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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2015
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As práticas com o sonambulismo magnético quase que desapareceram, mesmo no meio espírita. A despeito da importância que o codificador do Espiritismo deu a este fenômeno como sendo “a prova irrecusável da existência e da independência da alma”, desprezamos o seu estudo teórico e prático relegando-o a segundo plano.

Por outro lado, a hipnose sobrevive ainda hoje em alguns meios. É utilizada como recurso para algumas poucas abordagens psicológicas e é citado timidamente no meio acadêmico. Fala-se do sonambulismo magnético como algo desprovido de senso científico, enfatizando-se a sugestão hipnótica como sendo a única expressão da verdade.

Na parte 1 deste artigo, ressaltamos a veracidade da sugestão como prática hipnótica, tanto quanto das demonstrações realizadas por Mesmer e outros magnetizadores comprovando a influência sobre um sujet posto à distância, não havendo nenhuma combinação entre o magnetizador e aquele que seria alvo da experiência.

Os magnetizadores, ao atuar sobre o sonâmbulo, também utilizavam a sugestão. Mesmo permanecendo o magnetizador em completo silêncio durante todo o experimento, ainda assim havia uma sugestão mental representada pela sua intenção de magnetizar e colocar em estado sonambúlico o outro sujeito da experiência.

Por outro lado, os hipnotizadores, mesmo contemporâneos, utilizam o magnetismo de maneira indireta, à sua revelia. Ao aproximar-se daquele que será hipnotizado, ao desejar colocá-lo em transe ou quando lhe sugere o relaxamento, natural e automaticamente os seus fluidos se movimentam em direção àquele que é o alvo da hipnose, principalmente quando o hipnotizador já possui certa experiência. A magnetização involuntária é bem mais restrita, obviamente, pelo fato de não haver a intencionalidade. É interessante ressaltar a respeito de uma técnica hipnótica que consiste em fazer uma leve pressão com o polegar sobre a testa do hipnotizado. Este contato sobre a fronte do sujet produz uma magnetização que facilita o transe.

Vemos assim que tanto no sonambulismo magnético quanto na hipnose há, geralmente, dois elementos consorciados, o fluido magnético e a sugestão, não significando que não possa haver o fenômeno sem a presença de um dos dois.

Sem a magnetização direta, apenas com o uso da sugestão, o fenômeno hipnótico no mais das vezes se torna superficial, sem haver um aprofundamento da condição hipnótica, fazendo com que o sujet demonstre possibilidades limitadas através do estado de transe. Por isso, o próprio James Braid, que cunhou o termo hipnose, disse não conseguir realizar todos os fenômenos alcançados pelos sonâmbulos magnetizados, especialmente aqueles que requerem um desprendimento maior da alma em relação ao corpo fisco.

Como se sabe, o sonâmbulo desenvolve uma maior lucidez e readquire uma maior consciência, quanto menos influência receber do corpo físico. Quanto mais liberto da matéria, mais a alma se reapossa das suas faculdades. Nesse estado particular pode ser instrumento pelo qual se pode aprender mais a respeito do Espírito imortal.

Além dos recursos diagnósticos e terapêuticos, a fenomenologia sonambúlico-hipnótica oferece imensas possibilidades no campo da pesquisa para uma melhor compreensão da mente humana e seus fantásticos potenciais provenientes do Espírito. Estudos sobre a reencarnação e sobre eventos históricos, ambos através da regressão de memória a encarnações passadas e estudos sobre os mecanismos da memória são apenas algumas das formas imagináveis de se buscar o conhecimento através dos fenômenos de emancipação da alma.

Deixar de lado tamanho benefício significa abdicar de um fabuloso recurso que a Providência Divina colocou ao nosso dispor para a prática da caridade e para o progresso espiritual.

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