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Artigo do Jornal: Jornal Março 2014

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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O conceito de matéria foi sendo modificado e aprimorado ao longo do tempo. Podemos ressaltar a teoria elaborada por Demócrito, no século V a.C., como a grande mudança de paradigma com relação a este assunto; teoria esta, mais filosófica que decorrente de observações, que descrevia os corpos como sendo constituídos de blocos infinitamente pequenos e indivisíveis que foram denominados de "átomos".

Teorias mais decorrentes de experimentações foram desenvolvidas com o passar to tempo, surgindo o conceito de Thomson e, depois, de Bohr, que trataram destes "blocos de matéria" - os átomos.

A ideia reinante até o início do século XX era o modelo atômico concebido por J.J.  Thomson,  físico  inglês, no qual as cargas elétricas ficavam distribuídas aleatoriamente em uma massa consistente e uniforme. 

Podemos visualizar esta concepção do átomo como algo parecido com um panetone, o tipo de pão que é normalmente comercializado na época natalina, no qual são acrescentadas frutas cristalizadas e passas à massa que, durante a mistura e cozimento, vão  ocupando lugares aleatoriamente, sendo que, ao final, estarão mais ou menos uniformemente distribuídas. As frutas cristalizadas e passas representam os elétrons. Nesta condição, os corpos eram considerados sólidos compactos, totalmente preenchidos por matéria.

Com as conclusões de Rutherford, físico neozelandês, e complementações de Niels Bohr, físico teórico dinamarquês, deduziram uma teoria que harmonizava, em parte, todos os resultados obtidos com os vários experimentos que foram realizados; a concepção do átomo foi substituída. Surge, então, o modelo atômico de Bohr: um núcleo central contendo as cargas positivas com os elétrons girando em seu entorno.

A enorme diferença é que, com nova concepção do átomo, a matéria deixa de ser considerada compacta para ser constituída, em sua maior parte, por espaços vazios. 

Recentemente, foi divulgado que pesquisadores do acelerador de partículas localizado entre a França e Suíça, o LHC ( Large Hadron Collider ), confirmaram, dentro de certo grau de certeza, partículas cujo comportamento foi descrito na década de 1960. Estas partículas são conhecidas como "Bóson de Higgs" em homenagem ao desenvolvedor da teoria, o cientista Peter Higgs.

A teoria diz que, após o surgimento do nosso universo conhecido, houve a formação de um campo, o campo de Higgs, e suas partículas portadoras, os bósons de Higgs. Este campo e, consequentemente, as partículas portadoras são responsáveis pela propriedade de partículas apresentarem massa.

Desta forma, percebe-se que a massa não é uma propriedade inerente da matéria, haja vista que existem partículas que não interagem com este campo e, portanto, não apresentam massa.

Se juntarmos a este, outro conceito já consolidado, como a Teoria Restrita da Relatividade, que diz que o espaço e o tempo também não são entidades físicas imutáveis, teremos a base do conceito espírita sobre a ação do pensamento sobre o fluido como sendo responsável pela estruturação da vida material. Em outras palavras, é a base da teoria dos fluidos.

No movimento espírita é comum ouvir que a matéria é formada por fluido, porém muitas outras coisas não são consideradas nesta colocação, tais como o próprio espaço, o tempo, as forças e, por que não dizer, a massa. Portanto, devemos ter muito cuidado ao dizer que o fluido é matéria, pois este pode se apresentar de diversas outras formas, tais como espaço e tempo, que não apresentam as propriedades do que hoje é considerado matéria.

A concepção de que o espaço e o tempo, assim como a própria matéria e sua massa, são formados por fluido se expressando desta ou daquela maneira, demonstra como se realiza a estruturação da condição de existência referente ao universo conhecido, isto é, a condição denominada de "mundo físico ou material". Esta concepção viabiliza o entendimento de vários fenômenos espirituais, tais como o deslocamento dos desencarnados no espaço, fenômenos de transporte e a presciência ou dupla vista.

Encontramos na Codificação Espírita conceitos que podemos considerar como prenúncio das teorias científicas já existentes. Claro que, com o avanço dos conceitos científicos, isto se tornará mais óbvio, pois como os fenômenos espirituais ocorrem com a matéria sutil, conforme o conhecimento humano adentra nesta região, os conceitos deverão convergir.

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