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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2015

Sobre o autor

Cláudio Sinoti

Cláudio Sinoti

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Por que sofremos?

Esse questionamento tem sido feito desde a antiguidade, porquanto a condição humana caminha lado a lado com o sofrimento, desde as suas origens. Inúmeras respostas foram dadas para explicar esse fenômeno, desde a religião, a filosofia e a ciência, que em suas variadas escolas e vertentes apresentaram propostas e convicções diversas, na tentativa de esclarecer e minimizar sua intensidade.

Alguns séculos antes de Cristo, o príncipe Sidarta Gautama, que mais tarde se tornaria Buda – o Iluminado – especialmente após deixar a vida cercada de luxo no palácio em que vivia, deparou-se com a realidade do sofrimento, e ao atingir o estágio de iluminação, conforme as narrativas biográficas, estabeleceu suas 4 nobres verdades, segundo as quais:

1 – Todos os seres estão sujeitos ao sofrimento (velhice, doença, morte, insatisfação etc.);

2 – O sofrimento surge de causas (desejo, cobiça, raiva, ignorância etc.);

3 – Ao eliminarmos as causas, o sofrimento é eliminado;

4 – Praticando o nobre caminho óctuplo, o sofrimento e suas causas são eliminadas.

Estabelecendo um paralelo entre as propostas de Buda, as doutrinas psicológicas e o Espiritismo, Joanna de Ângelis1 aprofunda o estudo do sofrimento. De acordo com a Benfeitora, muitas vezes o sofrimento “é resultado das próprias aflições que ele proporciona.” Algumas pessoas têm pouca resistência ao desconforto, às dores, às doenças. Nesse sentido, a própria estrutura física e emocional responde pela intensidade do sofrimento. Esse seria o “Sofrimento do Sofrimento”.

Por outro lado, existe o “Sofrimento da Impermanência”, resultante da ilusão que temos a respeito da vida e da realidade material que nos acompanha. O ego imaturo, acreditando ser possuidor de bens e tesouros de ordem física, quase sempre se ilude na busca de recursos externos, e sofre porquanto tudo na existência terrena tem a condição de transitoriedade. Nesse ponto, ressalta-se a necessidade do aprendizado do “desapego”, da identificação das coisas e até mesmo das pessoas que acompanham nossa jornada. Estão conosco, mas não são nossa propriedade. Isso inclui o próprio corpo físico, que por mais longa que seja sua existência, um dia se desintegrará.

Além desses, existe o “Sofrimento dos Condicionamentos”, ocasionado pelo aprendizado inadequado a respeito da vida e seu significado. Não aprendemos a lidar com nossas emoções, abraçamos ideias pessimistas, crenças sem nenhum sentido e direcionamos nossas vidas, muitas vezes, sem nos ocuparmos devidamente com o mundo interno, o único que se mantém e prossegue além da vida física. Esses condicionamentos respondem por grande parte dos sofrimentos que nos atingem.

Ademais, a vida traz de volta o resultado das ações e escolhas de outras existências. Nesse aspecto, o sofrimento de hoje pode ser consequência da má utilização dos recursos vitais em outras épocas. Não se trata apenas de uma instância punitiva, mas a forma que a vida encontra, em sua sabedoria, de nos convocar ao reequilíbrio, para que possamos fazer escolhas equilibradas e sábias, hoje, para não sofrermos no futuro.

No campo físico e emocional, a manutenção de uma vida saudável irá minimizar os efeitos dos sofrimentos. E se mesmo assim nos alcançar o “sofrimento inevitável”, quanto mais estrutura psicológica e espiritual tivermos para lidar com essa realidade, menor será sua intensidade. E mesmo que sofrer não nos pareça uma opção, como nos diz a poesia, a nossa resposta a ele será sempre uma escolha que podemos fazer.

E se inicialmente perguntamos: “por que sofremos?”, ao buscar um sentido mais profundo em sua realidade perguntaremos:

Para que esse sofrimento me atinge?

Assim fazendo, estaremos buscando uma finalidade dentro da dinâmica do sofrimento, e cientes de que estamos trilhando a jornada rumo à plenitude, acolheremos dele as lições que traz, seguindo confiantes e dispostos a enfrentar qualquer obstáculo que surja em nosso caminho.

 


1 Joanna de Ângelis (espírito); Divaldo Franco (médium). Plenitude. Leal Editora

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