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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2015
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"As vicissitudes da vida têm uma causa e uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa também" (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V).

Sob o ponto de vista físico, as limitações cognitivas infantis, transtornos neuropsiquiátricos muito comuns, apresentam uma série de fatores causais, tanto de ordem genética, como perinatais (ocorridos durante a gestação e o parto) e pós-natais. Portanto, acreditando-se que a vida segue um curso somente regido pelo acaso, a origem de todos os distúrbios, sob a ótica da matéria, se encontra nos cromossomas ou nos genes ou aconteceram por problemas surgidos no momento do parto ou após o nascimento.

Durante a formação do ser, pode o útero ser invadido por substâncias tóxicas ou por agentes infecciosos, como vírus ou bactérias, acarretando dano em áreas específicas cerebrais, como igualmente o agente causal não vir de fora e se encontrar na intimidade dos genes e cromossomas. Após o nascimento, apresentando-se a criança hígida, sem qualquer comprometimento mental, pode sofrer sequelas de lesão traumática craniana ou de doenças infecciosas como a meningite, surgindo a deficiência intelectual. Até mesmo, casos de abandono e maus-tratos na infância, associados ao estresse extremo e a violência, podem produzir alterações bioquímicas que danificam tanto a estrutura cerebral como as suas funções. Igualmente, a intensa desnutrição proteica calórica, nos períodos iniciais do desenvolvimento cerebral (principalmente durante os primeiros 24 meses de vida pós-natal), produz lesão neurológica grave, levando às limitações cognitivas.

A despeito dos recentes avanços nos instrumentos de investigação médica, a etiologia do retardo mental permanece desconhecida em torno de 50% dos casos, sabendo-se que é mais comum no sexo masculino (numerosas mutações são observadas nos genes do cromossomo X6), na proporção de 1,3 a 1,9 mulheres para 13 homens.

Atualmente, a origem física do retardamento mental é atribuída a um defeito da estrutura e função das sinapses das células nervosas, os neurônios. Tudo é regido pelo acaso? Existe uma causa espiritual? Estamos subordinados a uma divindade vingativa ou somos artífices de nossas próprias deficiências?

 

Tudo é Regido pelo Acaso?

A vida espelha, em sua complexidade e beleza, a presença de uma “Inteligência Superior”. De forma alguma, a existência pode ser atribuída ao nada, criada aleatoriamente, sem intenção prévia. Os genes, por exemplo, são sequências funcionais, correspondendo a setores de tamanho variável da molécula do ácido desoxirribonucleico (DNA) e responsáveis por determinadas características hereditárias, determinando igualmente a produção de proteínas necessárias à constituição e ao funcionamento do corpo humano.

Contudo, se os genes estão situados numa molécula proteica, como podem manipular e ordenar a si próprios? Como podem demonstrar sabedoria, regulando a formação de outras proteínas? Como podem os genes ter tanta capacidade de comando específico e brilhante? Mais de cem mil proteínas são produzidas no corpo físico por trinta mil genes. Cada gene pode produzir três, quatro até cerca de dez proteínas. Como, então, podem apenas trinta mil genes produzir mais de cem mil proteínas? E como o gene sabe qual a proteína certa que tem que formar? É claro que o acaso nada pode criar.

Existe um agente causal, nunca casual, responsável por toda essa complexidade, orientando todo esse trabalho maravilhoso de uma proteína formando outras. É indiscutível, “para quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir”, que exista um agente diretriz de todos os processos metabólicos; inclusive, responsável pelo caráter do indivíduo. As características da alma não são transmitidas pelos genes, são atributos do espírito.

Ao mesmo tempo, a majestosa arquitetura humana é constituída de mais de cem trilhões de células, resultantes de apenas uma célula, denominada de ovo ou zigoto, e formando aparelhos e órgãos, como os olhos, os quais, com ou sem instrumentos ópticos, podem observar o Universo e penetrar em uma dimensão situada além de nossa compreensão.

A nossa galáxia, a Via-Láctea, é composta de aproximadamente 500 bilhões de estrelas, e, baseando-se nos dados do telescópio espacial Hubble, acredita-se que haja muito mais de 1 trilhão de galáxias em todo o universo observável (algumas delas a 12 bilhões de anos-luz da Terra). Calcula-se que o Cosmos abrigue mais de 100 bilhões de trilhões de estrelas. Sabendo-se que a estimativa é de haver somente, em nossa galáxia, algo próximo a dez trilhões de planetas, certamente a vida pulula abundantemente no Cosmos. Portanto, a nível macroscópico o que o homem observa está muito acima do seu entendimento, enquanto no mundo incomensurável microscópico, o mesmo se apresenta, comprovando realmente a presença de uma causa inteligente.

Para os materialistas, tudo isso é consequência de fatores aleatórios, surgidos por acaso, resultantes de um trabalho casual. Como entender, por exemplo, a magnitude do DNA, situado dentro do núcleo de cada célula, enrolado em uma estrutura 1/5 do tamanho do menor grão de poeira que se pode ver, cerca de 0,008 cm, e com informação suficiente para preencher cerca de 75 mil páginas de jornal ou uma pilha de livros de 61metros de altura, ou ainda, 200 listas telefônicas de 500 páginas.

A estrutura molecular do DNA é representada como uma escada em caracol, onde o corrimão é formado de açúcar e fosfato, e os degraus por bases nitrogenadas. Um único gene pode conter 2.000 degraus. Em cada célula existem 4 a 6 bilhões de degraus e a partir do DNA formam-se cerca de cem mil tipos de proteínas.

Muito difícil aceitar o acaso, presidindo a fenômenos tão marcantes, fazendo-nos lembrar do acontecimento ocorrido com o sábio Laplace, conhecido como "O Newton da França" por sua excelência científica, sendo célebre astrônomo, famoso matemático, inclusive foi professor da Escola Militar de Paris, onde teve como um de seus alunos o futuro imperador Napoleão Bonaparte.

Pois bem, Laplace foi assistir a uma exibição do Sistema Solar, em miniatura, feito por um suíço, o qual construiu os planetas e os movimentou, utilizando mecanismos de relógio. Então, ali estava a Terra, girando em redor do Sol, juntamente com os outros planetas. O mestre francês estava extasiado, diante do que estava presenciando. Chegou alguém ao lado dele e disse-lhe: -– Professor, tudo o que o Sr. está vendo é fruto do acaso. Ele, prontamente, redarguiu: – Casualidade coisa alguma, quem produziu isso foi um engenheiro suíço, o acaso não pode produzir isso. Prontamente, o aluno perguntou-lhe: –Professor, não é o Sr. quem diz que o Universo surgiu do acaso? Laplace ficou quieto, nada respondendo, já que participou de uma experiência prática de que o nada não existe e nada pode criar.

(Continua na próxima edição).

 

 

Retardo Mental -Via do Amor – 2ª parte

 

Existe uma Causa Espiritual

para o defeito da estrutura e função dos neurônios?

 

É claro, para quem já se despojou de um intenso orgulho, na caminhada evolutiva, afastando-se da descrença, que o fator espiritual existe e está presente, exercendo sua ação. Em verdade, o DNA, por exemplo, corresponde a uma fita planejada e o corpo humano está subordinado às informações ou ordens dos genes. Contudo, certamente, existe um grande mentor, que orienta a formação e o trabalho do DNA e permite repará-lo quando precise.

Essa fita de programação biológica foi aperfeiçoada nos bilhões de anos de evolução, sob as diretrizes de um respeitável obreiro: O Espírito Imortal, nascendo e renascendo na dimensão da matéria, tendo ao seu dispor, na intimidade mais profunda do corpo humano, cerca de 7 octilhões de átomos.

Se a programação biológica leva a uma disfunção biológica, o culpado é o programador, artífice do seu próprio destino, que carrega consigo, registrada na intimidade do seu espírito, a mácula que ele mesmo vincou devido a algum equívoco cometido em vivência pretérita, necessitando reparação. Quando o ser vem ao mundo, ostentando alguma dessintonia, em verdade a mesma já existia antes em espírito. Então, o ser espiritual é responsável por tudo que pensa e faz, subordinado à Lei Divina, denominada de Causa e Efeito, anunciada por Jesus: “A cada um segundo suas obras” e “Quem erra é escravo do erro”.

Em verdade, logo após a fecundação, a entidade reencarnante, de acordo com sua sintonia evolutiva, grava o seu código cifrado vibratório na matéria, atuando sobre o DNA. Por conseguinte, todas as transformações físicas, químicas, orgânicas, biológicas, de todas as células são orientadas e dirigidas pelo agente espiritual que preside a tudo, funcionando o corpo humano como um grande computador biológico.

Se tiver algo a expiar, o desequilíbrio arquivado, em sua vestimenta espiritual, propiciará a escolha da fita compatível e sua posterior gravação. Então, foi plasmada no DNA a informação codificada pelo espírito que reencarna, atestando que as deficiências físicas e mentais originam-se do próprio ser, nunca obra do acaso e muito menos predeterminadas por uma divindade vingativa. O indivíduo é hoje o que construiu ontem, tudo registrado no DNA.

 

Estamos subordinados a uma divindade vingativa ou somos artífices de nossas próprias deficiências?

 

Segundo a Teologia dogmática, Deus cria o espírito, junto com a formação do seu corpo físico. Portanto, se o recém-nato apresenta alguma mazela ou mesmo ostenta malformações intensas, de quem é a culpa? Deus não sabe criar? O espírito é gerado, ao lado de um corpo que entra para a arena física, portando, de imediato, uma patologia grave? Somente a Doutrina da Reencarnação, alicerçada em uma fé raciocinada, revelando que para todo efeito existe uma causa, pode explicar o porquê do nascimento de seres com lesões marcantes em sua arquitetura orgânica. O Evangelho corrobora esse pensamento, enfatizando: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido” e “Quem leva para cativeiro, para cativeiro vai”.

Ensina Kardec: “A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o Espírito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam” (“OLE”, Q.171).

No livro “Religião dos Espíritos”, há um ensinamento valioso de Emmanuel, dizendo que “O corpo carnal, ainda mesmo o mais mutilado e disforme, em todas as circunstâncias, é o sublime instrumento em que a alma é chamada a ascender à flama da evolução”. Portanto, a responsabilidade é pessoal: cada ser passa por aquilo que precisa na sua evolução. Cada indivíduo é artífice de sua própria mazela, punido pelo tribunal da própria consciência, onde estão inseridas as Leis de Deus (“OLE”, Q. 621 ).

O Livro dos Espíritos ensina que os deficientes mentais têm uma alma humana, frequentemente muito inteligente e que sofrem com a insuficiência dos meios de que se dispoem para se comunicar, da mesma forma que o mudo sofre da impossibilidade de falar. Diz, igualmente, que os que habitam corpos de retardados mentais são espíritos sujeitos a uma correção e que sofrem por efeito do constrangimento que experimentam e da impossibilidade em que estão de se manifestarem mediante órgãos não desenvolvidos ou desmantelados.

O codificador, perguntando aos instrutores da dimensão extrafísica, qual seria o mérito da existência de seres, como os excepcionais, não podendo fazer o bem nem o mal, e se achando incapacitados de progredir, recebeu a resposta de que é uma expiação decorrente do abuso que fizeram de certas faculdades. É um estacionamento temporário.

Em outra questão, Kardec, perguntando se pode o corpo de um deficiente conter um espírito que tenha animado um homem de gênio em precedente existência, recebeu a confirmação: “Certo. O gênio se torna por vezes um flagelo, quando dele abusa o homem”. Depois, Kardec comenta que a superioridade moral nem sempre guarda proporção com a superioridade intelectual e os grandes gênios podem ter muito que expiar.

Os embaraços que o espírito encontra para suas manifestações se lhe assemelham às algemas que tolhem os movimentos a um homem vigoroso. Durante o sono, o espírito do portador de retardo mental frequentemente tem consciência do seu estado mental e compreende que as cadeias que lhe obstam ao voo são prova e expiação (Questões 371 a 374).

Assim sendo, a alma de um deficiente mental está enclausurada temporariamente em uma organização física desmantelada e a limitação cognitiva favorece o espírito a não errar mais. Em verdade, sob a ótica extrafísica, está acontecendo algo transcendental: o ser espiritual reconcilia-se consigo mesmo, isto é, com a Harmonia Divina dentro de si; está aprendendo a se pacificar e a se libertar, livrando-se do pesadelo em que se encontrava no além-túmulo, com a consciência pesada, assenhoreado pelo remorso destrutivo. Retirando-se os casos de expiação, quando o ser extrafísico necessita compulsoriamente reparar suas dívidas, pode também o espírito ser portador de um corpo deficiente para ser submetido a uma prova, pedindo para passar pelo sofrimento que lhe serve de impulso maior para a ascensão evolutiva, como igualmente ter o objetivo de poder ajudar seus pais, parentes e amigos, engolfados na atribulação, capacitando-os a se desprenderem com facilidade do jugo material, tornando-os mais fraternos e mais tolerantes, abertos para o encontro com a sua espiritualização e vivenciando com avidez o amor.

Em realidade, a disfunção cerebral é o caminho da libertação espiritual, a cura para o espírito, a via para a felicidade de um ser real dotado de natureza imortal que “estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (Lucas 15.32).

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