pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Maio 2015

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

Compartilhar -

Ao longo da nossa restrita experiência no Movimento Espírita, entramos em contato com algumas teorias relativas ao fluido vital, dentre elas, podemos ressaltar: a) o espírito reencarna com uma quantidade fixa de fluido vital que seria consumido com o passar do tempo até que, ao terminar o estoque, ocorreria a morte do corpo e; b) os espermatozoides que não fecundaram o óvulo cederiam o fluido vital a ser utilizado durante a encarnação.

Ambas teorias citadas, cremos, seriam decorrentes de uma outra teoria que preconiza haver um dia e hora definido para a desencarnação do espírito encarnado, seguindo o conceito de que nada acontece por acaso.

Certamente que "nada acontece por acaso", pois as Leis da Providência Divina regem todo o Universo. Porém, a data e hora da desencarnação é decorrente de numerosos fatores, fatores estes que fazem parte ou estão incluídos nas próprias Leis. Contudo, seria um equívoco pensar em uma reserva única de fluido para ser gasto ao longo da experiência carnal, pois encontramos na Codificação Kardequiana material suficiente para uma ideia mais precisa sobre o modo de funcionamento desta reserva de fluido.

Kardec, no livro A Gênese, Capítulo V – Gênese Orgânica, apresenta um item que trata especificamente do Princípio Vital. Diz ele que "A atividade do princípio vital é alimentada durante a vida pela ação do funcionamento dos órgãos, do mesmo modo que o calor, pelo movimento de rotação de uma roda. Cessada aquela ação, por motivo da morte, o princípio vital se extingue, como o calor, quando a roda deixa de girar." Portanto, o funcionamento dos órgãos físicos, necessário para a manutenção da vida orgânica, consome fluido, mas também o produzem através da alimentação, respiração etc. Vale ressaltar o importante componente do pensamento no desenvolvimento salutar ou enfermiço do corpo, que tanto pode auxiliar na produção quanto no consumo excessivo do fluido vital.

Outra comparação, além daquela apresentada por Kardec com relação à roda, seria o modo de funcionamento da bateria de um automóvel. A carga da bateria é consumida pelos sistemas elétricos, como partida do motor, ignição das velas, faróis etc.; em contrapartida, há a produção de energia pelo próprio motor que, funcionando com a queima de combustível, tanto é responsável pelo automóvel se movimentar quanto recarregar a bateria. Temos, portanto, um sistema de consumo e suprimento de energia elétrica que funciona adequadamente até que haja desgaste das peças, interrompendo o processo. No caso do automóvel, é possível a reparação em oficina especializada enquanto houver a possibilidade para tal; no caso do corpo físico, se a medicina não reparar, ocorrerá a morte do corpo.

Ainda no livro A Gênese temos que "Segundo essa maneira de ver, o princípio vital não seria mais do que uma espécie particular de eletricidade, denominada eletricidade animal, que durante a vida se desprende pela ação dos órgãos e cuja produção cessa, quando da morte, por se extinguir tal ação."

É a presença deste fluido com características e qualidades bem determinadas e únicas para uma finalidade específica que distingue um composto orgânico sintetizado artificialmente, isto é, preparado através de reações químicas em frascos de laboratório ou tanques industriais, daquele que é decorrente de processos dos órgãos do corpo físico. A ciência humana, até o presente momento, não considera a ação do fluido vital, por não ter, ainda, condições de observação e análise de suas propriedades, apesar de perceber que existe uma diferença entre um mesmo composto obtido das formas mencionadas.

Precisamos estar cientes de que a observação da ação do fluido vital é mais facilmente alcançada na contraposição entre matéria inerte e matéria viva, mesmo que seja uma vida factícia. Existe uma fonte inesgotável de experimentos nos quais a observação da ação deste tipo de fluido é possível, que são os denominados "fenômenos de efeitos físicos", tais como o das mesas girantes quando Kardec constatou a ação espiritual em objetos materiais. Portanto, apesar de não ser muito aceito e há, até mesmo, certo preconceito, pois se acredita que não há mais necessidade para este tipo de evento, estes virão a ser, quando a humanidade estiver predisposta a trabalhar para a sociedade, e não apenas para satisfação pessoal, a pedra fundamental do avanço científico e, por consequência, do avanço moral.

Nota: Os termos "eletricidade animal" e "magnetismo animal" são decorrentes do fato de que, à época de Kardec, tanto a eletricidade quanto o magnetismo ainda eram pouco conhecidos e, por isso, alguns fenômenos eram designados por estes nomes. O Espiritismo esclarece a teoria dos fluidos, portanto, sabemos se tratar e um tipo específico de fluido encontrado nos corpos físicos dos encarnados.

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado