pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2015

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

Compartilhar -

Dentre as informações contidas na Codificação Kardequiana e na Revista Espírita sobre a pluralidade dos mundos habitados, a questão dos animais no planeta Júpiter causa, segundo percebemos, certa dificuldade de entendimento. Acreditamos que esta dificuldade seja decorrente da análise parcial da informação, pois existem algumas contradições que precisam ser consideradas nas conclusões a este respeito.

Tanto a Codificação quanto a Revista Espírita são livros que demandam perseverança no estudo, sendo necessária a análise completa daquilo que foi disponibilizado, e não se ater apenas a tópicos individuais. Muitos dos temas começam a ser apresentados em um determinado ponto e terminam em outro mais adiante, podendo, inclusive, constar em vários livros diferentes. Isto ocorre especialmente na Revista Espírita que foi editada ao longo de vários anos.

A seguir transcrevemos algumas mensagens a respeito dos animais no planeta Júpiter, todas extraídas da Revista Espírita. Vale ressaltar que algumas destas mensagens apresentaram avaliações pertinentes feitas por parte de Kardec e que merecem ser lidas com atenção.

Na Revista Espírita de março de 1858, página 71, baseando-se nas informações obtidas, Kardec apresenta a ideia dos animais de Júpiter fazerem os trabalhos braçais, como apresentado a seguir:

"Os animais não estão excluídos desse estado progressivo, sem se aproximarem, entretanto, do homem, mesmo sob o aspecto físico; seus corpos, mais materiais ligam-se ao solo, como nós à Terra. Sua inteligência é mais desenvolvida do que nos nossos; a estrutura dos seus membros se dobra a todas exigências do trabalho; são encarregados da execução de obras manuais; são os servidores e os operários: as ocupações dos homens são puramente intelectuais. O homem é, para eles, uma divindade, mas uma divindade tutelar que jamais abusa do seu poder para oprimi-los."

Na Revista Espírita de abril de 1858, sob o título de Conversas Familiares de Além Túmulo, Kardec entrevista o espírito Bernard Pallissy, previamente sabido que habitava Júpiter, visando obter uma descrição mais detalhada do planeta em questão numa série de perguntas e respostas. Na pergunta de número 51 temos o seguinte:

51. Foi-nos dito que os animais são os servidores e operários que executam os trabalhos materiais, construindo as casas, etc.; isso é verdade?

Resposta: Sim; o homem não se rebaixa mais servindo seu semelhante.

Vemos neste item que o espírito Pallissy demonstra um orgulho exacerbado e não condizente com a elevação que demonstra. Não podemos imaginar que seres evoluídos possam considerar que servir aos semelhantes seja se "rebaixar". Portanto, diante desta colocação, a informação trazida pelo espírito necessita de avaliação rigorosa. Todavia, ao considerarmos ao que é apresentado na pergunta de número 67, o tema fica muito confuso:

67. Se o povo mais avançado da Terra se visse transportado para Júpiter, que categoria nele ocuparia?

Resposta: A classe dos macacos entre vós.

Assim, segundo a resposta acima, os animais de Júpiter seriam os mais avançados espíritos de humanos da Terra, pois se encarnássemos em Júpiter seríamos equivalentes aos nossos macacos, portanto, comparativamente, seríamos os animais.

Já na Revista Espírita de agosto de 1858, sob o título As Habitações do Planeta Júpiter, em longa mensagem do espírito Victorien Sardou, selecionamos o seguimento de texto:

"Se designamos sob esse nome de animais os seres bizarros que ocupam a base da escala, foi porque os próprios Espíritos o puseram em uso e, aliás, nossa própria língua não tem termo melhor para nos oferecer. Essa designação os deprecia um pouco para baixo; mas chamá-los de homens seria fazer-lhes muita honra: com efeito, são Espíritos voltados à animalidade, talvez por longo tempo, talvez para sempre; porque nem todos os Espíritos estão de acordo sobre este ponto..."

Segundo o espírito Victorien Sardou, os denominados “animais de Júpiter” não seriam animais propriamente dito, mas espíritos “voltados à animalidade”, o que estaria em concordância com a questão 67 de abril de 1858, apresentada anteriormente. Todavia, o espírito comunicante comete o equívoco de considerar que estes espíritos possam permanecer para sempre na condição descrita.

Na Revista Espírita de julho de 1860, consta uma série de comunicações dadas pelo espírito Charlet sobre os animais, dentre estas comunicações existe relatos sobre os animais em Júpiter. Após a apresentação destas dissertações, logo em seguida, Kardec apresenta sua avaliação e questionamento a respeito. Sobre o parágrafo IX, encontramos o seguinte:

18. Nesta passagem, Charlet parece se deixar arrastar por sua imaginação, porque o quadro que ele faz da degradação moral do animal é mais fantástico que científico. Com efeito, o animal não é feroz senão por necessidade, e foi para satisfazer essa necessidade que a Natureza lhe deu uma organização especial. Se uns querem se nutrir de carne, foi por um objetivo providencial, e porque era útil à harmonia geral que certos elementos fossem absorvidos. O animal é, pois, feroz pela sua constituição, e não se conceberia que a queda moral do homem pudesse fazer brotar dentes caninos no tigre e encurtar seus intestinos, porque então não haveria razão para que não tivesse o mesmo resultado sobre o carneiro. Dizemos antes que o homem, sobre a Terra, estando pouco avançado, aí se encontra com seres inferiores sob todos os aspectos, e cujo contato é, para ele, uma causa de inquietação, de sofrimentos e, por consequência, uma fonte de provas que o ajudam em seu adiantamento futuro.

Que pensa Charlet destas reflexões?

Resposta: Não posso senão aprová-las. Eu era um pintor, e não um literato ou um sábio: eis porque me deixo, de vez em quando, ao prazer, novo para mim, de escrever belas frases, mesmo a expensas da verdade; mas o que dissestes aí está muito justo e bem inspirado. No quadro que tracei, bordei sobre certas ideias concebidas para não machucar nenhuma convicção. A verdade é que as primeiras idades eram idades de ferro, bem distantes dessas pretendidas dores; a civilização, descobrindo cada dia, novos tesouros acumulados sobre a bondade de Deus, no espaço tão bem quanto na Terra, faz o homem conquistar a verdadeira terra prometida, aquela que Deus concederá à inteligência e ao trabalho, e que não entregará toda enfeitada nas mãos de homens crianças, que deveriam descobri-la pela sua própria inteligência. De resto, esse erro que cometi não podia ser nocivo aos olhos de pessoas esclarecidas, que deveriam facilmente reconhecê-lo; para os ignorantes, passariam despercebidos. Entretanto, eu errei, nisto convenho; agi levianamente, e isto vos prova em que ponto deveis controlar as comunicações que recebeis.

Diante do questionamento de Kardec, o espírito declara ter fantasiado em muitos pontos de sua dissertação. Portanto, a informação dada por este espírito necessita de avaliação rigorosa.

A questão dos animais em Júpiter, e podemos extrapolar para outros planetas, haja vista que não temos um posicionamento definido para a Terra, ainda permanece nebuloso. Acreditamos que, na condição da humanidade terrestre, não temos arcabouço intelectual desenvolvido o suficiente para a compreensão de assunto tão complexo como este. Portanto, temos apenas especulação e nada pode ser afirmado em definitivo.

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado