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Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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O entendimento do que o espírito realmente é ainda permanece uma questão que deverá ser solucionada no futuro, pois percebemos que nos falta conhecimento de base para tratar deste tema em maior profundidade. Contudo, mediante a análise da informação disponível em O Livro dos Espí ritos, podemos chegar a algumas ilações sobre assunto tão fascinante e, ao mesmo tempo, intrigante.

Na questão 23 do supracitado livro, encontra-se o seguinte:

Pergunta: Que é o Espírito?

Resposta: “O princípio inteligente do Universo.”

Esta resposta é deveras interessante, pois, no meio espírita em geral, percebe-se a interpretação de haver uma nítida distinção entre "espírito" e "princípio inteligente", como se tratando de duas coisas ou estados diferentes. Porém, no livro basilar da Doutrina Espírita fica patente que um e outro são a mesma coisa em se tratando de conceito mais básico, em essência.

As diferenças existentes entre os espíritos não estão na sua essência ou estrutura mais básica, todavia, elas existem, pois, em decorrência do nível evolutivo dos espíritos, é possível observar que estes não são iguais na capacidade de ação e nas possibilidades dos fenômenos que são capazes de realizar. Esta igualdade na essência e desigualdade de capacidade levou Jesus a dizer, como apresentado n'O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIX: "Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seriam impossível."

Dando continuidade ao estudo, encontra-se, na questão 23a d'O Livro dos Espíritos, o seguinte:

Pergunta: Qual a natureza íntima do Espírito?

Resposta: “Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.”

Pelo seguimento da resposta que diz "coisa nenhuma é o nada e o nada não existe", pode-se concluir que o espírito há de ser alguma coisa, aquilo que Deus cria, possibilitando postular a existência de uma estrutura que seria o espírito propriamente dito. Esta estrutura, segundo a questão 23a d’O Livro dos Espíritos, é alguma “coisa” e, segundo a questão 82, é formado de “matéria quintessenciada”.

Em suma, o espírito criado seria uma estrutura capaz de exercer funções, dentre estas funções estaria, como principal, a capacidade de desenvolver e organizar a mente a partir da observação e experimentação. Pode-se inferir que esta função seja o que é denominado de "inteligência", como definida na questão 24 d'O Livro dos Espíritos: "um atributo essencial do espírito".

Nesta visão, o espírito deixa de ser concebido como uma abstração para ser entendido como uma estrutura capaz de exercer funções. A totalidade destas funções é uma incógnita no estágio atual da humanidade terrena. Neste paradigma haveria condições de correlacionar o espírito, que é o ser, com uma estrutura existente, específica e, em certo sentido, física.

Esta visão em nada contraria a Codificação, muito pelo contrário, se bem analisada, é corroborada pela questão 88 d'O Livro dos Espíritos, que diz o seguinte:

Pergunta: Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante?

Resposta: “Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea.”

Percebe-se que nesta questão se encontra a afirmação de que os espíritos possuem uma forma, certamente ainda incompreensível para a humanidade terrena, mas não para aqueles que vivenciam a finalidade da Criação, que já atingiram certo grau evolutivo, que se "despiram" das vestes materiais grosseiras. Aqueles, todavia, que se encontram muito aquém deste nível, necessitam de imagens para elaborar ideias abstratas, por isso a orientação de imaginar os espíritos como uma chama ou centelha, imagens diáfanas e sem forma definida.

Bibliografia:

Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos; 77a. edição, FEB, 1997.

___; O Evangelho Segundo o Espiritismo; 112a. edição, FEB, 1996.

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