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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2013
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     O amor de Deus é incomensurável. O Novo Testamento testifica que O Pai Amado é a própria essência do amor (1-João 4:8). Portanto, toda a criação é amada por Deus. À medida que a humanidade espiritual cresce interiormente, despertando o amor em potencial dentro de si, aproxima-se cada vez mais de seu excelso Criador, porquanto é o amor a alavanca a impulsionar as criaturas e despertá-las para a verdadeira felicidade, em perfeita comunhão com o Pai.

     Mais uma vez vêm as Escrituras afirmar a grandiosidade da afeição divina, ensinando: "Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus" ( I João 4:7).

     O discípulo Paulo, escrevendo aos cristãos de Coríntios, disse: "Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei." (1- Co. 13:2). O Mestre Jesus afirmou que toda a lei está contida nessa máxima: "Amar ao próximo como a si mesmo". Igualmente o Cristo pediu para que a humanidade se ame na mesma proporção que ele assim procedeu e ensinou; que se deve fazer ao outro o que se quer receber. Com muita propriedade, o insigne codificador do Espiritismo, Allan Kardec, traz a lume a máxima vinda do Plano Espiritual: "Fora da caridade não há salvação" ("O ESE" 15:8).

     A prática da caridade, que é o amor em ação, é despertada a partir do desenvolvimento do senso de justiça. O ser, então, adianta-se mais na escala espiritual, pelo fluir espontâneo dos valores morais.

     Em "O LE" (questão 812), é ensinado que os homens se entenderão quando praticarem a lei de justiça e na questão 648 de "O LE" é dito que a mais importante das leis naturais é a de justiça, de amor e de caridade, visto que resume todas as outras. Enfatizou Kardec, em "Obras Póstumas", abordando as expiações coletivas, que "o reinado da solidariedade e da fraternidade será forçosamente o da justiça para todos e o reino da justiça será o da paz e da harmonia entre os indivíduos, as famílias, os povos e as raças.

     Ali se chegará? Duvidar disso seria negar o progresso". Em verdade, o homem é herdeiro de si mesmo, porquanto a lei de Deus está escrita em sua própria consciência (Q.621 DE "O LE") - "O reino de Deus não está aqui nem acolá, mas dentro de cada criatura"- e o que vigora hoje representa o resultado de conquista anterior e o amanhã será consequência do que se constrói atualmente.

     A trilha a ser percorrida pelo viajor terrestre poderá ser iluminada pelas estrelas ou obscurecida por nevoeiro espesso, de acordo com o seu proceder diante da vida.

     Aquele que caminha, cultuando o otimismo; pregando e vivenciando a paz; interessando-se pelo próximo; dirigindo palavras de bom ânimo e consolo; ajudando sem pensar em gratidão ou retorno; sabendo silenciar para que outros falem; esforçando para que a bondade, a renúncia, a solidariedade, a tolerância, a paciência e a humildade sejam cada vez mais exercitadas e praticadas, já consegue perceber o Amor Divino frutificando dentro de si, constatando que realmente alberga o "Reino de Deus", tão bem apontado por Jesus.

     O Cristo asseverou, com ênfase: "Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Porque, se somente amardes os que vos amam, que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos? Se unicamente saudardes os vossos irmãos, que fazeis com isso mais do que outros? Não fazem o mesmo os pagãos? - Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial" (Mateus, 5:44, 46 a 48). No Antigo Testamento, no Livro de Gênesis 17:1: "Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito".

     Segundo o ensinamento espírita, como a humanidade não pode se igualar a Deus, o que seria inadmissível, a perfeição a ser conquistada não seria absoluta, e sim relativa. Na questão 776, de "O LE", há a instrução de que fomos criados por Deus como seres potencialmente perfeitos ("Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu aperfeiçoamento"). Assim sendo, durante a evolução do Espírito, o destino maior é o despertamento de todas as potencialidades divinas adquiridas no momento de sua fecundação cósmica ou concepção na Eternidade.

     Sem a da Doutrina da Reencarnação não teria sentido os ensinamentos do Cristo, exortando a amar até os inimigos e tentar uma possível perfeição, em uma só existência, o que se tornaria impossível. Ao mesmo tempo, o dogmatismo das religiões tradicionais, não sintonizado com o amor inexorável do Pai Amado e baseando-se em uma só vivência física, permanece pregando o chamado suplício eterno ou o famigerado "inferno de fogo", destinado aos que não perceberam a chama da divindade dentro de si e feriram sobremaneira a Lei Divina, sem possibilidade de absolvição e resgate.

     Como Deus ama intensamente a todos os seus filhos, com certeza não condena ninguém a penas eternas, proporcionando a todos, independente da religião de cada um, a oportunidade de reparação dos seus erros, através de inúmeras oportunidades reencarnatórias, acompanhando os desafetos e rivais, onde tudo será tentado para uma possível reconciliação e a obtenção da paz desejada.

     O Mestre Jesus frisou bem que ninguém sairá da prisão enquanto não pagar o último centavo (Mateus 5:26). De imediato, surge a esperança: o inferno não é eterno, porquanto existe a possibilidade da libertação, pagando a fiança, simbolicamente descrita como a probabilidade de reajuste diante da Lei Divina, com a chance misericordiosa de resgate dos seus débitos junto com os seus opositores, com as benesses do renascimento no berço físico.

     O "Inferno Eterno" é citado de forma emblemática no Evangelho como uma figura forte, revelando o remorso vivenciado nos dois planos da vida, tanto o físico quanto o espiritual, como algo que consome como uma fogueira, destruindo com suas labaredas a fortaleza do interior do ser. Por sinal, quando se sente dor, quando se vivencia uma intensa aflição, a impressão que fica é a de que o infortúnio nunca terá fim. Na dimensão espiritual, sem a limitação do aparato físico, o sofrimento se apresenta como algo com a aparência de eterno, de tempo indeterminado, podendo perdurar até por séculos.

     Jesus, realmente, tranquiliza, dizendo que o resgate é possível, assim como a liberdade, o alívio para o mal que afligia o espirito, quando a reconciliação se concretizar: "E, indignado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão" (Mateus 18:34-35).

     O Mestre, após sua desencarnação, "visitou e pregou aos espíritos em prisão" (1- Pedro 3:19). Claro o texto, porque Jesus só foi lá pela possibilidade da absolvição de uma punição transitória, a qual se verifica na intimidade da consciência. Se a prisão fosse sem fim, o Cristo estaria sendo sádico, já que estava sentindo prazer, humilhando os presos punidos com uma "pena eterna"? Afinal, para que, então, foi pregar? A romancista e ensaísta francesa, Madame Stael, em seu romance "Corinne", diz que "O amor é o símbolo da eternidade. Apaga a memória de um começo e todo o temor de um fim".

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