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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2014

Sobre o autor

Djalma Santos

Djalma Santos

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“Embora sejamos reconhecidos quanto à benevolência dos instrutores e amigos, que nos perdoam o passado menos digno, jamais condescendemos com as nossas próprias fraquezas e, por isso, vemo-nos impelidos a solicitar, das autoridades superiores novas reencarnações, difíceis e proveitosas, que possam nos reeducar e, nos aproximar da redenção necessária”. (Livro Ação e Reação - Cap. VII, Conversação preciosa, psicografado por Francisco Cândido Xavier).

Considerada o mal do século, a obsessão é, sem dúvida nenhuma, um dos assuntos mais comentados dentro das Casas Espíritas, mas, apesar dos estudos já realizados a respeito desse assunto tão complicado e de vital importância no conhecimento da Doutrina Espírita, pouco se sabe sobre os mistérios e enigmas que envolvem as partes interessadas, ou seja, o obsessor e o obsidiado, o que dificulta em muito o tratamento adequado da entidade obsessora, assim como a aplicação da terapia certa para o encarnado, que se julga prejudicado pela ação nefasta do espírito vingativo.

No mais das vezes, o encarnado que sofre a pressão do obsessor, não faz absolutamente nada para ajudar o seu tratamento, pois oferece ao obsessor os meios para que ele permaneça ao seu lado, numa parceria incrível, que alimenta vícios, desejos e paixões. Os fios invisíveis que ligam o opressor à vítima já são conhecidos dos seres humanos, e constituem os nossos erros, nossos ilícitos, fraquezas humanas e inferioridades morais que acalentamos no nosso coração.

Quase todos os filósofos e cientistas que estudaram e pesquisaram a obsessão, afirmam em seus livros, comentários e palestras, assim como os próprios dicionários que interpretam a palavra “obsessão”, que se trata de uma mania de perseguição, uma ideia fixa ou um projeto de vingança, devido a erros do passado. Mas hoje, de acordo com novos estudos realizados, podemos afirmar com absoluta certeza que a obsessão é uma “simbiose espiritual”, ou seja, uma associação de hábitos, tendência e pendores; de vícios, desejos e paixões, unindo as duas partes, que se interessam pela o que a outra tem no campo das atrações e das afinidades, estabelecendo uma sintonia que deságua numa parceria no campo da carne e do espírito.

Diz um provérbio árabe milenar: “Nada poderá lhe acontecer, se você não quiser”, ou seja, de alguma forma fornecemos ao obsessor os meios para que ele possa exercer sua ação nefasta, e, geralmente, esses meios são as nossas deficiências morais, que ficam estampadas na nossa “aura humana”, com fácil acesso tanto pelas entidades superiores como também pelos nossos adversários do passado e do presente. O obsessor é uma alma enferma e geralmente magoada com alguma coisa, necessitando, portanto, de tratamento espiritual; e a melhor forma de afastá-lo ou recuperá-lo é tratá-lo com muito amor, porque só o amor cura a obsessão, e o descaso, a indiferença, a discriminação contra o obsessor, só faz aumentar o ódio e o ressentimento do espírito envolvido num processo de obsessão.

A obsessão não se estabelece somente do desencarnado para o encarnado, mas também de desencarnado para desencarnado; e do encarnado para o encarnado, num sistema de trocas incessantes de energias entre os seres, em que cada um dá o que tem. Quando passamos para o outro o que temos de pior, na realidade estamos invadindo fronteiras alheias, destoando da assertiva de Jesus: “Vos sois o sal da terra, mas se esse sal for insípido, sem gosto, ele não poderá salgar”, fazendo alusão à importância de passar para o outro o que tivermos de melhor, para que possamos receber o melhor de nossos semelhantes.

O processo obsessivo começa de uma forma simples e quase despercebida, com pequenas insinuações e sugestões sutis no campo mental, para então depois ser aplicada uma carga mais pesada de ideias, em que se nota perfeitamente o autoritarismo do obsessor, cujo desejo é subjugar a vítima, colocando-a a sua disposição para controlar seus pensamentos e sentimentos, bloqueando a todas as pessoas, os canais que possam alimentar a mente da vítima, oferecendo promessas e convites para o mal, levando muitas das vezes o obsidiado a gostar da parceria, e é o que geralmente acontece com os alcoólatras, com jogadores inveterados, com os sexólatras e com os viciados de toda a espécie.

Existem sinais evidentes quando uma pessoa está à beira de um processo obsessivo:

a) Quando entramos na faixa da impaciência e da irritação;

b) Quando achamos que o dever é sempre dos outros;

c) Quando procuramos fugir da vida normal, através das viciações, do jogo, do álcool, das drogas e da sexolatria;

d) Quando achamos que estamos sobrecarregados de trabalho;

e) Quando nos entregamos à preguiça, a melancolia e ao desânimo;

f) Quando alimentamos a maledicência, o ciúme e o despeito;

g) Quando somos invadidos pelo orgulho, egoísmo e prepotência;

h) Quando caímos nas garras da avareza;

i) Quando praticamos a violência física, escrita, falada ou pensada contra nossos semelhantes.

As sessões de cura dos obsidiados nas Casas Espíritas devem ser realizadas em duas sessões distintas: a primeira será dedicada aos encarnados que se dizem prejudicados por espíritos obsessores, sendo cientificados de que precisam mudar hábitos, tendência e pendores; cultivar a prece, o silêncio, o recolhimento e o culto no lar. Abandonar vícios, desejos e paixões, enfim, tudo que possa atrair entidades inferiores e sofredoras, adotando hábitos saudáveis na vida diária. A segunda sessão será dedicada aos desencarnados que figuram como obsessores, e terá a participação dos médiuns, a fim de que ocorra a imantação dessas entidades, que devem ter todo o direito de manifestação dos seus pontos de vista, para só então depois serem doutrinados a respeito dos equívocos que estão cometendo, mostrando a eles novas formas de alegria ao lado de Jesus; do arrependimento e do perdão, que são antídotos de cura e de libertação espiritual.

Jesus, quando esteve aqui conosco, curou muitas pessoas com o mal da obsessão e a todas elas recomendava, após a cura: Vai e não peque mais, numa alusão clara, cabal e insofismável que, aquele mal era uma espécie de retorno de alguma coisa errada que a pessoa havia praticado, e que a reincidência no mal, leva o espírito faltoso a uma situação gravíssima, pior do que a anterior, sendo portanto interessante que após termos recebido a graça da cura, possamos andar na linha, sem se acumpliciar com o mal.

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