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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2014

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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Provavelmente o homem tenha sentido, desde que nele se estabeleceu a consciência do eu, a necessidade de saber como tudo começou, entender a origem e o funcionamento.

Na antiguidade, quando muito pouco se sabia e se poderia compreender, pois o conhecimento é um processo continuado, elaborado e aprimorado ao longo do tempo, surgiu o que é conhecido como O Velho Testamento, mais precisamente o livro Gênesis. Neste livro, mais histórico que religioso, encontramos os primórdios de uma explicação sobre o aparecimento das coisas, nele, o evento que deu surgimento de tudo que se poderia conceber recebeu o nome de "Deus" e o processo criativo foi descrito como sendo comandos verbais, tal como "Faça-se a luz".

O tempo passou e o homem foi observando e aprendendo. Surgiu a ciência mais organizada com os gregos, estabelecendo o procedimento através do qual os fenômenos estudados eram explicados através de leis devidamente formuladas e documentadas para posterior referência. Como é de se esperar, nem sempre as leis eram corretas ou precisas, necessitando de depuração posterior.

Quando o final do século XIX se aproximava, o homem, em decorrência da pouca visão e do orgulho, acreditava ter descoberto tudo que havia para ser desvendado. Todavia, neste mesmo período, como consequência de certos experimentos, teve início o que foi chamado de Física Quântica, mudando tudo que se pensava acerca dos fenômenos materiais, causando uma verdadeira revolução do conhecimento. Importa ressaltar que muitas das descobertas e observações da Física Quântica ainda são uma incógnita, mesmo para os cientistas da área.

Cada vez mais a ciência busca compreender o princípio das coisas, construindo equipamentos e procedimentos de complexidade crescente. Podemos citar como exemplos o telescópio Hubble, que orbita a Terra "observando" os eventos em grande escala na amplidão do espaço e, por outro lado, o LHC - Large Hadron Colider, o maior acelerador de partículas já construído, "observando" os eventos em pequeníssima escala no microcosmo das partículas, visando reproduzir o que ocorreu nos momentos iniciais do surgimento do universo conhecido. Muito já foi conquistado, todavia, ainda resta uma grande distância a percorrer.

Com o avanço do conhecimento, podemos afirmar com alguma segurança que a criação do universo, pelo menos este que é denominado de "conhecido", não obedeceu a comandos verbais. Todavia, muitos ainda creditam este processo diretamente a Deus.

Sendo Deus a causa primária de todas as coisas, como apresentado na questão primeira d'O Livro dos Espíritos, não podemos deixar de considerar que tudo existe por causa Dele, mas isto não significa que em tudo tenha tido Sua ação direta, caso contrário, qual seria a atribuição dos espíritos?

Com o advento da Doutrina Espírita, tomamos conhecimento da teoria dos fluidos. Esta teoria nos diz que toda matéria é formada por fluido e que este sofre ação do pensamento dos espíritos na formação de corpos materiais. Desta forma, podemos compreender que a formação do universo conhecido esteja atrelada ao trabalho mental de espíritos elevados sobre o fluido, como bem informa o espírito André Luiz no livro Evolução em Dois Mundos, no que denominou de "cocriação em plano maior", estabelecendo, assim, a imanência de Deus na formação do nosso universo.

O "princípio das coisas", portanto, vai muito além do que nos cerca na imensidão do espaço, contudo, cabe ao homem estudar o que lhe está ao alcance para aprimorar seu entendimento e discernimento, com isso, também ocorrerá a evolução moral que o possibilitará cada vez mais adentrar na obra da Criação e, consequentemente, desvendar muitos dos mistérios que ainda nos são ocultos.

Todavia, é preciso lembrar que o trabalho de compreensão cabe a todos, e não apenas aos cientistas, como bem alertou o Espírito de Verdade e que consta n' O Evangelho Segundo o Espiritismo: "Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo", e ainda nos alerta sobre equívocos que foram inseridos como sendo parte da Doutrina de Jesus ao dizer: "No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram”.

Bibliografia:

___; blia de Jerusalém – Nova Edição, Revista e Ampliada; Paulus Editora, 2002.

Kardec, Allan; A Gênese; 37a. edição, FEB, 1996.

___; O Livro dos Espíritos; 77a. edição, FEB, 1997.

___;

O Evangelho Segundo o Espiritismo

; 112a. edição, FEB, 1996

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