes. Passou em vida pela mesma experiência de que foi causador antes.

     A presença de lesões nas mãos pode ser verificada já no período da gravidez (até oito semanas) por imagens ultrassonográficas. São malformações congênitas. Algumas outras foram adquiridas por meio de infecções nas primeiras semanas de vida intrauterina. Contudo, a grande maioria das malformações congênitas é de causa desconhecida. Algumas vezes acontece parada do desenvolvimento de determinadas partes do corpo, ocasionando ausência de uma parte do corpo, como a mão. Podem ser observados dedos polegares subdesenvolvidos, outras vezes há ausência completa de um dígito, ossos em falta e até mesmo ausência de músculos. Pode ocorrer igualmente crescimento excessivo de dígitos conhecido como macrodactilia, de prognóstico ruim, podendo levar à amputação cirúrgica.

     Fora do cadinho uterino, as deformidades e limitações das mãos podem ser causadas pela artrite reumatoide (uma doença autoimune sistêmica, caracterizada pela inflamação das articulações e que pode acarretar incapacitação funcional), artrite da febre reumática, em menor proporção, e pelas osteoartrites ou artroses. Antigamente, sem medicação específica, os doentes de hanseníase apresentavam também deformidades e amputações, principalmente relacionadas às mãos.

     Como nas obras divinas não ocorre o acaso, as pessoas que nascem com as mãos comprometidas, certamente estão subordinadas aos processos expiatórios. O preceito crístico é ressaltado: “Ai do mundo, por causa dos escândalos, porque é fatal que os escândalos venham; mas ai do homem por quem vem o escândalo. Se tua mão ou teu pé te fazem cair, corta-os e lança-os de ti: melhor é para ti entrares na vida manco ou coxo que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo do eon” (tradução do grego por Carlos Torres Pastorino).

     O ensinamento de Jesus se refere primeiramente ao sofrimento do remorso vivenciado nas dimensões extrafísicas (“se tua mão ou teu pé te fazem cair”) devido ao mal produzido pelo “homem por quem vem o escândalo”. Agora, a necessidade da redenção espiritual, o momento de ressarcir suas dívidas, a presença misericordiosa da expiação: voltar à arena física pela reencarnação (“melhor é para ti entrares na vida”) para a grande oportunidade de conserto espiritual (sair do estado vibratório infeliz e doloroso de algoz para retornar às paragens da imortalidade como vítima). Em caso de insucesso nesse bendito e misericordioso embate, o ser novamente se vê às voltas com o sofrimento espiritual que tem a aparência de ser eterno, envolvido que está nas garras do remorso, preso às teias da consciência, ardendo como se estivesse sendo consumido pelas chamas de um inferno (“eon”) que parece não ter fim.

     Para todos aqueles que passam pelas atribulações das doenças reumáticas sem perspectiva de cura física, inclusive ostentando deformidades marcantes nas mãos, saibam que estão em pleno embate expiatório, que pode igualmente servir de prova. Em verdade, deverão vivenciar, mesmo no auge da dor, a submissão e a resignação, porquanto a cura espiritual já está em curso e, diante do seu futuro espiritual, terão a certeza de que conquistaram a quitação de seus débitos. Em verdade, o PAI É O AMOR POR EXCELÊNCIA E NOS AMA INTENSAMENTE.

     BOX-4 - Poema de Gratidão - Amélia Rodrigues (Divaldo Pereira Franco)

     "Muito obrigado Senhor!

     Muito obrigado pelo que me deste.

     Muito obrigado pelo que me dás.

     “Obrigado pelo pão, pela vida, pelo ar, pela paz.

     Muito obrigado pela beleza que os meus olhos veem no altar da natureza.

     Olhos que fitam o céu, a terra e o mar

     Que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil

     E se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil.

     “Muito obrigado Senhor!

     Porque eu posso ver meu amor.

     Mas diante da minha visão

     Eu detecto cegos guiando na escuridão

     que tropeçam na multidão

     que choram na solidão.

     “Por eles eu oro e a ti imploro comiseração

     porque eu sei que depois desta lida, na outra vida, eles também enxergarão!

     “Muito obrigado Senhor!

     Pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.

     Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro

     A melodia do vento nos ramos do olmeiro

     As lágrimas que vertem os olhos do mundo inteiro!

     “Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar.

     A melodia dos imortais, que se houve uma vez e ninguém a esquece nunca mais!

     A voz melodiosa, canora, melancólica do boiadeiro.

     E a dor que geme e que chora no coração do mundo inteiro!

     “Pela minha alegria de ouvir, pelos surdos, eu te quero pedir

     Porque eu sei

     Que depois desta dor, no teu reino de amor, voltarão a sentir!

     “Obrigado pela minha voz

     Mas também pela sua voz

     Pela voz que canta

     Que ama, que ensina, que alfabetiza,

     Que trauteia uma canção

     E que o Teu nome profere com sentida emoção!

     “Diante da minha melodia

     Eu quero rogar pelos que sofrem de afazia.

     Eles não cantam de noite, eles não falam de dia.

     Oro por eles

     Porque eu sei, que depois desta prova, na vida nova

     Eles cantarão!

     “Obrigado Senhor!

     Pelas minhas mãos

     Mas também pelas mãos que aram

     Que semeiam, que agasalham.

     Mãos de ternura que libertam da amargura

     Mãos que apertam mãos

     De caridade, de solidariedade

     Mãos dos adeuses

     Que ficam feridas

     Que enxugam lágrimas e dores sofridas!

     “Pelas mãos de sinfonias, de poesias, de cirurgias, de psicografias!

     Pelas mãos que atendem a velhice

     A dor

     O desamor!

     Pelas mãos que no seio embalam o corpo de um filho alheio sem receio!

     E pelos pés que me levam a andar, sem reclamar!

     “Obrigado Senhor!

     Porque me posso movimentar.

     Diante do meu corpo perfeito

     Eu te quero rogar

     Porque eu vejo na Terra

     Aleijados, amputados, decepados, paralisados, que se não podem movimentar.

     “Eu oro por eles

     Porque eu sei, que depois desta expiação

     Na outra reencarnação

     Eles também bailarão!

     “Obrigado por fim, pelo meu Lar.

     É tão maravilhoso ter um lar!

     Não é importante se este Lar é uma mansão, se é uma favela, uma tapera, um ninho, um grabato de dor, um bangalô, uma casa do caminho ou seja lá o que for.

     “Que dentro dele, exista a figura do amor de mãe, ou de pai

     De mulher ou de marido

     De filho ou de irmão

     A presença de um amigo

     A companhia de um cão

     Alguém que nos dê a mão!

     “Mas se eu a ninguém tiver para me amar

     Nem um teto para me agasalhar,

     nem uma cama para me deitar

     Nem aí reclamarei.

     Pelo contrário, eu te direi

     “Obrigado Senhor!

     Porque eu nasci!

     Obrigado porque creio em ti

     Pelo teu amor, obrigado senhor!"

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