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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2015

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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O Espiritismo surgiu na França, centro cultural do mundo, no século XIX, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, – marco inicial da Doutrina Espírita –, em 18 de abril de 1857. Esse acontecimento revolucionou toda a ciência, a moral e os costumes, trazendo uma nova era para a humanidade.

As doenças mentais eram e continuam sendo um grande desafio para a ciência. O Espiritismo, antecedendo as descobertas científicas, “vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo” (1).

Allan Kardec perguntou aos Espíritos Superiores sobre um assunto muito discutido do psiquismo humano: – “Tem algum fundamento pretender-se que a alma dos cretinos e dos idiotas é de natureza inferior?”

Ao que recebeu como resposta: – “Nenhum. Eles trazem almas humanas, não raro mais inteligentes do que supondes, mas que sofrem da insuficiência dos meios de que dispõem para se comunicar, da mesma forma que o mudo sofre da impossibilidade de falar (2).”

As Entidades Sublimadas compararam o cérebro humano com um instrumento musical, e o Espírito como músico: “Um músico excelente, com um instrumento defeituoso, não dará a ouvir boa música, o que não fará que deixe de ser bom músico” (3).

As respostas às perguntas de Kardec, eram dadas pelos Espíritos aos vários médiuns, – jovens entre 14 e 16 anos –: as irmãs Baudin, Caroline e Julie; Aline Carloti, Ruth Celine Japhet, Ermance Dufaux etc., e tantos outros médiuns. As perguntas eram espalhadas para centenas de centros onde haviam as manifestações dos Espíritos.

Nessa época, a medicina surgida com Hipócrates, na Grécia, no IV século a.C., ainda não era considerada ciência. Somente no ano de 1859 surge a teoria da evolução, com A origem das Espécies, proposta pelo cientista inglês Charles Darwin. Mas, a evolução humana precisava de provas oriundas do interior dos organismos vivos. Foi quando, em 1866, o monge Gregor Mendel, experimentando cruzar variedades de ervilhas na horta do mosteiro, estabeleceu as bases da hereditariedade, tornando-se o Pai da Genética.

O alemão Franz Gall criou a Frenologia, tentando mapear o cérebro pelas suas protuberâncias, sem resultados significativos.

O primeiro mapeamento do cérebro surgiu em 1862, pelo antropologista e anatomista francês Pierre Paul Broca. Ele tratava de um paciente, Monsieur Leborgne, portador de afasia – deficiência da fala –, chamado Tan, porque era a única palavra que ele falava. Tudo que lhe perguntavam, ele, invariavelmente respondia, tan. Qual é o seu nome? Tan. Qual o nome dos seus pais? Tan. Onde você mora? Tan. E assim, sucessivamente. Broca esperou que ele morresse para abrir seu crânio e estudar o encéfalo. Descobriu uma lesão no lobo frontal esquerdo, responsável pela deficiência da fala. Essa área é denominada área de Broca.

Posteriormente, em 1874, o alemão Karl Wernick, utilizando o mesmo processo para curar afasia, descobriu uma lesão no lobo temporal esquerdo, e constatou que essa área é responsável pela linguagem.

No mesmo período, em 1866, John Langdon Down, trabalhando com crianças de baixo nível mental, notou em alguns semelhanças fisionômicas com os mongóis, que ele considerava seres inferiores da criação, e utilizou o termo mongolismo para classificá-los. Somente após a descoberta do DNA, no ano de 1953, houve a possibilidade de descobrir a causa biológica dessa síndrome. Em 1958, o Dr. Jérôme Lejeune, estudando os casos idênticos, observou no núcleo da célula, um cromossomo a mais. Em vez de 46 cromossomos (23 pares), encontrou no cromossomo 21, um cromossomo a mais, formando a trissomia do cromossomo 21, ficando a célula dos portadores dessa síndrome com 47 cromossomos. Dr. Lejeune, em homenagem ao descobridor dessa anomalia, batizou-a como Síndrome de Down.

Somente em 1905 o pedagogo e psicólogo francês Alfred Binet e seu colega Theodore Simon construiram a primeira escala de medida de inteligência: escala Binet-Simon, criando o Quociente Intelectual (QI), e compondo a chamada tríade oligofrênica: debilidade, imbecilidade e idiotia.

Universidade de Harvard

Em 1983, Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard, publicou o livro Estruturas da Mente, descrevendo as sete dimensões da inteligência: inteligência espacial, inteligência musical, inteligência verbal, inteligência lógico-matemática, inteligência interpessoal, inteligência intrapessoal e inteligência corporal-cinestética. Esta nova teoria ficou conhecida como Inteligências Múltiplas.

Em 1990, Daniel Goleman propôs o Quociente Emocional (QE), dando a percepção dos sentimentos próprios e dos outros, afirmando que o QE constitui requisito básico para o emprego efetivo do QI.

E, finalmente no ano 2000, os cientistas Danah Zohar e Dr. Ian Marshall, através de um conjunto de dados científicos, ainda não assimilados, mostra-nos que há um terceiro Q, o QS – Quociente Espiritual. “O Quociente Espiritual (QS) é a fundação necessária para o funcionamento eficiente do QI e do QE. É a nossa inteligência final. O baixo QI deixa o indivíduo incapaz de solucionar problemas racionais, o baixo QE leva-o a comportar-se como um estranho nas situações que enfrenta, enquanto que o baixo QS mutila o próprio ser” (4).

O Espiritismo mostra que a causa da idiotia e da loucura reside na ação do Espírito imortal, no uso do livre arbítrio, por meio da lei de ação e reação. “Deus é equidade soberana; não castiga e nem perdoa, mas o ser consciente é que profere para si as sentenças de absolvição ou culpa ante as leis divinas. Nossa conduta é o processo e nossa consciência o tribunal” (5) .

 

“Grande cabeça”

O Espírito Humberto de Campos, no livro Pontos e Contos conta o caso de um brilhante advogado chamado Abelardo Tourinho, considerado por todos, inclusive pelos seus colegas de profissão, como o “grande cabeça”, por sua atuação jurídica. Quanto mais dinheiro para pagar tivessem seus clientes, melhor seria sua defesa. Sua mãe, uma cristã abnegada, exortava-o sempre para defender os pobres e injustiçados. Ele lhe respondia vaidosamente: – eu sou o “grande cabeça!”

Tempos depois, sua mãe desencarnou. Ele continuou cada vez mais ambicioso, até que um dia foi colhido pela morte. No plano espiritual, sua cabeça ficou fixada no solo devido ao peso e ao tamanho dela. Sofria atormentado pelas vítimas ignorantes e sofredoras.

Sua mãezinha visitava-o sempre a fim de ajudá-lo, sem lograr êxito. Pediu socorro a um elevado orientador espiritual, que examinando seu filho, lhe disse:

— “Minha irmã, o nosso amigo padece de inchação de inteligência pelos crimes cometidos com as armas intelectuais. Seus órgãos da ideia foram atacados pela hipertrofia de amor-próprio. Ao que vejo, a única medida capaz de lhe apressar a cura é a hidrocefalia no corpo terrestre”.

A senhora Tourinho chorou, mas conformou-se, agradecendo a bondade divina.

E, daí a algum tempo, o brilhante advogado podia ser visto como uma criança desventurada, colada a triste carrinho de rodas com um crânio disforme, para curar os desvarios da “grande cabeça” (6).

Se você está em plena posse de sua mente, faça o Bem!

Muita paz!

 

Notas bibliográficas

1 – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap.1, item 5 – Allan Kardec – Feb.

2 – O Livro dos Espíritos – Parte 2ª – Capítulo VII – Q.371 – Allan Kardec. A parte em negrito é minha.

3 – Idem, ibidem – Questões 371 a 378.

4 – QS – Inteligência Espiritual – Danah Zohar & Ian Marshal – 1ª ed. – 2000 – Record.

– Inteligência Emocional – Daniel Goleman – 1995 – Objetiva.

– Vida – O Mistério de Sua Origem e Natureza – Francis Crick – Gradiva.

– O Código da Vida – Ernest Borek – Ed. Cultrix.

– Cem Bilhões de Neurônios – Conceitos Fundamentais de Neurociência – Roberto Lent – 2001 – Atheneu.

5 – O Espírito da Verdade – Francisco Cândido Xavier – André Luiz – Lição 82 – Feb.

6 – Pontos e Contos – Irmão X – Francisco Cândido Xavier – Lição 23– Feb.

 

 

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